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Eu e Elas

Verão, corpo perfeito e um mito que insiste em sobreviver

Verão reacende a pressão estética e o mito do corpo perfeito sobre as mulheres

Verão, corpo perfeito e um mito que insiste em sobreviver
- Izah Mendonça
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Izah Mendonça

Apresentadora do Programa Eu e Elas, na TV Tribuna / Band e colunista do Tribuna Online

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A chegada do verão costuma vir acompanhada de sol, calor e férias. Mas, para muitas mulheres, também traz um velho incômodo: a pressão pelo chamado “corpo perfeito”. Um ideal que reaparece todos os anos, reforçado por campanhas publicitárias, redes sociais e discursos que insistem em associar beleza à magreza, juventude e ausência de marcas do tempo.

Especialistas em comportamento e saúde mental alertam: não existe corpo perfeito. O que existe é um padrão inventado, construído socialmente e sustentado por uma indústria que lucra com a insegurança feminina. Um padrão que ignora biotipos, histórias, fases da vida e transforma o corpo da mulher em um projeto eterno de correção.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a insatisfação corporal afeta majoritariamente mulheres. Pesquisas internacionais mostram que mais de 70% delas já se sentiram desconfortáveis com o próprio corpo ao se expor em ambientes como praias e piscinas. No Brasil, estudos na área de psicologia apontam que a pressão estética aumenta significativamente nos meses que antecedem o verão.

Esse ideal não é apenas irreal, ele é machista. Historicamente, o corpo feminino sempre foi alvo de controle social. Se antes era coberto, hoje é exposto, avaliado e julgado. Em ambos os casos, a mensagem é a mesma: nunca está bom o suficiente. Sempre falta algo. Sempre precisa mudar.

O resultado é uma sobrecarga física e emocional. Mulheres se tornam reféns de dietas restritivas, rotinas exaustivas de exercícios e procedimentos estéticos que, muitas vezes, não respeitam seu biotipo nem sua saúde. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número de procedimentos estéticos cresce de forma expressiva antes do verão, impulsionado pela promessa de um corpo “adequado” para a estação.

O problema não está no cuidado com o corpo, mas na obrigação de transformá-lo para caber em um padrão. O cuidado saudável respeita limites, escuta o corpo e considera o bem-estar. A escravidão da beleza ignora sinais de cansaço, dor e adoecimento emocional.

Especialistas reforçam que esse tipo de pressão contribui para o aumento de transtornos alimentares, ansiedade e baixa autoestima. A mulher passa a se relacionar com o próprio corpo a partir da culpa e da comparação, e não do respeito.

Falar sobre o mito do corpo perfeito é, também, falar sobre liberdade. Liberdade para existir em diferentes formas, idades e tamanhos. Liberdade para viver o verão sem pedir desculpas ao próprio corpo. Liberdade para entender que beleza não é uniforme, nem estação do ano.

O verão chega todos os anos.

O corpo muda.

A vida também.

Talvez o verdadeiro convite desta estação seja outro: abandonar padrões que adoecem e construir uma relação mais honesta, gentil e real com o próprio corpo. Porque corpo perfeito não existe. O que existe é o corpo possível, vivo, e suficiente.


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