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LITERATURA & ARTE

Roberta Guimarães lança livro e exposição “Árvore da Palavra” no Recife

Obra da fotógrafa une registros de árvores sagradas de Pernambuco e da África. Lançamento ocorre neste sábado (11), no Museu do Estado

Roberta Guimarães lança livro e exposição “Árvore da Palavra” no Recife
- Fotógrafa Roberta Guimarães

Última atualização



Ao longo da história, a natureza mantém uma forte relação com o espiritual, o sagrado e as vivências comunitárias. Árvores ancestrais carregam essa força, no Brasil e na África, em caminhos permeados de afeto, amor, religiosidade e respeito.

A partir desse olhar, a fotógrafa pernambucana Roberta Guimarães desenvolveu o projeto “Árvore da Palavra”, com uma série de exposições fotográficas, oficinas, rodas de conversa, e agora, um livro que resgata todo esse trabalho de fotografia de natureza e cultura.

O livro “Árvore da Palavra” será lançado no sábado, dia 11 de abril, às 15h, no Museu do Estado, no Recife, seguindo-se da abertura da reedição da exposição fotográfica no Recife, no Espaço Cícero Dias, com as imagens que deram origem à publicação. A mostra fica aberta ao público até o dia 03 de maio. A curadoria do projeto é da pesquisadora Joana D’Arc Lima.



Com mais de 90 páginas a obra é bilíngue e, em quatro pilares editoriais – Tradição e Resistência; em nome da floresta em pé; Iroko – morada dos ancestrais; e O sagrado e os encantados, – apresenta o caminhar do projeto, com informações sobre a sua concepção e execução, bem como uma entrevista especial que a curadora Joana D’arc Lima fez com a fotógrafa Roberta Guimarães neste importante lançamento de livro em Pernambuco.

Do Sertão ao Senegal



O início do projeto se deu em 2018, quando a fotógrafa começou a ter contato com autores como Antônio Bispo dos Santos e Stefano Mancuso, Davi Kopenawa, Ailton Krenak e Bell Hooks, que tratam da questão ambiental conectada às relações espirituais em várias comunidades.

A partir daí, passou a fazer o registro de árvores centenárias – na Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco, em espaços usados para rituais, momentos de convivência ou celebrações de ancestralidade.

Dois anos depois, esteve em três países africanos – Senegal, Benin e Nigéria – com o mesmo desafio: fazer imagens em um cenário de grande riqueza cultural e visual, registrando entidades sagradas na tradição cosmológica dos diversos povos africanos, as árvores.

O resultado dessa investigação – com imagens exclusivas de Baobás, Irokos (gameleira branca), Umbuzeiros, Castanheiras do Maranhão e Sumaúmas, símbolos sacros seculares, no Brasil e África – deu origem a exposição itinerante “Árvore da Palavra”. 

Exposição já passou, em Pernambuco, pelo Quilombo Curiquinha dos Negros, em Brejão/Garanhuns (Agreste), em Afogados da Ingazeira (Sertão do Pajeú) e, no Recife, na Arte Plural Galeria (APG). Em cada parada, foram realizadas sessões de bate-papo com a artista e oficinas de formação em antotipia e fitotipia.

O respeito

Para Roberta, compartilhar a jornada com o público é um compromisso de respeito à natureza e à ancestralidade.



O encontro no museu

Para a pesquisadora Joana D’Arc Lima, curadora das exposições do projeto e autora do texto de apresentação do livro, o trabalho mostrou, também, que cada vez mais, o ser árvore se impõe para lembrar aos humanos que também são natureza. “Entre a tradição e as novas apropriações, estas árvores resistem como história e como memória”.

Ela destaca, ainda, que com o avanço da tecnologia, em especial das redes sociais e de informação, as conversas presenciais passaram a não ser prioridade, os encontros físicos diminuíram, e os espaços de convivência estão cada vez mais esquecidos. “Com esse projeto, tentamos mostrar que há sim maneiras e práticas de narrar, de se encontrar, de viver, que permanecem na contemporaneidade, afinal, somos natureza e necessitamos das relações”, completa.

Serviço:

Lançamento do livro “Árvore da Palavra”, da fotógrafa Roberta Guimarães + Exposição fotográfica

Local: Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960 – Graças)

Data: abertura no sábado, dia 11 de abril, às 15h

Acesso: gratuito até o dia 03 de maio

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