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BASTIDORES

Alepe abre extraordinária sob queda de braço entre base de Raquel e Álvaro Porto

Com quórum garantido pela base governista, Raquel Lyra tenta retomar controle do Orçamento, mas esbarra em manobra estratégica do presidente da Casa

Alepe abre extraordinária sob queda de braço entre base de Raquel e Álvaro Porto
- Base governista comemora aprovação da convocação extraordinária
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



O ano de 2026 começou com um “choque de trens” na política pernambucana. Nesta sexta-feira (02), os deputados estaduais interromperam as férias para aprovar uma convocação extraordinária. Na prática, isso significa que a Assembleia Legislativa (Alepe) vai funcionar em pleno janeiro, a partir do dia 5, às 10h, para decidir sobre projetos urgentes enviados pela governadora Raquel Lyra (PSD).

O pedido de convocação extraordinária foi aprovado por 25 deputados que registraram voto. Já o presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), foi o único deputado da oposição presente na sessão, trazendo um recado político e visual: ele é maior rosto da resistência ao Palácio.


Por trás dos nomes difíceis e leis citadas enviadas à Alepe, existe uma queda de braço real: de um lado, a governadora quer recuperar o controle do dinheiro do Estado; do outro, Álvaro Porto usa o regulamento para frear as intenções do Palácio. 

O que Raquel Lyra quer?


A governadora enviou quatro mensagens (pedidos) principais. Entenda o que cada uma significa na vida real:


Mensagem 70 (O controle do Orçamento): Este é o ponto mais crítico. O orçamento é o planejamento de onde o governo vai gastar o dinheiro em 2026. Raquel quer o direito de remanejar (mudar o dinheiro de uma secretaria para outra) sem precisar pedir licença aos deputados o tempo todo. A Alepe quer que ela peça autorização para quase tudo. É uma disputa para ver quem segura a “chave do cofre”.


Raquel Lyra quer recuperar o direito de remanejar até 20% do orçamento por conta própria. Atualmente, por decisão da própria Assembleia, esse poder está limitado. Para o governo, no entanto, os 20% são essenciais para ter agilidade nas obras; para a oposição, contudo, a trava é uma forma de fiscalizar de perto o uso do dinheiro público.


Mensagem 71 (o dinheiro da Segurança): Trata de R$ 180 milhões que o Tribunal de Justiça quer devolver ao Governo para investir em presídios e segurança. O problema é que o prazo para esse dinheiro ser passado venceu no dia 30 de dezembro. Raquel mandou o pedido atrasado, e Álvaro Porto agora questiona se isso ainda é legal.


Mensagem 72 e 73 (Troca de dívidas)


Além da disputa pelo orçamento, a convocação também coloca em pauta a Mensagem 72, que altera as regras de um empréstimo de R$ 1,7 bilhão já aprovado anteriormente. A manobra da governadora visa permitir que esse montante não fique preso a apenas um tipo de gasto, podendo ser direcionado também para o Fundo de Desenvolvimento Social (FDS). Na prática, isso dá ao Palácio o poder de usar recursos de empréstimos para turbinar programas sociais e investimentos diretos em comunidades, o que é visto como um trunfo político em ano de eleições.


Pela mensagem 73, a governadora quer fazer o que chamamos de “portabilidade”. Ela quer pegar um empréstimo de cerca de R$ 5,2 bilhões com bancos como o Banco do Brasil e a Caixa para pagar dívidas antigas que têm juros mais caros. A ideia é trocar uma dívida ruim por uma mais barata para sobrar dinheiro para obras.

Veja mais: Pernambuco na linha do tempo: entre os marcos do agora e os desafios do amanhã


A jogada estratégica de Álvaro Porto



Durante a sessão, a deputada Socorro Pimentel (União), líder do governo, tentou acelerar o passo ao cobrar a tramitação nas comissões temáticas. Porto, no entanto, freou a investida, condicionando o envio dos textos ao parecer prévio da Procuradoria Legislativa.


Mesmo aprovando a volta ao trabalho, Álvaro Porto deu um “balde de água fria” no Governo. Ele mandou os dois projetos mais importantes (Orçamento e Segurança) para a Procuradoria da Alepe.


Para quem lê, parece burocracia, mas na política isso é estratégia: ao invés de votar rápido como Raquel queria, os projetos ficam esperando um parecer jurídico. Porto está dizendo que o Governo errou nos prazos e que ele não vai atropelar as leis para salvar a governadora. Ele continua com o poder de controlar o relógio.


Por que isso importa para os pernambucanos?


O cenário mostra que Pernambuco entra no ano eleitoral de 2026 com o Governo e a Assembleia em choque. Para o cidadão e cidadã, fica claro que a falta de diálogo entre quem governa e quem faz as leis gera travas que podem parar investimentos no Estado. Se o próximo governante não souber conversar com a Assembleia desde o primeiro dia, Pernambuco corre o risco de viver o que estamos vendo hoje: um governo que tenta agir, mas esbarra nos ritos de uma Casa Legislativa que decidiu bater de frente.


Base unida x Presidência forte



O dia de hoje deixou duas mensagens claras. A primeira é que o governo Raquel Lyra tem uma bancada pequena, mas agora organizada, capaz de garantir quórum em pleno recesso. A segunda é que ter a maioria no plenário não significa ter o controle total da pauta: Álvaro Porto mostrou que, como presidente, detém o poder de “pedir vista” técnico e atrasar os planos do Executivo.


Para o leitor, o recado é direto: a governadora conseguiu abrir a sessão, mas terá que lutar muito para aprovar cada projeto. A Alepe mostrou hoje que não será apenas uma “carimbadora” de vontades do Palácio, e que Álvaro Porto detém a chave do cronograma de votações.

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