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Saúde

Como a mudança no consumo da alimentação está afetando as famílias

Proteínas e alimentos in natura vêm ganhando espaço sobre carboidratos industriais no carrinho dos brasileiros, aponta pesquisa da Scanntech

Como a mudança no consumo da alimentação está afetando as famílias
- Nathalie Tristão e a filha Maria Cecília Delgado: alimentação saudável em família

Última atualização


Mais frutas, ovos e proteínas. Menos massa instantânea, bebidas alcoólicas e biscoitos. Dados de mercado apontam mudanças nas escolhas dos brasileiros dentro dos supermercados. A transformação no carrinho de compras produz reflexos na rotina e na saúde das famílias, segundo médicos.

Pesquisa da Scanntech indica a mudança nas compras. Trata-se de uma empresa de inteligência de dados e tecnologia especializada no varejo que analisou notas fiscais de 70% dos supermercados e atacarejos brasileiros de 2022 a 2025. Foram cerca de 15 bilhões de notas lidas.

Segundo Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da empresa, a análise mostrou uma mudança consistente no carrinho brasileiro. “Proteínas e alimentos in natura vêm avançando sobre carboidratos industriais. Isso está muito relacionado com a busca por uma alimentação que seja ao mesmo tempo mais prática, saudável e que caiba no orçamento”.

Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Julião explica que quando uma casa reduz os ultraprocessados e resgata os alimentos in natura, os efeitos ocorrem no corpo inteiro.

“Nas crianças, observamos uma melhora na atenção, no padrão de sono e no crescimento saudável, prevenindo a obesidade infantil. Nos adultos e idosos, há um controle muito mais efetivo da pressão arterial, dos níveis de açúcar no sangue e do colesterol”.

Ele explica que os benefícios costumam aparecer a curto e longo prazo. Os iniciais são ganho de energia e disposição ao longo do dia, assim como um funcionamento melhor do intestino.

“A longo prazo ocorre a prevenção e o melhor manejo de doenças crônicas graves, como o diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. É adicionar anos de vida com autonomia”.

Para a nutricionista Nathalie Tristão, a mudança na alimentação afeta toda a rotina da família, incluindo da filha Maria Cecília Delgado, de 8 anos. Ela sabe por experiência própria. “Alimentação influencia até comportamentos. Meu marido ficou menos nervoso, tem mais disposição. Minhas filhas melhoraram o foco, a interação entre nós ficou melhor”.

Ela conta que desde a adolescência teve cuidado com a alimentação. “Sempre cuido da nossa alimentação. Mas tive meus momentos de deslize devido ao doutorado. Retornamos a rotina há dois anos”.

O que mudou na alimentação

Mais frutas, legumes e proteínas in natura

Segundo dados da Scanntech, o consumidor brasileiro está comprando mais frutas in natura, um crescimento de 33,9% comparando o consumo de 2025 a 2022. No caso de legumes, o aumento foi de 17,3%. Queijos tiveram crescimento de 17,3%, enquanto ovos de 24,3%, liderando o segmento das proteínas dos perecíveis. Carne bovina cresceu 15,9% e frango, 15,4%.

Queda de alguns ultraprocessados

A Scanntech também identificou a redução da venda de massa instantânea (16,6%), açúcar (14,2%), hambúrguer (11,2%), suco pronto (11%), margarina (10,2%), biscoito (10,1%) e salsicha (7,4%). “A medida em que o consumidor migra para proteínas naturais, as versões industriais perdem espaço”, destaca Felipe Passarelli.

Água, refrigerante sem açucar e cerveja zero

A compra de água cresceu quase 60% e os isotônicos 40%, segundo dados da Scanntech. Por outro lado, há uma diminuição na compra de bebidas alcoólicas, com queda de 6,7%. Porém, a cerveja zero cresceu 27% e de baixa caloria 86%. Já refrigerante sem açucar cresceu 42%.

Mais equilíbrio, menos radicalismo

Apesar da busca por uma alimentação mais saudável, produtos como balas, pirulitos e goma de mascar registraram crescimento nas vendas. Para a Scanntech, isso mostra que ainda há espaço para tolerância e que o consumidor busca mais equilíbrio do que ruptura.

Os dados também indicam que os alimentos industrializados não foram abandonados, mas que os consumidores passaram a fazer escolhas mais seletivas, priorizando produtos com melhor perfil nutricional.

Praticidade e refeições prontas

As refeições prontas (feitas em rotisserias) mais que dobraram entre 2022 e 2025, com crescimento de 105,7%. Categorias como tortilhas e wraps avançaram 60,4%, e os pratos industrializados cresceram 20,4%.

Mais consciência das informações nutricionais

Outra mudança é que consumidores têm tido um interesse maior em ler rótulos dos alimentos.

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