- Vitória, ES 28°C

Vitória 28°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Política

Fim da escala 6×1 vira aposta eleitoral de Lula

Governo defende reduzir jornada e trata a proposta como vitrine para a campanha de reeleição, apesar da resistência empresarial

Fim da escala 6×1 vira aposta eleitoral de Lula
- Luiz Marinho disse que é “plenamente possível” aprovar a medida dentro do calendário eleitoral
Foto de perfil de tribunaonline

Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

Última atualização


Favorável ao fim da escala 6×1, o governo Lula tem como prioridade no ano eleitoral a redução da jornada máxima de trabalho para 44 horas semanais.

O caminho imediato defendido pelo governo é a redução da jornada para 40 horas semanais, o que, na prática, extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. As discussões sobre o tema são lideradas pelos ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais.

A proposta é tratada como uma vitrine para a campanha de reeleição do presidente Lula.

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, é “plenamente possível” aprovar a medida dentro do calendário eleitoral. Ele também defendeu a negociação coletiva como forma de acomodar setores que operam em regime contínuo.

“O fim da escala 6×1 é uma prioridade do governo e é uma prioridade para os trabalhadores, especialmente a juventude brasileira, que vem rechaçando esse formato. A jornada 6×1 é a mais cruel ainda em prática no mundo, em especial para as mulheres”, disse Marinho.

O ministro afirmou que a aprovação da medida, com impacto no mercado de trabalho e no ambiente laboral, deve ser encarada como uma oportunidade. Ele também convocou a participação dos trabalhadores no processo.

“Junto aos seus sindicatos, às suas centrais sindicais e aos parlamentares do seu respectivo estado, porque esse processo de participação e de diálogo efetivo com o Parlamento é fundamental”, afirmou.

Marinho citou a aprovação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil como exemplo. “Foi aprovado por unanimidade no Senado e na Câmara, uma unanimidade que não existiu durante o debate. Sem o processo de participação da sociedade, é possível que esse projeto ainda estivesse tramitando no Congresso”.

O ministro disse que o ambiente de trabalho provoca doenças e acidentes. Segundo ele, a melhoria das condições tende a reduzir esses índices, o que é esperado no debate sobre o fim da escala 6×1.

Comércio e indústria resistem à alteração da jornada. Os setores avaliam que a redução pode gerar inflação e encarecer serviços. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo estima que o custo do trabalho aumentaria em quase um terço caso a mudança entre em vigor.

Reaproximação com a esquerda

Após um ano marcado por embates entre governo, oposição e a presidência da Câmara, partidos mais à esquerda avaliam que há espaço para uma reaproximação com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo o site R7 Planalto, a pauta capaz de viabilizar essa reaproximação é a proposta que trata do fim da jornada de seis dias de trabalho com um de descanso. O tema é tratado como prioridade pelo governo federal neste ano e é visto por aliados de Motta como uma agenda de interesse político.

Interlocutores afirmam que, caso o presidente da Câmara ajude a destravar a tramitação da proposta, o gesto seria interpretado como uma “reconciliação total” com partidos como o PT e o Psol.

Ainda segundo o site R7, Motta já estaria dialogando com lideranças sobre o assunto.

Atualmente, uma proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Érika Hilton (Psol-SP) tramita na Câmara dos Deputados. Em paralelo, um projeto com o mesmo objetivo foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 2025, mas aguarda deliberação no plenário.

“Tem crescido a discussão do tema. Essa é uma pauta que, com certeza, no início do ano, os partidos vão tratar, e nós vamos dar um encaminhamento. Penso que esse será um tema que vamos tratar no início do ano de 2026”, afirmou o republicano Hugo Motta, que estará mais um ano à frente da Casa.

Mais Lidas

Ver tudo ›