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Fisiculturista morreu de doença cardíaca, diz laudo

Documento aponta que Gabriel Ganley teve uma cardiomiopatia hipertrófica, que pode dificultar passagem do sangue pelo coração

Fisiculturista morreu de doença cardíaca, diz laudo
- Gabriel Ganley falava abertamente sobre o uso de hormônios anabolizantes para o ganho de massa muscular
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


O atestado de óbito do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, que morreu no último sábado (23), na Zona Leste de São Paulo, indica que a morte foi provocada por um problema no coração.

As circunstâncias da morte ainda são investigadas. O documento menciona morte súbita cardíaca devido ou como consequência de uma cardiomiopatia hipertrófica.

Doença do coração deixa músculo cardíaco anormalmente espesso. Esse espessamento pode dificultar a passagem do sangue, alterar os batimentos cardíacos e aumentar o risco de arritmias. Em muitos casos, a doença é hereditária.

Os sintomas mais comuns incluem: falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura, desmaios e cansaço. Ganley foi encontrado na cozinha por um amigo. A morte do influenciador fitness e fisiculturista reacendeu o debate sobre os riscos do uso de substâncias para ganho de massa muscular.

Apesar dele já ter relatado nas redes sociais usar insulina para aumentar a massa muscular, a endocrinologista Andréa Fioretti, coordenadora do Departamento de Endocrinologia do Esporte e Exercício da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explicou que o hormônio não provoca cardiomiopatia hipertrófica.

“A cardiomiopatia hipertrófica pode ser uma consequência do abuso de esteroides anabolizantes”, ressaltou.

Maria Amélia Julião, endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia no Estado, fala que o uso de anabolizantes causa também crescimento muscular cardíaco.

“Com isso, o coração fica mais rígido e consegue ejetar um menor volume cardíaco, além de ficar com seus estímulos elétricos desorganizados”.

Carreira

A carreira de Gabriel começou no Rio de Janeiro, onde ele treinava, fazia faculdade de Educação Física e gravava vídeos para as redes sociais. Os vídeos renderam um patrocínio e ainda a mudança para a capital paulista.

Ganley tinha 1,6 milhão de seguidores no Instagram e 1 milhão no TikTok. O influenciador compartilhava rotina de treinos e alimentação, com foco no fisiculturismo, e falava abertamente sobre o uso de hormônios anabolizantes. A morte gerou comoção de famosos nas redes sociais.

Saiba mais

Uso seguro

Especialistas alertam que não existe dose segura de anabolizantes quando usados para ganho de massa muscular e melhora de performance.

Risco de infarto e AVC

O uso dessas substâncias pode provocar aumento da espessura da parede do coração, exigindo maior esforço cardíaco e elevando o risco de infarto.

anabolizantes aumentam o número de células vermelhas do sangue, dificultando a circulação e favorecendo casos de trombose, derrames e acidentes vasculares cerebrais.

Danos ao cérebro

O uso contínuo de anabolizantes também está associado a alterações cerebrais, incluindo atrofia de áreas do cérebro e mudanças relacionadas ao comportamento e agressividade.

Sistema reprodutivo

Nos homens, os anabolizantes podem causar atrofia dos testículos, redução da produção natural de testosterona e ginecomastia, caracterizada pelo aumento das mamas.

Nas mulheres, efeitos incluem engrossamento da voz, aumento do clitóris e alterações menstruais.

Fígado comprometido

As substâncias podem provocar lesões hepáticas, aumento das enzimas do fígado e até formação de tumores. O uso prolongado eleva os riscos de danos permanentes ao órgão.

Alterações físicas

anabolizantes podem também causar acne intensa, aumento de pelos corporais e queda de cabelo.

Insulina como anabolizante pode matar

Embora indispensável no tratamento de diabetes, a insulina vem sendo usada de forma indevida por praticantes de musculação e fisiculturistas. O hormônio possui um efeito anabólico que ajuda no transporte de glicose para as células e favorece a síntese muscular. O problema é que o uso sem necessidade clínica e sem controle pode causar hipoglicemia severa.

A endocrinologista Andréa Fioretti alerta que o uso sem necessidade médica é muito perigoso. “A utilização com finalidade estética para ganho de massa e de performance é proibida”, ressalta.

Andréia explica que a insulina é um hormônio produzido no pâncreas que controla os níveis de glicose no sangue e faz o açúcar entrar na célula. “Assim, ou esse açúcar é usado na atividade física ou é depositado como glicogênio e impede a degradação da proteína. Então a proteína passa a ser usada não como fonte de energia, mas como produtora da síntese muscular”.

A endocrinologista Maria Amélia Julião associa o hormônio a uma “chave”. “Se uma pessoa que não tem diabetes toma insulina, ela coloca ‘chaves’ demais no organismo. Todo o açúcar do sangue entra de uma vez só nas células, deixando o cérebro e o resto do corpo sem combustível para funcionar”.

O principal risco é a hipoglicemia, quadro em que os níveis de açúcar no sangue caem rapidamente. “Na hipoglicemia leve, moderada ou nível 1, o corpo avisa que o açúcar caiu. A pessoa sente tontura, tremores, suor frio, batedeira no coração, fome excessiva e fraqueza. Na hipoglicemia severa ou nível 2 o cérebro começa a ‘desligar’ por falta de energia”.

A endocrinologista Gisele Dazzi, da Rede Meridional, explica que o organismo pode não conseguir reagir à queda brusca da glicose. “As pessoas podem ir a óbito se não houver tratamento emergencial”.

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