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Linhares

Turismo fortalece cidades afetadas por desastre da barragem de Mariana

Dez anos após o rompimento da barragem de Mariana (MG), municípios como Linhares e Colatina escrevem nova história

Turismo fortalece cidades afetadas por desastre da barragem de Mariana
- Lagoa Juparanã, a maior em volume de água doce do Brasil, é um dos atrativos que fortalecem o turismo em Linhares, uma das cidades capixabas afetadas pelo desastre ambiental de Mariana (MG)
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Kamila Rangel

Apresentadora do Programa Caçadores de Destinos, que vai ao ar na TV Tribuna / Band, e escreve as reportagens do Caçadores de Destinos no jornal A Tribuna e no portal Tribuna Online

Última atualização



Há pouco mais de dez anos, em novembro de 2015, o Espírito Santo viveu um dos momentos mais difíceis da sua história. A lama do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), percorreu centenas de quilômetros pelo Rio Doce e impactou diversas cidades capixabas, entre elas Linhares e Colatina.

O comércio caiu, a pesca parou, e o turismo praticamente desapareceu. Hoje, uma década depois, uma nova história começa a ser escrita, e o turismo tem se consolidado como mola propulsora para fortalecer a economia e elevar a autoestima das comunidades afetadas pelo desastre ambiental.

No ponto onde o rio encontra o mar, no litoral Norte, o cenário é de retomada. Em Linhares, destinos como os distritos de Regência e Povoação, famosos pela conexão com a natureza, e as dezenas de lagoas, como a Juparanã, considerada a maior lagoa do Brasil em volume de água doce, voltam a atrair visitantes em busca de lazer.



Em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, o calor dá uma trégua na região de São Pedro Frio, chamada de Suíça Colatinense, e as temperaturas amenas, aliadas às belas paisagens, chamam atenção dos turistas. Outros atrativos, como o Cristo Redentor e o bucólico distrito de Itapina, fortalecem o potencial turístico da cidade.

Nesse cenário de reconstrução, em um momento de enxergar forças e oportunidades, foi criada a Secretaria de Recuperação do Rio Doce, responsável por ações que buscam reparar os danos causados pelo desastre.

Entre os investimentos que refletem no turismo das duas cidades, está a segunda etapa das obras de pavimentação da estrada que liga a BR-259 à região de São Pedro Frio, em Colatina, com aporte de R$ 30,9 milhões; e a pavimentação da rodovia ES-010, no trecho que liga Vila do Riacho, em Aracruz, a Regência, em Linhares. O mesmo está sendo feito na ligação entre o centro de Linhares e Povoação. Em Regência, serão investidos

R$ 4,5 milhões na reforma do antigo porto, que dará lugar a um espaço de convivência, com áreas de descanso e academia ao ar livre.

“As cidades da Bacia do Rio Doce e do Litoral Norte capixaba ainda sofrem as consequências sociais, econômicas e ambientais do rompimento. Com os recursos da Secretaria de Recuperação do Rio Doce, o governo do Estado está realizando obras que beneficiam moradores, comerciantes, agricultores, pescadores, indígenas, quilombolas, turistas e visitantes”, afirma o secretário Guerino Balestrassi.

“O fortalecimento da identidade regional com desenvolvimento sustentável do turismo é um dos caminhos para a recuperação das comunidades atingidas no Espírito Santo”, completou.

Empreendedores estão otimistas



São Pedro Frio, em Colatina, foi contemplada com o asfaltamento da estrada que liga a BR-259 à região. A primeira etapa, já pronta, foi feita pelo governo do Espírito Santo, e a segunda etapa da obra, prestes a ser iniciada, terá recursos da Secretaria de Recuperação do Rio Doce.

Os investimentos, além de facilitarem a vida da população local, melhoram o acesso dos turistas, e isso tem deixado os empreendedores otimistas. Luciene Goldner Bessigo comanda o Sabores da Serra, onde, além de servir almoço nos fins de semana, comercializa geleias de frutas, licores, bolos, doces, pães e biscoitos caseiros feitos por ela, com ingredientes colhidos na propriedade da família.

Com o acesso facilitado, ela acredita que o fluxo de visitantes vai aumentar. “Estou confiante que a terceira etapa do asfalto também será feita”, comenta. Para experimentar as delícias que ela produz e almoçar por lá, é só agendar pelo telefone (27) 99955-1751.

Sensação de retomada



O desastre ambiental de Mariana, ocorrido em novembro de 2015, teve um efeito cascata, afetando diversos segmentos da economia. O impacto na geração de renda de muitas famílias prejudicou o comércio de maneira geral, mas a lama no Rio Doce significou restrições específicas a empreendimentos gastronômicos, como conta a empresária Marilda Brasil, proprietária do restaurante Marilda Brasil, no centro de Linhares.

“As moquecas são a nossa especialidade, e os clientes não queriam comer, mesmo depois de explicarmos que buscávamos peixes em outras cidades”. A boa notícia é que, dez anos depois, o cenário é outro. “Com o tempo, as coisas foram melhorando. Hoje, percebemos um momento de retomada, uma nova história sendo escrita”, diz.



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