O prefeito do Recife, João Campos (PSB), antecipou o lançamento de sua pré-candidatura ao governo de Pernambuco nesta sexta-feira (20). Anunciou a chapa completa, composta pelo advogado e economista Carlos Costa (Republicanos) como postulante à vice, e pelos candidatos ao Senado, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), que perdeu a eleição na disputa para o governo em 2022 para Raquel Lyra (PSD).
Humberto Costa, no entanto, não compareceu, tal como o presidente estadual do partido, Carlos Veras, uma vez que a legenda petista está ainda no meio de suas plenárias regionais.
“O caminho mais natural do PT é apoiar o PSB até pela relação histórica do PT com o PSB, mas o partido tem um tempo para as suas deliberações”, afirmou Humberto. O senador está em viagem de três dias pelo interior de Pernambuco, onde pretende visitar nove municípios.
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João Campos, por sua vez, afirmou: “O PT tem um rito interno, democrático, que vai acontecer e que já tem reunião convocada para o dia 28. A gente está aqui hoje cumprindo um rito do PSB, do PDT, e do Republicanos”, afirmou João Campos, agradencendo a presença de outras lideranças petitas no evento.
Estou pronto para ser governador de Pernambuco
A antecipação veio em meio às articulações da governadora Raquel Lyra para levar Marília Arraes para sua chapa e, ao mesmo tempo, afastar-se do Partido Progressista, cujo maior representante é Eduardo da Fonte. Nos bastidores, queriam empurrar Da Fonte como candidato a senador na chapa de João Campos. Não deu certo.
O evento ocorreu no Hotel Luzeiro, no Pina, Zona Sul do Recife. As lideranças políticas começaram a chegar ao local pouco antes das 12h e o lançamento está em andamento. O prefeito já havia falado sobre o assunto pelas redes sociais nesta última quinta-feira (19), relembrando, mais uma vez, a trajetória do seu pai, Eduardo Campos (então PSB), que faleceu em 2014. Destacou, inclusive, uma frase dita por Eduardo no último debate como candidato a presidente, antes do acidente de avião que tirou sua vida: “não vamos desistir do Brasil”.
A sucessão no Recife e o legado de João Campos
João Campos deve deixar a prefeitura no próximo dia 2 de abril, antes do feriado da Páscoa. Seu sucessor na prefeitura será o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB), que vai passar por um teste de fogo, sem nunca ter sido político. Pelos relatos da história que vêm desde a época dos reis, são nesses momentos de transição que os adversários mais atacam e Victor precisa estar preparado.
O atual prefeito, no entanto, confia no que já deixou como marcas: aberturas de creches, transformação de parques como espaços abertos para pessoas que vivem em lugares minúsculos, recuperação de ruas e realização de encostas em lugares vulneráveis, com espaços de convivência para as famílias e as crianças brincarem.
“Eu aceito esse desafio, que serei candidato a governador de Pernambuco, vamos montar a maior frente política dessas eleições e venceremos essas eleições com a confiança do povo”, prometeu.
Virada para a esquerda e o cenário nacional
Embora pertença ao campo da centro-esquerda e sempre tenha sido citado por sua discrição em defesa de pautas nacionais polêmicas do lado progressista, João Campos fechou uma chapa ligada totalmente à esquerda.
Tal decisão pode ter desdobramentos políticos futuros, em meio a uma disputa polarizada, onde a extrema direita tem ganhado a narrativa, apesar dos números positivos do governo Lula. João Campos, no entanto, assumiu o risco. Tem dados para apresentar da sua gestão e munição contra Raquel que já começou a apresentar.
Lula, até então, não decidiu se terá dois palanques no estado, por sua relação institucional com Raquel Lyra, deixando claro, no entanto, que Raquel não apoiou a campanha do petista em 2022, ficou em campo “neutro” e com vários nomes da extrema direita ao seu lado.
Acordos de última hora: o recuo de Silvio Costa Filho
Embora tenha dito várias vezes que seria candidato a senador, as condições mudaram. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), decidiu abrir mão da disputa por alguns motivos, entre eles, não estar pontuando como precisava para a disputa. No início, a contragosto, Silvinho chegou a cogitar concorrer ao lado de Raquel Lyra (PSD), junto com Marília Arraes.
Mas houve reviravolta. O anúncio ocorre após o prefeito do Recife selar o acordo que inclui Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) como os nomes da Frente Popular para a Câmara Alta.
Mudança de rota e o novo desenho da chapa
A decisão de Silvio foi articulada em Brasília, após diálogos com Lula e a cúpula do Republicanos. Com a saída do ministro da disputa majoritária, que tem uma habilidade política de dar inveja aos adversários, o caminho ficou livre para a entrada de Marília Arraes, recentemente filiada ao PDT.
Em contrapartida, o advogado Carlos Costa, irmão do ministro, foi inserido na chapa de João Campos como pré-candidato a vice-governador, garantindo a presença do grupo político na composição principal. Carlos Costa vinha andando pelo estado como candidato federal, na cola da popularidade de Silvinho, o que também pode ajudar na reeleição do irmão para a Câmara Federal.
Fortalecimento da bancada federal
Agora, Silvio Costa Filho volta suas atenções para a renovação do mandato como deputado federal. A estratégia do Republicanos é que o ministro atue como um “puxador de votos” para ampliar a bancada do partido na Câmara dos Deputados, mirando a eleição de até quatro parlamentares pela sigla. No plano de fundo das negociações, especula-se ainda uma movimentação que envolveria a senadora Teresa Leitão (PT) assumindo um ministério, o que abriria espaço para o suplente Silvio Costa (PT), pai do ministro, retornar ao Senado.