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Golpe na fé: pastor é acusado de desviar economias de fiéis de igreja no Recife

Vítimas, que frequentavam a Ministério Atos, no bairro de Areias, relatam promessas de lucros de até 130% em investimentos falsos

Golpe na fé: pastor é acusado de desviar economias de fiéis de igreja no Recife
- Uma das vítimas entregou mais de R$ 30 mil ao pastor sobre a promessa de que ela receberia mais do que o dobro na devolução

Última atualização


A Polícia Civil de Pernambuco investiga o pastor Samuel Gomes, do Ministério Atos, por estelionato contra membros da própria congregação na comunidade Chico Mendes, em Areias, bairro do Recife. O líder religioso é acusado de captar dinheiro de fiéis sob o pretexto de investimentos em bolsas de valores e ouro, prometendo retornos como R$ 70 mil para quem aplicasse R$ 30 mil. O esquema contava com o suporte de Esdras José da Silva, que se apresentava como advogado e gerente financeiro, mas possui histórico criminal em diversos estados.

O altar do prejuízo

O contato com as vítimas ocorria após os cultos. Um casal, que havia acabado de relatar um “testemunho de graça”, foi abordado pelo pastor com a proposta de investimento. A mulher, que deu entrevista usando um capuz cinza para esconder o rosto por medo e vergonha, relatou que o pastor usou o prestígio do cargo para convencê-los.

“Ele dizia: fique de boca fechada para não perder a bênção”, contou a vítima. Após depositar mais de R$ 30 mil em uma empresa de investimentos em Boa Viagem, o casal descobriu que os documentos entregues pelo pastor eram falsos.

Vítimas em desespero

O cenário das denúncias é marcado pelo abalo emocional. Uma segunda mulher prestou depoimento completamente coberta por uma toalha rosa. Entre soluços e voz embargada, ela detalhou como entregou as economias da família. Viúva há 18 anos, ela pretendia abrir uma loja de moda cristã para o filho.

O pastor teria usado a condição de vulnerabilidade da fiel para atrair o capital. “Ele disse que estava designado a cuidar dos órfãos e das viúvas”, relembrou. A mulher investiu valores do cartão de crédito, empréstimos de familiares e o saldo do filho, totalizando um prejuízo que a deixou com o nome negativado.

O suposto intermediário

As investigações na Delegacia de Afogados identificaram Esdras José da Silva como o braço operacional do esquema. Apresentado pelo pastor como advogado responsável por uma empresa, de nome ainda não divulgado. Esdras não possui registro profissional e é descrito pela polícia como um estelionatário com histórico de crimes fora de Pernambuco.

O outro lado

Procurado pela reportagem, o pastor Samuel Gomes se recusou a gravar entrevista, escondendo-se em um quarto na casa de familiares. Sem apresentar comprovantes dos juros ou o paradeiro do dinheiro, alegou que as vítimas “estão apressadas” e que o retorno dos valores depende de problemas no sistema da plataforma de investimentos. A Polícia Civil continua colhendo depoimentos e já emitiu intimações para os envolvidos.

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