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Cidades

Estado de atenção após redução dos níveis dos rios do ES

Recomendação às prefeituras e indústrias é a proibição de práticas de desperdício de água, como lavagem de calçadas e veículos

Estado de atenção após redução dos níveis dos rios do ES
- José Roberto Jorge, diretor-geral da Agerh, informa que são cerca de 10 rios inclusos no alerta emitido

Última atualização



A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) decretou estado de atenção para os níveis de vazão de água nos principais rios do Espírito Santo. A resolução, publicada no Diário Oficial, tem como objetivo reforçar o monitoramento dos recursos hídricos e orientar a população sobre o uso consciente da água.

No decreto, a agência recomenda que prefeituras e indústrias proíbam práticas de desperdício de água, como lavagem de calçadas, veículos, vidraças e fachadas com mangueiras. Também orienta a evitar a rega de gramados e jardins durante o dia, quando a evaporação é maior.

O órgão propõe ainda que sejam aplicadas penalidades a indivíduos flagrados descumprindo essas orientações, como forma de coibir o desperdício em meio ao período de estiagem.

Rios em atenção e período de estiagem no Espírito Santo

Segundo o diretor-geral da Agerh, José Roberto Jorge, cerca de 10 rios estão incluídos no alerta emitido pela agência.

“Alguns dos rios que estão com a vazão de água baixa, atualmente, são Jucu, Santa Maria da Vitória, Itapemirim, Itabapoana, São Mateus, Guandu, Benevente, Santa Joana e o Rio Doce”

José Roberto explica que agosto é um mês tipicamente seco e que o período de estiagem acontece de abril a setembro no Espírito Santo. Por isso, um menor volume de vazão de água já é esperado nessa época do ano.

“O estado de atenção é uma medida de orientação à população, não significa que estamos sem água. O objetivo é sensibilizar as pessoas sobre a diminuição da vazão e recomendar práticas conscientes”

Influência do El Niño e avanço da seca em 2026

Um agravante neste período de estiagem é o El Niño, evento climático que altera a temperatura das águas e os regimes de chuva. O professor de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Diogo Costa Buarque observa que, embora a estiagem seja esperada para esta época, em 2026 ela tem avançado mais rápido.

“O alerta é normal nesta época, mas em 2026, essa seca parece ter evoluído de forma rápida, atingindo 100% dos municípios capixabas. No ano passado a evolução foi mais gradual”

Para o engenheiro ambiental Antônio Sergio Mendonça, representante da Ufes no Conselho Estadual de Recursos Hídricos, o essencial neste momento é reduzir os gastos de água e reforçar a percepção de que o recurso é finito.

“As pessoas precisam entender que a água não nasce da torneira e sempre monitorar seus gastos”

Algumas recomendações

Prefeituras

  • Restringir a lavagem de calçadas, fachadas, pisos, muros e veículos com mangueiras, incentivando métodos alternativos.
  • Incentivar que a irrigação de jardins e gramados seja feita apenas nas primeiras horas da manhã ou à noite.
  • Proibir a irrigação de vias públicas com água potável, exceto quando utilizada água de reúso.

População em geral

  • Reduzir o consumo diário de água, adotar hábitos de uso racional e evitar desperdícios.
  • Utilizar dispositivos economizadores, como redutores de vazão e equipamentos de baixo consumo.
  • Colaborar com as medidas de preservação dos recursos hídricos durante o período de estiagem.

Indústrias

  • Implantar medidas de reúso, reaproveitamento e reciclagem da água.
  • Adotar sistemas de circuito fechado para resfriamento e lavagem de equipamentos, reduzindo o consumo.

Agricultura

  • Intensificar o manejo eficiente da irrigação.
  • Realizar a irrigação nos horários de menor evaporação e com ventos fracos para reduzir perdas de água.

Companhias públicas e privadas de saneamento

  • Incentivar a redução do consumo diário de água pela população, incluindo o uso de dispositivos economizadores.
  • Intensificar ações para reduzir perdas nos sistemas de abastecimento e agilizar reparos de vazamentos.
  • Monitorar semanalmente os níveis de água e vazões nos pontos de captação e encaminhar relatórios à Agerh.
  • Avaliar melhorias na infraestrutura hídrica dos sistemas de abastecimento.

Órgãos licenciadores

  • Incentivar o uso racional da água, o reúso e o aproveitamento de águas residuais tratadas.
  • Estimular a captação de água da chuva.
  • Promover ações de conservação de água e solo, incluindo recomposição florestal.
  • Desburocratizar o licenciamento de ações emergenciais para ampliar a oferta hídrica.

Fonte: Agência Estadual de Recursos Hídricos.



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