- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Saúde

“Por causa da dor, pedi a morte várias vezes”, diz psicanalista

Silvia Nicolau sofreu com dores intensas por mais de dois anos

“Por causa da dor, pedi a morte várias vezes”, diz psicanalista
-
Foto de perfil de Camila Lima

Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização



Foram mais de dois anos sofrendo com dores intensas, impedindo de fazer atividades simples, como limpar a casa, até que a psicanalista Silvia Nicolau, de 49 anos, recebeu o diagnóstico de fibromialgia. Hoje, com o tratamento correto, ela consegue novamente cuidar da casa, fazer atividade física e ainda brincar com os netos.

LEIA TAMBÉM: Mais de 12 mil pessoas no ES sofrem com a pior dor no mundo

– A Tribuna – Como os sintomas apareceram?

Silvia Nicolau – Foi em 2017 que comecei a ficar extremamente debilitada, de chorar quando tinha de limpar as vidraças, de precisar de ajuda para me vestir e tomar banho, de sentir dificuldade para me virar na cama. Um médico chegou a me dizer que tinha de me acostumar com a dor.

– Quando tudo mudou?

Encontrei um médico que me ouviu, se preocupou e fechou o diagnóstico. Hoje tenho uma vida normal. Tomo apenas um remédio para controle. Um dos maiores desafios que nós, pacientes, temos é a incompreensão. Não tenho receio de dizer que por causa da fibromialgia eu pedi a morte várias vezes de tanta dor que sentia. Cheguei a conclusão que não fazia sentido continuar vivendo sentindo tanta dor. Mas é algo que pode ser tratado.

SAIBA MAIS

Outras condições que causam dores intensas

Fibromialgia

> Uma das principais causas de dor crônica difusa no mundo. Além da dor muscular generalizada, os pacientes apresentam fadiga intensa, distúrbios do sono, alterações cognitivas (conhecidas como fibrofog), ansiedade, depressão e hipersensibilidade do sistema nervoso, conforme explica o médico especialista em dor crônica André Félix.

> Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 2,5% da população brasileira convive com a doença, mas até 75% dos casos permanecem sem diagnóstico.

Endometriose

> Afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das condições que mais causam dor intensa e, frequentemente, demora anos para ser identificada.

> A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, provocando cólicas menstruais incapacitantes, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais e até desconforto ao evacuar.

> Estudos internacionais, segundo o médico especialista em dor crônica André Félix, mostram que o atraso diagnóstico médio gira em torno de 6 a 10 anos, mesmo em sistemas de saúde com bom acesso.

Dores neuropáticas

> Dor crônica complexa, descrita como queimação, choques ou formigamento, causada por lesão ou doença no sistema nervoso (periférico ou central).

> Segundo o neurologista, anestesologista e especialista em dor crônica Ramon D’Angelo Dias, as dores neuropáticas são uma das mais difíceis e podem surgir como decorrência de causas metabólicas, como diabetes, hipotireoidismo, doenças autoimunes, ou ainda por deficiência de vitaminas, por exemplo, a vitamina B12. Também podem surgir pela reativação do herpes-zóster, que é um dos principais protótipos de dor neuropática localizada.

Cefaleias

> Existem mais de 160 tipos de dores de cabeça, destaca o neurologista e anestesologista e especialista em dor crônica Ramon D’Angelo Dias.

> Entre os tipos que mais causam dor está a cefaleia em salvas — considerada por muitos especialistas a dor mais intensa documentada em escalas — que provoca dores extremamente fortes ao redor de um dos olhos, além de sintomas como lacrimejamento, congestão nasal e agitação. As crises podem durar minutos ou horas e se repetir diversas vezes ao longo do dia durante semanas.

Lombalgia crônica

> Também aparece entre as condições mais incapacitantes do mundo. Muito comum, ela compromete atividades simples do cotidiano e reduz a capacidade produtiva do paciente. Pode estar relacionada a problemas musculares, desgaste na coluna e compressões nervosas.

Fonte: especialistas consultados.



Mais Lidas

Ver tudo ›