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Polícia

Mais de 60 mil adolescentes são vítimas de violência na internet

Projeção baseada em dados do IBGE e do Unicef aponta a dimensão do assédio em redes sociais e jogos on-line no Espírito Santo

Mais de 60 mil adolescentes são vítimas de violência na internet
- Ambiente virtual tem sido nocivo para crianças e adolescentes, que ficam expostas a casos de assédio e abusos
Foto de perfil de Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização


Mais de 60 mil adolescentes foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados pela internet no Espírito Santo.

Segundo as Projeções de População do IBGE 2026, o Espírito Santo tem 329.711 adolescentes entre 12 e 17 anos. Desse total, 92% usam a internet, conforme revelou a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025.

Considerando que 20% dos adolescentes brasileiros que usam a internet relataram ter sido vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados por tecnologia, segundo o relatório do Unicef, esse percentual representa 60.666 adolescentes capixabas.

O especialista em segurança pública e privada Emir Pinho observa que a maioria dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes é cometida por alguém que a vítima conhece, um fato que exige atenção às relações cotidianas e aos sinais sutis de manipulação.

“Ao mesmo tempo, o avanço das redes e dos jogos on-line abriu um novo campo de ação para predadores que, sem contato físico, conseguem isolar, manipular e aliciar múltiplas vítimas. É necessário conhecermos e explicarmos os perfis, do familiar ao virtual, e oferecer orientações práticas para reconhecimento, denúncia e prevenção”, afirma o especialista.

O titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Marcelo Cavalcanti, destaca que pais e responsáveis precisam monitorar o que crianças e adolescentes fazem na internet.

“É preciso saber com quem eles estão conversando, o que estão acessando e bloquear chats em jogos on-line, porque os criminosos usam a internet para enganar as crianças e os adolescentes. Eles se passam por pessoas da mesma idade para se aproximar dessas vítimas e cometer os abusos, exigindo fotos, vídeos e fazendo ameaças”, alertou o delegado.

O advogado criminalista e professor de Direito Penal Rivelino Amaral ressalta que as penas dos crimes cometidos no mundo virtual são aumentadas por conta do alcance, que é incalculável.

“É um erro achar que a internet é uma terra sem lei. A internet tem lei, e as pessoas que cometem crimes no meio digital são facilmente identificadas. Tanto é que existem inclusive delegacias especializadas em crimes virtuais que têm expertise para localizar esses criminosos em tempo recorde”.

Saiba Mais 

Perfis dos abusadores

Próximos: familiares como pai, tio, professor ou amigo da família.

Desconhecido: abordagem pública (raro e perigoso)

Digital: groomer, jovem predador ou rede organizada.

Novo cenário

O que mudou: a tecnologia não criou a violência, mas ampliou o alcance, a escala e a sofisticação dos predadores.

Plataformas aparentemente “infantis”, como jogos on-line, redes sociais e aplicativos de mensagens, passaram a ser locais de aliciamento, troca de material ilícito e sextorsão. Estudos e operações internacionais apontam crescimento expressivo de crimes de comunicação sexual com menores.

Onde é o novo ambiente de “caça às vítimas”?

Jogos online – Exemplo: Roblox, Free Fire, Fortnite

Redes sociais – Instagram, TikTok

Aplicativos de mensagens

Plataformas de streaming

Chats privados dentro de games

Perfis predominantes no ambiente digital

O groomer tecnológico: é um predador paciente, cria perfis falsos, finge ser jovem, estabelece vínculo emocional ao longo de semanas/meses; objetivo: obter imagens, encontros ou submissão.

O jovem predador digital: homens mais jovens (de 18 a 30 anos) familiarizados com linguagens e dinâmicas de jogos; podem minimizar a gravidade e escalonar a violência para “sextorsão”.

O abusador organizado/serial: redes, fóruns e grupos que compartilham material e orientações; usam VPNs, criptografia e técnicas para dificultar a investigação. Casos exemplares: plataformas de jogos, incluindo debates recentes sobre a segurança em Roblox, que já têm sido foco de reportagens sobre grooming e manipulação via chat e ambientes virtuais.

Sinais de alerta

Segredo ou medo de falar com familiares.

Conversas privadas noturnas e mudança de rotina.

Isolamento e afastamento de amigos e da rotina escolar.

Troca de fotos íntimas ou pedidos para “segurar” segredo.

O que fazer

Preserve provas (prints e arquivos)

Denuncie: em qualquer delegacia, na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) pelo telefone (27) 3132-1917, Disque 100, Disque-Denúncia 181.

Procure atendimento psicológico especializado.

Não exponha a vítima em redes sociais.

Prevenção

Supervisione contas e jogos; configure controles parentais.

Fale abertamente sobre limites e privacidade.

Ensine como bloquear e denunciar contatos suspeitos.


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