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“Eu entreguei meu filho”, diz mãe após saber que jovem matou e esquartejou a nora

Felipe Inácio, de 19 anos, confessou crime à genitora, que tomou a decisão de denunciá-lo à polícia

“Eu entreguei meu filho”, diz mãe após saber que jovem matou e esquartejou a nora
- Mãe conversou com o repórter Carlos Simões e chorou duas vezes
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informações de Carlos Simões



“Eu entreguei meu filho porque eu não esperei nunca uma situação dessa na vida dele, nem na minha. Nunca passei nada dessas coisas, não. Nunca tive maldade nenhuma, eu nunca vi maldade nele”. O desabafo é de uma mãe de 46 anos que, diante do horror, escolheu a justiça. Após ouvir do filho, Felipe Inácio Martins da Silva, de 19 anos, que ele havia matado a companheira, Maysa Emilly Juliana da Silva, de 18, ela tomou a decisão de levá-lo à polícia.

O crime, ocorrido na quarta-feira (8) em Jaboatão dos Guararapes, só foi revelado após a insistência da mulher, que estranhou o desaparecimento da nora. Em entrevista exclusiva à TV Tribuna PE/Band, ela descreveu o momento da confissão.



A convivência com o corpo e o planejamento do novo crime

O relato dos fatos expõe uma frieza que chocou os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Após asfixiar Maysa por uma suspeita infundada de traição, Felipe dormiu ao lado do cadáver. No dia seguinte, utilizou um machado para desmembrar o corpo, separando cabeça e membros, que foram colocados em malas e transportados em um carrinho de mão para uma área de mata próxima à UPA do Curado II.

A denúncia feita pela mãe pode ter evitado uma segunda morte. Segundo o delegado Sérgio Ricardo, o jovem planejava assassinar um vizinho, a quem atribuía o suposto caso com Maysa. “Ele demonstrou muita frieza. As investigações continuam para apurar se houve vilipêndio a cadáver, caso se confirme o abuso sexual após a morte”, explicou o delegado.



Análise: o aviltamento do corpo e a cultura da posse

O crime reflete uma patologia social de domínio sobre o corpo feminino que ultrapassa a morte. Sociologicamente, o ato de esquartejar e a possível violência sexual necrofílica indicam que o agressor não reconhece a subjetividade da mulher, tratando-a como objeto de posse absoluta. Enquanto mulheres de gerações passadas silenciaram diante de traições reais para manter casamentos, a mera imaginação de uma conduta independente da mulher desperta em homens, inclusive os mais jovens, um ímpeto de destruição física e moral.

Rigor na legislação

Felipe Inácio foi autuado por feminicídio e ocultação de cadáver. Sob a nova Lei 14.994/2024, ele enfrenta uma pena que pode chegar a 46 anos de reclusão. As novas regras são rígidas: o condenado não tem direito a livramento condicional e precisa cumprir pelo menos 55% da pena (cerca de 22 anos, se condenado ao teto) em regime fechado antes de qualquer progressão.

Veja o início de tudoJovem de 19 anos é morta e esquartejada em Jaboatão; companheiro é preso

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