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Economia

Investimentos em saneamento podem gerar 20 mil empregos e aceleram obras

Levantamento indica vagas em obras e operação com PPPs e Epar; barragem no Rio Jucu avança e muda a paisagem entre Viana e Domingos Martins

Investimentos em saneamento podem gerar 20 mil empregos e aceleram obras
- Estação de tratamento de esgoto: vagas para profissionais de todos os níveis, com possibilidades para jovens seguirem carreira na área de saneamento
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Rodrigo Péret

Formado em Jornalismo pela Faesa em 2017 e atualmente cursando o último período de Direito na Multivix Vitória, Rodrigo Péret está em A Tribuna desde 2019, onde atua como repórter de Política e Economia, ocasionalmente atuando como colunista de Plenário. Paralelamente, colabora para o portal Wrestlemaníacos, especializado em Pro-Wrestling, desde 2011.

Última atualização



O conjunto de investimentos em saneamento básico tem potencial para criar, no Espírito Santo, mais de 20 mil empregos até 2040, com algumas das contratações já tendo começado a acontecer.

A estimativa é do Instituto Trata Brasil, que foi citada pela Cesan e pelo advogado e especialista em Direito Público e Infraestrutura Marco Túlio Ribeiro Fialho.

Fialho detalha que só a construção da Epar deve abrir cerca de 200 postos de trabalho diretos, a cargo da GS Inima, e que a usina de dessalinização deve ampliar ainda mais essa demanda.

Fialho explica que a importância dessa abertura de vagas é dupla. Ele explica que a distribuição de vagas será ampla pelo Estado, já que as obras não ficarão concentradas em uma só região, o que vai espalhar postos de trabalho por todo o Espírito Santo.

Além disso, Fialho detalha que contratos de PPP de 25 anos e concessões de 30 anos não criam vagas sazonais, mas carreiras, o que abre à juventude capixaba a chance de qualificação técnica em um setor com demanda garantida por décadas.

Segundo o especialista, na fase de obras, há forte demanda por engenheiros – civil, ambiental, sanitário, mecânico e elétrico –, mestres de obra, operadores de máquinas, soldadores, encanadores e profissionais de montagem eletromecânica e de construção pesada.

Já na operação das estações, o setor procura técnicos em saneamento, meio ambiente, eletromecânica e segurança do trabalho, além de operadores de centros de controle, eletricistas e mecânicos de manutenção — funções com exigência de formação técnica.

“E há toda a cadeia de empregos indiretos: fornecedores de tubos, bombas, equipamentos, materiais e serviços locais, que se aquece ao longo de toda a execução. O impacto sobre emprego e renda é imediato e expressivo, especialmente por conta das PPPs, que devem ser o principal vetor. É um investimento que gera saúde, competitividade e trabalho qualificado ao mesmo tempo”, afirma.

Para se ter uma ideia do cenário do setor, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, de 2012 a 2019 as operações de saneamento básico no Espírito Santo sustentaram 395 empregos diretos e 204 indiretos por ano.

Ou seja, em oito anos, foram cerca de 3.160 empregos diretos e 1.632 indiretos no segmento, movimentando cerca de R$ 1,3 bilhão em salários, benefícios e remunerações trabalhistas.

Mudanças na paisagem entre Domingos Martins e Viana



As intervenções da nova Barragem dos Imigrantes avançam e já transformam a paisagem entre Viana e Domingos Martins. A estrutura já desviou o curso do rio Jucu e entra agora em novas etapas estruturais.

Com investimento de R$ 316 mi-lhões, o empreendimento promete reforçar a segurança hídrica na Grande Vitória, garantindo reserva de água para até quatro meses em períodos de estiagem severa.

O presidente da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan), Munir Abud, destacou que os trabalhos seguem em ritmo avançado, com execução de importantes fases já concluídas e outras em andamento. “Já realizamos a supressão (retirada) parcial da vegetação, os serviços de terraplanagem, a instalação do canteiro de obras e a escavação do canal de desvio. Neste momento, estão em execução o desmonte de rocha para produção de areia e brita”.

