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Saúde

Uso de caneta para emagrecer pode aumentar as chances para engravidar

Especialistas alertam para aumento de gestações entre usuárias de remédios para obesidade e destacam cuidados com anticoncepcionais

Uso de caneta para emagrecer pode aumentar as chances para engravidar
- Métodos como DIU, implante, injetáveis, anel vaginal e adesivo não dependem da absorção intestinal e não sofrem esse impacto.
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Além da perda de peso, as medicações antiobesidade têm chamado atenção por outro motivo: o aumento de relatos de gravidez entre mulheres que utilizam métodos contraceptivos.

Segundo a ginecologista com atuação em reprodução humana assistida Isabela Rangel, medicamentos à base de GLP-1, como o Mounjaro, retardam o esvaziamento gástrico, o que pode alterar a absorção de anticoncepcionais orais. Além disso, efeitos como náuseas, vômitos e diarreia também podem comprometer sua eficácia.

“Métodos como DIU, implante, injetáveis, anel vaginal e adesivo não dependem da absorção intestinal e não sofrem esse impacto.”

A médica destaca ainda que a obesidade afeta a ovulação e reduz a fertilidade. Ao promover perda de peso e melhora da resistência à insulina, a medicação pode favorecer a regularidade menstrual e a ovulação, aumentando as chances de gravidez espontânea.

“Também pode melhorar as condições para tratamentos de fertilidade (FIV) e reduzir riscos metabólicos antes da gestação.”

Produtos mais baratos

Recentemente a patente da semaglutida expirou no Brasil. Agora, pacientes já aguardam a entrada de novos produtos, com valores mais acessíveis ao mercado. Mas, para que isso aconteça, a Anvisa precisa aprovar os pedidos em análise.

Segundo Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), a própria agência informou que havia oito processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo e outros nove aguardando início de análise técnica.

“Isso certamente pode ampliar a concorrência, aumentar a oferta e, com o tempo, contribuir para preços mais competitivos. Mas é um equívoco imaginar que a expiração de uma patente produza, automaticamente, uma explosão imediata de produtos baratos nas farmácias”, destaca.

De acordo com Mussolini, fabricar medicamentos dessa natureza não é simples. “Não basta conhecer a molécula. É preciso dominar processo produtivo, qualidade do insumo, estabilidade, dispositivo de aplicação, escala industrial, controle sanitário e rastreabilidade. Em medicamento injetável, qualquer improviso pode custar caro para o paciente”.

O executivo aponta ainda que a Anvisa vem adotando medidas para combater irregularidades na importação e manipulação desses produtos. “Justamente porque o crescimento da demanda também atrai oportunismo, produtos sem qualidade comprovada e práticas que colocam o paciente em risco”.



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