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Saúde

Canetas para perder peso: médicos alertam para riscos de remédio ilegal

Médicas alertam para contaminação, dosagem incerta e efeitos graves; PRF relata aumento de apreensões no ES e nas estradas

Canetas para perder peso: médicos alertam para riscos de remédio ilegal
- Medicamentos apreendidos: produtos sem procedência conhecida podem estar contaminados ou adulterados
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização


Prometidas como solução rápida para emagrecer, as chamadas “canetas emagrecedoras” vendidas no mercado clandestino podem esconder riscos graves à saúde.

Médicos alertam que produtos sem procedência conhecida podem estar contaminados, adulterados ou até conter substâncias desconhecidas.

A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, afirmou que tem acompanhado com muita preocupação o uso indiscriminado desses medicamentos, não só por estarem sem acompanhamento médico, mas também pelo crescente aumento de seu mercado ilegal.

“Esses medicamentos não são – na grande maioria das vezes – somente o produto descrito. Além disso, não contêm a dose exata e podem ainda conter contaminantes como fungos e bactérias. Quando não corretamente armazenados, podem perder a estabilidade das moléculas, alterando sua eficácia”.

Ela destacou que reações gastrointestinais graves, pancreatite aguda, reações alérgicas, palpitações, hipoglicemia grave, insuficiência renal aguda, toxicidade hepática e abscessos são complicações descritas com essas substâncias.

A médica endocrinologista Gisele Dazzi Lorenzoni ressaltou que o principal problema dos medicamentos – como a tirzepatida – vendidos de forma ilegal é que não se sabe a real procedência deles.

“Não sabemos a procedência da matéria-prima, qual a pureza, qual concentração, como são armazenados. Não tem um controle estabelecido em cima dessas medicações. Existe, ainda, um risco de contaminação”.

Em relação à retatrutida, também encontrada nas apreensões, o problema é ainda mais grave. “Essa é uma substância que ainda nem está liberada para uso. Não foi aprovada por nenhuma agência regulatória de saúde no mundo, já que está em fase 3 de estudo. Nesse caso, não sabemos nem o que está sendo comercializado”.

Substâncias escondidas até em pneus e doces

O combate ao contrabando e à venda das chamadas “canetas emagrecedoras” ilegais – principalmente vindas do Paraguai – tem sido reforçado nas estradas do País. Há registros de apreensões até mesmo dentro de pneus de carro e junto a doces – o que acende o alerta para o armazenamento das substâncias durante o transporte.

No ano passado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu quase 300 ampolas de tirzepatida dentro do estepe de um veículo abordado.

No Espírito Santo, a PRF também vem realizando apreensões. Em janeiro, um motociclista abordado na BR-101, na Serra, foi flagrado com uma mochila contendo diversos medicamentos e substâncias de uso controlado e anabolizantes, entre eles frascos de tirzepatida, drostanolona, estanozolol e retatrutida.

O inspetor de comunicação da PRF, Wylis Lyra, explicou que o combate a esse tipo de crime tem sido feito com apoio da equipe de inteligência e integração entre forças de segurança de diferentes estados.

De acordo com Lyra, a preocupação das autoridades aumentou com o crescimento da procura pelas chamadas canetas emagrecedoras, comercializadas de forma clandestina.

“Antes você apreendia uma ou duas unidades. Agora as quantidades têm aumentado bastante”, destacou.

Ainda segundo o inspetor, o transporte irregular também agrava os riscos para os consumidores, já que muitos medicamentos precisam de armazenamento adequado, o que não acontece no contrabando.

Riscos 

Procedência desconhecida

  • Não há garantia sobre a origem da substância usada na fabricação nem sobre a qualidade da matéria-prima utilizada.
  • O produto pode não conter o medicamento anunciado ou trazer substâncias diferentes das informadas na embalagem.

Contaminação

  • Como não existe controle sanitário adequado, há risco de contaminação durante a fabricação, o armazenamento ou o transporte.

Dosagem incorreta

  • A concentração da medicação pode estar abaixo ou acima do indicada, aumentando o risco de ineficácia ou de reações graves.

Armazenamento inadequado

  • Muitas dessas canetas precisam de refrigeração e controle de temperatura. O transporte irregular pode comprometer a estabilidade da substância.

Efeitos colaterais intensos

  • Médicos relatam casos frequentes de náuseas, vômitos, mal-estar e desidratação.


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