Munir também ressaltou que os próximos procedimentos incluem a escavação das ombreiras, a construção do dique de sela e a injeção de cimento na rocha de fundação. Até o fim deste ano, a previsão é iniciar a concretagem da estrutura”.

O número

  • 200 postos de trabalho só na Epar

Análise

“Fiscalização contínua é essencial”



“Os investimentos em saneamento básico frequentemente são realizados por concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), instrumentos que permitem a participação da iniciativa privada na ampliação e operação dos serviços públicos.

Do ponto de vista jurídico, o principal desafio é garantir que os investimentos privados sejam acompanhados de transparência, eficiência e cumprimento das metas de universalização do serviço.

A fiscalização contínua é essencial para assegurar que o interesse público prevaleça e que a população receba serviços adequados e de qualidade.

Mais do que obras e contratos, o saneamento básico é uma política pública diretamente ligada à saúde, à qualidade de vida e à dignidade da população.”

Os investimentos 

Investimentos em saneamento

  • São, segundo especialistas, um dos principais instrumentos de promoção da saúde pública, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental, permitindo aumento na qualidade de vida da população.

Parcerias

Público-privadas

  • O Espírito Santo têm utilizado de Parcerias Público Privadas (PPPs) para ampliar os serviços de saneamento no Estado.
  • Além das PPPs já em execução nos municípios da Serra, Vila Velha e Cariacica e da subconcessão de água de reúso para fins industriais, o Estado contratou recentemente as PPPs destinadas à ampliação dos serviços de esgotamento sanitário em outros 43 municípios capixabas, organizados nos lotes A e B.
  • Trata-se de uma das maiores agendas de infraestrutura do Estado.

Estação de reúso

  • Uma Estação Produtora de Água de Reúso (Epar) será instalada no Estado para transformar esgoto em água de alta qualidade para uso industrial.
  • O investimento inicial supera R$ 250 milhões e, ao longo de três décadas, a estimativa é que o empreendimento movimente mais de R$ 2 bilhões.
  • Além de atender às demandas de grandes consumidores, a Epar tem como objetivo ampliar a segurança hídrica da região metropolitana de Vitória, beneficiando diretamente mais de 300 mil pessoas.
  • O projeto prevê a desativação de uma antiga estação de tratamento de esgoto (ETE) e a construção de um sistema de regeneração de água com as tecnologias mais avançadas existentes no mundo, instalado em espaço equivalente a um oitavo da ETE anterior.
  • A Epar será a mais avançada planta de tratamento no País para a geração de água de reúso, na qual serão implementadas tecnologias de tratamento biológico de vanguarda.
  • Essas tecnologias serão desenvolvidas pela Veolia, em parceria e sob a liderança da GS Inima, empresa majoritária do consórcio vencedor da concorrência pública realizada em janeiro de 2024 na B3, a Bolsa de Valores do Brasil.
  • O certame, disputado por cinco grupos, marcou a estreia de um modelo de concessão voltado especificamente ao reúso de água.

Meta nacional até 2027 

  • A Região Metropolitana da Grande Vitória deverá alcançar a universalização dos serviços de esgotamento sanitário até 2027, antecipando em seis anos a meta nacional estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico, prevista para 2033.
  • Segundo o Relatório de Administração da Cesan, somente em 2025 foram implantados 68.660 metros de novas redes coletoras, interceptores e linhas de recalque, além de 6.518 novas ligações domiciliares nos contratos de PPP em andamento na Serra, Vila Velha e Cariacica.
  • No mesmo período, os investimentos nessas PPPs alcançaram aproximadamente R$ 145 milhões, possibilitando o tratamento de cerca de 40 milhões de metros cúbicos de esgoto, volume equivalente a aproximadamente 12.800 piscinas olímpicas, evitando o descarte inadequado desses resíduos e promovendo sua devolução ao meio ambiente de forma ambientalmente segura.
  • No conjunto dos projetos, os investimentos previstos por meio das PPPs e da subconcessão de água de reúso somam cerca de R$ 1,9 bilhão em valor presente, beneficiando diretamente mais de 1,9 milhão de capixabas, além dos investimentos previstos nas PPPs de esgotamento sanitário dos 43 municípios (Lotes A e B).



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