O Hospital da Restauração confirmou, nesta sexta-feira (17), o que o estrondo das vigas de concreto já havia anunciado na madrugada anterior: José Galdino da Silva, de 72 anos, perdeu a luta pela vida. O idoso, que foi resgatado por vizinhos e bombeiros após o desabamento de um triplex em Jardim Atlântico, Olinda, faleceu devido à gravidade das lesões. Ele dormia no primeiro pavimento do imóvel quando a estrutura, já sentenciada pela engenharia, cedeu sobre seu corpo.
O imóvel, localizado na Rua Ayrton Senna do Brasil, era uma armadilha documentada. Desde 2023, a Defesa Civil de Olinda havia interditado o local por risco de colapso, tendo colocado sinalização.
A Prefeitura de Olinda lamentou a morte do idoso e informou, por meio de nota, que disponibilizará auxílio-funeral aos familiares. O governo municipal destacou que vem atuando “forma firme junto ao Poder Judiciário para que proprietários de imóveis com risco estrutural realizem, com a maior brevidade possível, as demolições necessárias, prevenindo ocorrências semelhantes”.
A nota continua, em outro trecho: “A administração destaca ainda que o município dispõe de uma rede de acolhimento para pessoas em situação de rua, com estrutura de atendimento e proteção, buscando evitar a ocupação de imóveis interditados”.
O desespero
Por volta das 2h da manhã, o imóvel desabafou, depois de dias de chuva pesada. José Galdino estava no primeiro piso do imóvel e um material, que aparentava ser de plástico, o cobriu. Cinco viaturas do Corpo de Bombeiros foram enviadas ao local, naquele momento. Ele foi retirado dos escombros e recebeu os primeiros socorros do Samu, antes de ser levado ao HR.
A cena do resgate revelou a precariedade: o idoso vivia em um local onde a morte já estava escrita em laudos técnicos colados nas paredes externas. José Galdino utilizava a estrutura condenada como refúgio contra a falta de moradia. Não se sabe se não quis ir ou não encontrou abrigo seguro.
O perigo da ocupação de risco
A morte de José Galdino levanta um alerta urgente sobre o perigo de ocupar imóveis com estrutura comprometida. No Grande Recife, o déficit habitacional, transtornos mentais e dependência química empurram centenas de pessoas para prédios “caixão” e imóveis condenados, onde a interdição da Defesa Civil é ignorada pela necessidade de um teto.
Especialistas e autoridades reforçam que uma interdição não é apenas uma burocracia, mas um aviso de morte iminente. Estruturas como a de Jardim Atlântico sofrem fadiga de material e podem colapsar sem aviso prévio, especialmente após períodos de chuva ou por falta de manutenção básica.