Mais de 13 mil estudantes de todo País estão se formando em cursos de Medicina avaliados como insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC).
O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda impedir que alunos formados nos cursos dessas instituições consigam o registro profissional.
O resultado veio após a realização do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. Os dados foram divulgados nesta semana.
Carlos Magno Pretti Dalapicola, 2° tesoureiro do Conselho Federal de Medicina (CFM), explica que atualmente qualquer aluno dessas escolas, uma vez formado, consegue fazer o registro, obtém o CRM e pode exercer a medicina.
“O que nós queremos é a possibilidade de fazer uma resolução para impedir que alunos com nota insuficiente consigam fazer o registro nos conselhos”, explicou.
O Enamed aconteceu pela primeira vez no ano passado, em outubro, e avaliou 351 cursos. A nota mínima que o MEC atribui às escolas varia de 1 a 5.
Dos cursos avaliados, 107 ficaram com notas 1 e 2, consideradas insuficientes. De acordo com Carlos Magno, o CFM quer ter acesso, inicialmente, aos microdados da prova.
“Você pode ter um aluno em uma escola de nível 5 que seja um péssimo aluno e não esteja preparado para exercer a medicina ou vice-versa”, ressaltou.
A Plenária do CFM autorizou e o órgão estuda, após o conhecimento desses dados solicitados, fazer uma resolução para evitar o registro nos Conselhos desses médicos com notas insuficientes.
“O Enamed não impede que esse futuro profissional exerça a medicina, mas evidenciou a precariedade do ensino médico no Brasil. Com esses dados, o MEC pode tomar providências para melhorar as escolas ao longo dos anos”.
As instituições com conceito 1 ou 2 no exame estarão sujeitas a penalidades. “São medidas como não ter mais vestibular, diminuir o número de vagas ou até fechar”.
Em paralelo, um projeto de lei tramita no Senado Federal. Uma vez sancionado, todos os médicos, assim que acabarem a sua graduação, vão ter que fazer o exame chamado Profimed.
“Se o aluno não fosse aprovado nesse exame, ele não poderia obter o CRM nem exercer a medicina”, diz Carlos Magno.
A diferença é que o Enamed avalia o curso da instituição e o Profimed avalia individualmente o futuro profissional.
Fique por dentro
Instituição conseguiu nota 5 no Espírito Santo
O que é o Enamed
O Enamed é uma prova criada pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar a qualidade das escolas de Medicina no Brasil.
Aplicado pela primeira vez em outubro de 2025, o exame classifica os cursos com notas de 1 a 5, sendo que 1 e 2 são consideradas insuficientes.
A prova, com questões gerais de várias áreas da medicina, não impede que o aluno se forme nem que obtenha o registro profissional.
Dos 351 cursos avaliados em todo o Brasil, 107 ficaram com notas 1 e 2.
No Espírito Santo, uma instituição conquistou nota 5, uma obteve nota 3 e as demais ficaram com nota 4.
O que o CFM pretende fazer
Diante dos resultados, o Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou ao MEC os microdados do Enamed para identificar os alunos que tiveram desempenho insuficiente.
A intenção é editar uma resolução que impeça alunos com notas 1 ou 2 de obter o CRM, o que impediria o exercício da medicina.
Enamed e Profimed
Enquanto o Enamed avalia as escolas, o Profimed é um exame de proficiência que pretende avaliar o aluno no fim da graduação.
Proposto pelo CFM, o Profimed depende da aprovação de um projeto de lei no Congresso. Se reprovado, o candidato não poderá obter o CRM nem exercer a medicina.