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Internacional

Menino de 3 anos morre em carro em dia de recorde de calor na França

Desde a semana passada, já houve ao menos 49 mortes associadas às altas temperaturas no país, a maioria por afogamento

Menino de 3 anos morre em carro em dia de recorde de calor na França
- Pessoas se refrescam na fonte do Trocadéro, perto da Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, na França
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Agência Folhapress

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Em meio a onda de calor, um menino de três anos morreu na tarde de quarta-feira (24) em um carro na localidade de Saint-Gratien, ao noroeste de Paris, segundo informações obtidas pela AFP. Ele estava sozinho no veículo.

A França é um dos países europeus atingidos pela segunda onda de calor em menos de um mês. Só nesta quinta-feira (25), pelo menos 101 milhões de pessoas no continente devem enfrentar temperaturas acima de 35°C, entre as quais 50 milhões no território francês e 18 milhões no alemão, de acordo com cálculos da AFP.

A onda de calor é “o mais recente preço a pagar pela poluição dos combustíveis fósseis que está assando nosso planeta”, disse o chefe de clima da ONU, Simon Stiell.

“Até que a humanidade pare de queimar quantidades colossais de carvão, petróleo e gás, o calor extremo continuará piorando”, afirmou Stiell em um comunicado.

Na França, desde a semana passada, já houve ao menos 49 mortes associadas às altas temperaturas, a maioria por afogamento. A mais recente foi a do menino de três anos.

Os pais do menino o encontraram no veículo estacionado diante da residência da família. Os bombeiros confirmaram o óbito, que aconteceu em um dia de alerta vermelho para o calor extremo na capital e em grande parte do país.

A Promotoria de Pontoise disse à AFP que, quando as equipes de emergência chegaram ao local, assumiram o lugar dos pais da criança, que tentavam reanimar o menino, mas não tiveram sucesso.

Segundo as primeiras informações, o menino, a quem o pai havia pedido que tirasse uma soneca, escapou da vigilância dos pais por pelo menos 45 minutos e se trancou no carro, onde ficou preso.

Na segunda-feira, dois irmãos, de 2 e 4 anos, também foram encontrados sem vida dentro do carro da família, estacionado em uma área residencial de Carpentras, no sudeste francês.

Na quarta-feira, o país viveu seu dia mais quente já registrado, superando o recorde da véspera, com uma temperatura média nacional provisoriamente estabelecida em 30ºC.

Também bateu novamente o recorde da noite mais quente já registrada, com uma média de 22°C, segundo o serviço meteorológico Météo France nesta quinta-feira (25).

Esta segunda onda de calor em menos de um mês lembra a de 2003, que causou quase 15 mil mortes em todo o país. Ainda não se sabe ao certo quantas pessoas morreram na França desde a semana passada devido ao calor.

O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, relatou um “aumento da mortalidade” na capital, porém não divulgou números. Ele disse a uma TV local que “praticamente todos os nossos indicadores estão em estado crítico”, incluindo chamadas para serviços médicos de emergência, chamadas para os bombeiros, internações em pronto-socorro e óbitos.

Em Paris, foram registradas 25 paradas cardíacas na quarta-feira, em comparação com “menos de dez normalmente”, segundo a ministra da Saúde, Stéphanie Rist.

O calor extremo também levou ao desligamento de 3 dos 57 reatores nucleares ativos na França, dois deles nesta quinta-feira, devido ao aquecimento da água de rios usada para resfriá-los, de acordo com a empresa nacional de eletricidade EDF.

MORTES EM OUTROS PAÍSES

Desde o final da semana passada, mais de 20 pessoas em toda a Alemanha perderam a vida em acidentes relacionados a afogamentos, segundo a Associação Alemã de Salvamento Aquático em comunicado à Reuters.

Na Itália, a mídia reportou que cinco pessoas morreram nesta quarta-feira devido a incidentes relacionados ao calor.

A onda de calor, que deve atingir seu pico nos próximos três dias, pode pôr em risco a saúde de até 1,5 milhão de trabalhadores italianos, incluindo operários da construção civil, agricultores e entregadores, apontam estimativas do sindicato italiano CGIL e do Greenpeace Itália.

Diversas regiões proibiram o trabalho ao ar livre durante os horários mais quentes do dia, e o governo anunciou nesta semana que empresas obrigadas a interromper as atividades devido ao calor poderão acessar fundos para funcionários em licença remunerada.

Na Espanha, pelo menos 212 mortes registradas entre domingo (21) e esta quarta-feira podem estar ligadas à onda de calor, afirmou o Instituto de Saúde Carlos 3º, de Madri.



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