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Saúde

Saúde e bem-estar: alimentação ainda está longe do ideal

Mesmo com avanços rumo ao in natura, dados mostram consumo elevado de ultraprocessados e baixa adesão a frutas e hortaliças

Saúde e bem-estar: alimentação ainda está longe do ideal
- Família mudou hábitos alimentares por causa de um lipedema.
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Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

Última atualização

Especialistas e dados de mercado identificam mudanças positivas na alimentação, como maior procura por alimentos naturais em contraponto aos ultraprocessados nos últimos anos.

Isso não significa, porém, que a alimentação da população brasileira esteja próxima do ideal. Especialistas apontam que o País ainda convive com um elevado consumo de ultraprocessados e uma ingestão insuficiente de frutas e hortaliças.

Isso é o que defende Danielle Cabrini, professora e pesquisadora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ela traz à atenção dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e do Vigitel.

“Elas mostram que aproximadamente 20% das calorias consumidas pelos brasileiros já são provenientes de alimentos ultraprocessados. Entre adolescentes, esse percentual chega a cerca de 27%”.

Além disso, aponta que o consumo de frutas e hortaliças “permanece abaixo do recomendado: em 2024, apenas cerca de 31% dos adultos relataram consumir esses alimentos regularmente”.

Ela explica que essas mudanças estão associadas a transformações na sociedade brasileira, como a intensa urbanização, as jornadas de trabalho mais extensas e exaustivas, a redução do tempo disponível para cozinhar, a expansão dos aplicativos de entrega, entre outras. As consequências vão além da saúde, aponta.

“Trata-se de uma mudança que afeta não apenas a qualidade nutricional da alimentação, mas também o patrimônio alimentar e cultural do País”, afirma.

Para a pesquisadora, reverter esse cenário passa por políticas públicas que criem “condições para que as escolhas saudáveis sejam também as escolhas mais acessíveis, disponíveis e valorizadas socialmente”.

Já a endocrinologista Maria Amélia Julião acredita que as pessoas estão buscando melhorar a forma de comer porque têm mais informação sobre o impacto dos ultraprocessados. “No entanto, precisamos ser realistas: a vida moderna dificulta muito essa transição”, diz.

Para a nutricionista Thamires Pralom, tudo isso é verdade. Os ultraprocessados ainda ocupam espaço significativo na alimentação por serem práticos, apesar de haver maior conscientização sobre a alimentação.

“O grande desafio hoje não é apenas informar, mas ajudar as pessoas a transformarem conhecimento em hábito”.

Novos hábitos por causa do lipedema

Bacharel em Direito, Patricia de Souza, 43, começou a mudar seus hábitos alimentares por causa do lipedema. Ela conta que isso afetou positivamente toda a família, o que inclui seu filho Gabriel de Souza, 20, e sua mãe, Maria Paula de Souza, 63.

Entre as coisas que cortaram da alimentação estão as frituras e os embutidos, conta Patricia. “Vários benefícios”, destaca.

“Cada pequena escolha certa já é uma vitória para a saúde”

Rápidos, acessíveis e práticos, os alimentos ultraprocessados ainda ocupam espaço importante na rotina das famílias. Por isso, modificar hábitos para incluir mais alimentos naturais continua sendo um desafio, reconhece a endocrinologista Maria Amélia Julião.

Ela afirma, porém, que com planejamento e uma rede de apoio é possível. Além disso, aponta que o importante é começar.

“Mudar é um processo, mas cada pequena escolha no supermercado já é uma grande vitória para a saúde da família”, diz.

A nutricionista Thamires Pralom orienta que o início pode ser feito com pequenas atitudes, como priorizar alimentos in natura e aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras. Organizar as refeições e reduzir gradualmente os ultraprocessados, também trazem benefícios.

“Outro ponto fundamental é que a mudança aconteça de forma coletiva. Quando toda a família participa, o processo se torna mais fácil e duradouro, especialmente para as crianças, que aprendem pelo exemplo. Envolver os filhos na escolha e no preparo dos alimentos também ajuda a construir uma relação mais positiva com a alimentação”, destaca.

Equilíbrio e liberdade de escolhas

A mãe de Eveline Soares, 45 anos, se dedicava integralmente à casa. Eveline conta que foi ela quem lhe ensinou sobre alimentação saudável. “Fazia até molho de tomate caseiro”.

Porém, a dona de uma loja de produtos naturais conta que a rotina corrida não permite fazer igual à mãe.

Isso não significa que não cuide da alimentação. A profissão, diz, lhe reforçou os benefícios trazidos por alimentos naturais. O que aprendeu, ensinou às filhas Maria Eduarda, 24, Maria Carolina, 17, e Maria Luiza, 10. “Acredito no equilíbrio. Ensino minhas filhas, mas deixo que façam suas escolhas”.

Mudança após alergia

“Diminuímos bastante o consumo de queijo, fritura e cerveja. Aumentamos o de verdura”, conta Cristiane Spinassé, 44. Ela explica que a mudança de hábitos alimentares da família aconteceu a partir de uma alergia na pele que o marido, Giovani Vieira, 45, descobriu há dois anos.

“Acho que influencia toda a família”, diz, Cristiane, que é mãe de Miguel Spinassé, 9 anos.

Mais energia

Quando Gleicyene Silva, 40, mudou a alimentação, isso transformou sua vida e a dos quatro filhos. Tudo começou quando fez uma bariátrica. “Eu tive que cortar óleo, fritura, fazer mais cozido. Eles acabaram indo na mesma onda que eu. Hoje a gente não come massa instantânea nem enlatado”.

Ela conta que a mudança na alimentação, combinada com os exercícios físicos, transformou “drasticamente” sua vida. Entre os benefícios estão maior disposição, mais energia e autoestima elevada.

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