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Cidades

Baleia e filhote encantam no litoral capixaba

Baleia-franca com filhote foi avistada em Vila Velha e Regência, em Linhares, em movimento raro no litoral capixaba, segundo especialistas.

Baleia e filhote encantam no litoral capixaba
- Baleias-francas tradicionalmente se reproduzem no litoral de Santa Catarina
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


Uma baleia-franca com um filhote está de visita pelo litoral do Espírito Santo e tem encantado banhistas e pesquisadores. A presença da espécie na região é considerada rara por especialistas.

A primeira aparição ocorreu na última terça-feira na Barra do Jucu, em Vila Velha. Horas depois, os animais foram vistos também na Praia de Itaparica. A dupla ainda foi avistada em Regência, no litoral norte capixaba, em Linhares.

Por que a baleia-franca é rara no Espírito Santo

De acordo com o ambientalista Sandro Firmino, coordenador do Projeto Amigos da Jubarte, as aparições de baleias-francas no Espírito Santo são raras. Ele relata que, nos últimos cinco anos, em média, uma baleia-franca tem sido vista por ano no litoral capixaba.

Firmino participou da identificação dos animais por meio da análise de imagens, que permitiu confirmar que se tratava dessa espécie e apontar que os registros feitos em diferentes pontos de Vila Velha eram do mesmo animal.

“Esse comportamento costeiro faz parte do comportamento da espécie. Então, é algo natural elas estarem próximo à faixa de areia. No entanto, não por aqui”

Segundo o ambientalista, o habitat reprodutivo tradicional da baleia-franca fica no litoral de Santa Catarina, no Sul do País. Assim como a jubarte, ela também migra para a costa brasileira no período de reprodução.

A presença do animal no Espírito Santo pode estar relacionada ao aumento da população da espécie e à retomada de áreas que já foram ocupadas no passado.

Avistagem em Regência e confirmação científica

Além dos registros em Vila Velha, a baleia-franca também foi identificada em Regência, no município de Linhares, no Norte do Estado. A informação é do professor Agnaldo Martins, do Departamento de Oceanografia e Ecologia da Ufes, pesquisador do comportamento de baleias.

O especialista contou que uma equipe da universidade estava em campo na região e conseguiu reconhecer o animal, comparando imagens de diferentes pontos do litoral capixaba.

“As manchas brancas que ela tem na cabeça a gente conseguiu comparar com as imagens de Vila Velha e, na análise, vimos que era exatamente a mesma baleia em Regência”

Como identificar uma baleia-franca

De acordo com o biólogo Daniel Gosser Motta, mestre em Biologia Animal, a baleia-franca se diferencia da jubarte em alguns aspectos anatômicos e visuais.

  • borrifos em formato de V;
  • dorso totalmente liso;
  • ausência de nadadeira dorsal;
  • calosidades de cores brancas na região da cabeça.

A identificação da baleia-franca é feita principalmente por meio das calosidades e manchas brancas presentes na cabeça. Essas marcas têm formatos e padrões próprios em cada indivíduo, funcionando como uma espécie de “RG” da baleia.

Alimentação e cuidados com o filhote

Durante o período reprodutivo, a baleia-franca adulta não se alimenta. Ela utiliza as próprias reservas de energia enquanto permanece nas águas brasileiras e concentra os cuidados no filhote.

O bebê recebe o leite da mãe e pode consumir entre 200 e 400 litros de leite por dia. Ele pode nascer com até cinco toneladas e medir até cinco metros.

Período reprodutivo e áreas de ocorrência

A baleia-franca, assim como a jubarte, procura águas mais quentes, calmas e adequadas para reprodução e criação dos filhotes. A principal área reprodutiva da espécie fica em Santa Catarina.

A baleia-franca tem comportamento costeiro e é bastante comum no Sul do Brasil, principalmente em Santa Catarina, durante o período reprodutivo. Apesar de menos frequente, há registros da espécie quase todos os anos no Espírito Santo.

Diferenças entre baleia-franca e baleia-jubarte

Além do borrifo em formato de V, do dorso liso, da ausência de nadadeira dorsal e das calosidades na cabeça, a baleia-franca se diferencia da jubarte por outras características.

  • corpo mais robusto e arredondado;
  • cabeça proporcionalmente maior;
  • nadadeiras peitorais da jubarte mais longas;
  • franca com movimentos mais lentos e pausados;
  • jubarte mais ativa e acrobática.

A baleia-franca pode chegar a 18 metros de comprimento e pesar cerca de 60 toneladas. Já a baleia-jubarte pode atingir de 15 a 16 metros e pesar até 40 toneladas.

Outras espécies de baleias no Espírito Santo

Além das jubartes e das francas, as baleias-minke, que vivem em todos os oceanos do mundo, também são avistadas no Estado. Um adulto pode chegar entre 7 e 8 metros de comprimento.

Cuidados e distância segura dos animais

Especialistas orientam que, independentemente da espécie, a principal recomendação é manter distância da baleia. A aproximação excessiva pode causar estresse, transmitir doenças e oferecer risco de acidente.

  • não tentar tocar o animal;
  • não perseguir a baleia com embarcações;
  • não acompanhar de perto os movimentos do grupo;
  • respeitar a distância segura indicada por guias e autoridades ambientais.

A orientação geral é apreciar o avistamento à distância, garantindo segurança para as pessoas e bem-estar para os animais marinhos.



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