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OPINIÃO ECONÔMICA

Guerra comercial não é provável

Apesar da ameaça de tarifas dos EUA, especialistas veem espaço para negociação antes da decisão final prevista para julho

Guerra comercial não é provável
- Daniel Carvalho é coordenador dos cursos de Relações Internacionais e Comércio Exterior da UVV

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Para falarmos dos impactos, primeiro acho importante pensar que ainda há uma chance, embora remota, de reversão ou de diminuição dessas tarifas. Por quê? Porque o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apresentou o resultado da investigação e propôs, portanto, que o governo aplique a tarifação.

Mas ainda haverá uma audiência final no dia 6 de julho. Então, ainda existe espaço para movimentação técnica, política e diplomática que pode, sem dúvida nenhuma, afetar o tarifaço e, consequentemente, os impactos que isso vai trazer para a gente.

Hoje, o cenário mais plausível não é de uma guerra comercial, mas também não é de um acordo comercial abrangente entre Brasil e Estados Unidos.

O que podemos imaginar é alguma acomodação negociada e bastante limitada, que, de certa maneira, permita aos dois governos declarar algum tipo de vitória até aquela data.

E por que estou pensando nisso? Porque, quando olhamos para o nível das decisões, percebemos claramente que o principal motor desse processo não é econômico, mas político. Nos Estados Unidos, essa investigação já produziu parte dos efeitos desejados.

Colocou o Brasil sob pressão, sinalizou firmeza para setores domésticos apoiadores de Trump e elevou o custo político de temas como Pix, propriedade intelectual e questões relacionadas ao desmatamento.

Por outro lado, aplicar integralmente essas tarifas de 25% também gera custos para as empresas americanas que importam produtos brasileiros e para as cadeias produtivas que dependem de insumos vindos do Brasil.

Isso não é algo muito interessante para eles. Acaba criando para Washington um incentivo para preservar a capacidade de pressão sem necessariamente levar o confronto até o limite.

Quando olhamos para o Brasil, o incentivo é praticamente o oposto. O governo brasileiro, os exportadores, as empresas, os estados exportadores e os setores industriais têm um interesse convergente muito grande em reduzir a incerteza e evitar prejuízos econômicos.

Isso quer dizer o quê? Os Estados Unidos precisam demonstrar firmeza de alguma maneira, e o Brasil precisa demonstrar capacidade de negociação.

É dessa aparente contradição que surge um possível ponto de equilíbrio.

Neste momento, entendo que, para imaginar os impactos, precisamos verificar se uma solução politicamente aceitável para ambos os lados é possível. Hoje, os sinais apontam mais para uma acomodação negociada e limitada e menos para uma escalada tarifária ou para um acordo comercial abrangente.


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