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Polícia

Operação com alvo no ES mira quadrilha transnacional de ‘sextorsão’; entenda crime

Grupo ameaçava divulgar material íntimo da vítima e, em dois meses, movimentou R$ 4 milhões

Operação com alvo no ES mira quadrilha transnacional de ‘sextorsão’; entenda crime
- Operação cumpre dez mandados em cinco estados brasileiros nesta quinta-feira (21)
Foto de perfil de Andressa Antunes

Andressa Antunes

Jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online. Possui experiência nas áreas de assessoria de imprensa, gestão estratégica de redes sociais, cobertura de eventos e produção de videocasts.

Última atualização



Uma operação da Polícia Civil do Paraná cumpre mandados em Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do Espírito Santo, nesta quinta-feira (21). De acordo com a corporação, o alvo é uma quadrilha transnacional especializada no crime de sextorção — caracterizado pela ameaça de se divulgar imagens íntimas para forçar alguém a fazer algo. 

A vítima é de Palmas, no sudoeste paranaense. No total, são cumpridos cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar. Além do Espírito Santo, os alvos são de Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB).

Entre os crimes investigados estão extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. Ainda segundo a corporação, a penas podem superar 20 anos de reclusão

Investigação

Diligências da Polícia Civil paranaense apontam que o crime começou a ser praticado no ano de 2024. Na ocasião, a vítima foi contatada por um perfil falso, em nome de “David Green”, em uma rede social.

O suspeito utilizava fotos de um terceiro, que já foram mapeadas como recorrentes em golpes internacionais, e apresentava-se falsamente como um médico oncologista em missão de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Síria. Durante o processo de manipulação emocional, ele prometia se casar com a vítima e conquistou sua confiança, a induzindo a compartilhar fotos e vídeos íntimos.

“Posteriormente, passou a solicitar valores sob diversos pretextos, incluindo supostas despesas com passagens aéreas, detenções e multas relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil”,  explicou Kelvin Bressan, delegado de polícia do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior.

Como ocorreu a extorsão

Ainda segundo a investigação, a sextorção teve início após a vítima demonstrar desconfiança e relatar dificuldades financeiras. Nesse momento, o investigado passou a ameaçar divulgar o material íntimo da vítima em redes sociais caso não recebesse novos pagamentos, exigindo a quantia de R$ 20 mil. Ao todo, a vítima teve o prejuízo de mais de R$ 60 mil.

Divisão de tarefas

As diligências ainda apontam que a organização possuiá uma divisão estruturada de tarefas. Veja o papel de cada um:

  • Núcleo estrangeiro: de caráter operacional, utilizava telefone com DDI da Nigéria (+234) e era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão das vítimas.
  • Núcelo nacional: voltado à lavagem de dinheiro, composto por operadores financeiros responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos que eram convertidos em criptoativos.

Movimentação milionária

A apuração identificou que, que em dois meses, foram movimentados quase R$ 4 milhões. Algumas das contas são citadas como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência, que, ainda segundo a polícia, foram registrados em diversos estados brasileiros. 

“Os dados bancários permitem estimar ao menos 20 vítimas do mesmo esquema criminoso, localizadas em diversos estados. A operação desta quinta-feira tem os objetivos de identificar os demais integrantes da rede criminosa, delimitar a extensão total dos golpes aplicados e buscar a reparação dos danos causados”, concluiu a Polícia Civil do Paraná, por nota.



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