- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Saúde

165 pessoas buscaram atendimento para vício em jogos este ano no ES

Serviço do governo estadual, lançado no início deste ano, aponta que maioria dos pacientes é jovem e do sexo masculino

165 pessoas buscaram atendimento para vício em jogos este ano no ES
- Homens jovens, com idade entre 25 e 34 anos, correspondem por 71% dos atendimentos realizados na Rede Abraço para enfrentar o vício em apostas digitais
Foto de perfil de Flávio Carvalho

Flávio Carvalho

Formado em Jornalismo pela Faesa, atua na Rede Tribuna desde 2012, onde começou como estagiário. Já integrou a equipe de produção de pautas para a editoria de Cidades, e há mais de 8 anos cobre cultura e celebridades no jornal. Na área de assessoria de comunicação, estagiou em instituições públicas e privadas. Também atendeu artistas capixabas e festas.

Última atualização


Desde janeiro, quando o Programa Rede Abraço, do governo do Espírito Santo, passou a oferecer uma linha específica de atendimento voltada para quem sofre com compulsão por jogos digitais e apostas esportivas, 165 pessoas já foram atendidas no Espírito Santo.

De acordo com dados da iniciativa, foram realizados 465 atendimentos relacionados ao problema, sendo a maioria homens (71%), de 25 a 34 anos. Do total de atendimentos, 61% recebem menos de um salário mínimo e 35% recebem acima do mesmo valor.

Segundo o subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas e coordenador do programa, Carlos Lopes, a alta procura por ajuda reflete uma mudança no cenário social brasileiro após a popularização das plataformas de apostas.

“Na medida em que você tem na sociedade um incentivo à prática do jogo de forma irresponsável, isso provoca impactos diretos na vida das pessoas. Temos observado um aumento de sintomas como angústia, ansiedade, depressão e solidão, além de problemas financeiros”.

Referência no cuidado a dependentes químicos desde 2013, o programa acolhe pessoas com transtornos relacionados aos jogos e apostas, bem como oferece suporte aos familiares.

“O indivíduo chega ao serviço e é acolhido por uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, assistentes sociais, médicos clínicos, psiquiatras e profissionais de enfermagem. É construído um plano individual de atendimento para cada caso”, explicou Lopes.

Um dos pacientes atendidos pelo programa, que pediu para não ser identificado, conta que só percebeu a dimensão do problema quando começou a recorrer a empréstimos para continuar apostando.

“Peguei dinheiro emprestado com um agiota, depois com outro e virou uma bola de neve. Só fui pedir ajuda quando já estava sendo ameaçado de morte. Em sete meses de tratamento, tive apenas uma recaída”, lembrou.

Segundo o vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo, José Luís Leal, o vício em jogos é reconhecido pela psiquiatria como uma doença. “É uma condição que altera o funcionamento do cérebro, da mesma forma que ocorre em outras dependências”.

Entre os principais sinais de alerta estão a incapacidade de interromper as apostas, a preocupação constante com o jogo, a tentativa de recuperar perdas apostando ainda mais dinheiro, o acúmulo de dívidas, além do afastamento da família, dos estudos e do trabalho.

Alta procura faz SUS ampliar atendimento a viciados

A alta procura por ajuda devido a problemas relacionados a jogos e apostas levou o Sistema Único de Saúde (SUS) a ampliar significativamente a oferta de atendimento especializado em saúde mental.

Desde a última terça-feira (04), o sistema passa a disponibilizar até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas que enfrentam compulsão por apostas e para seus familiares.

A medida representa uma expansão expressiva do serviço, que começou a funcionar em março com capacidade para apenas 600 atendimentos mensais.

O atendimento é realizado de forma remota, sigilosa e gratuita, oferecendo orientação, acompanhamento profissional e acolhimento para pessoas afetadas pelo vício em jogos e apostas.

O serviço também funciona como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), responsável pelo acompanhamento dos pacientes no SUS.

Durante agenda na Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a modalidade pode facilitar a busca por ajuda, especialmente entre pessoas que ainda enfrentam receio ou constrangimento para procurar atendimento presencial.

“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, afirmou o ministro.

O acesso ao serviço é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário para a plataforma da AgSUS, parceira da iniciativa.

Fique por dentro

Crescimento do problema

  • Segundo o psiquiatra José Luís Leal, houve um aumento expressivo da procura por ajuda devido às apostas online. A facilidade de acesso pelo celular contribuiu para a expansão do problema.

Prevalência

  • Entre a população geral, varia de 0,8% a 5%. Entre jogadores online ativos, varia de 2,7% a 11,1%.

Sinais de alerta

  • Quando o jogo compromete as finanças, os relacionamentos ou a saúde e a pessoa não consegue parar sozinha.

Tratamento gratuito pelo SUS

  • O atendimento começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que fazem acolhimento, avaliação e encaminhamento dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Outras opções gratuitas

  • Centros de Atenção Psicossocial (Caps), grupos dos Jogadores Anônimos (JA) e clínicas-escola de faculdades de Psicologia.

Rede Abraço

  • Desde janeiro, oferece atendimento específico para compulsão por jogos digitais e apostas esportivas. O serviço é gratuito e não exige encaminhamento ou agendamento prévio.
  • 465 atendimentos relacionados a apostas online foram realizados. Perfil dos atendidos: 71% homens. A maioria tem entre 25 e 34 anos.

=

Mais Lidas

Ver tudo ›