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Espetáculo “Suspender o Céu” estreia em Vitória com reflexão sobre exaustão

Apresentações gratuitas acontecem de 11 a 14 de junho, na Casa da Música Sônia Cabral, e propõem pausa diante da ansiedade e do produtivismo

Espetáculo “Suspender o Céu” estreia em Vitória com reflexão sobre exaustão
- Obra articula dança, performance, artes visuais, iluminação cênica e direção sonora para criar uma paisagem sensorial sobre os sintomas do trabalho excessivo e da exaustão
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Redação Tribuna Online

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Um convite para desacelerar e “sentir a vida” em meio à rotina acelerada. É essa a proposta de “Suspender o Céu”, espetáculo que estreia no Espírito Santo com apresentações gratuitas na Casa da Música Sônia Cabral, em Vitória. As sessões acontecem nos dias 11, 12 e 13 de junho, às 20 horas, e no dia 14, às 19h30, com retirada de ingressos uma hora antes, na bilheteria do espaço.

A obra articula dança, performance, artes visuais, iluminação cênica e direção sonora para criar uma paisagem sensorial sobre os sintomas do trabalho excessivo e da exaustão — como ansiedade, burnout e depressão — e, ao mesmo tempo, apontar caminhos de cura por meio da pausa, da presença e da desaceleração.

Além das apresentações, a programação inclui Ensaio Aberto na Fafi, no dia 6 de junho, às 19h; a oficina “Tecnologias de Suspensão”, no dia 13, das 8h às 12h, também na Fafi, e apresentações voltadas a alunos da rede pública estadual nos dias 16 e 17 de junho, na Casa da Música Sônia Cabral. O espetáculo conta com acessibilidade em Libras.

As informações completas podem ser acompanhadas no Instagram do artista: https://www.instagram.com/farleydsouza/.

Cena mistura dança, terra e som para simbolizar a pressão do cotidiano

“Suspender o Céu” aposta em metáforas visuais e elementos de cena para tratar do impacto do produtivismo no corpo e na mente. O cenário é composto por 100 kg de terra, 40 metros de tecidos, cordas de sisal, ganchos e cargas, em uma composição que dialoga com ideias como dominação da terra, queda e suspensão do céu — imagens que funcionam como chaves simbólicas para o que a obra busca discutir.

“Na lógica produtivista, o céu cai sobre nós de formas sutis, invisíveis e silenciosas, com demandas diárias que nos levam à exaustão, e tudo isso é aceitável porque é trabalho. A ideia de suspender o céu simboliza a ruptura intensa, o momento em que chegamos à extrema exaustação e precisamos buscar psiquiatras, práticas holísticas e espirituais, para aprender a parar um corpo que foi condicionado à velocidade. É um processo muito complexo, que dá muito mais trabalho do que adotar práticas de quietude, afeto e pausas no dia a dia. Quando passei por isso, no meu processo de adoecimento, me comprometi a dançar sobre essa questão. A ideia de oposição entre trabalho e emocional, masculino e feminino, terra e céu, naturalizada em nossa sociedade, nos leva a tratar o afeto e a desaceleração como ações inúteis e desnecessárias”, descreve Farley.

A criação e atuação são do bailarino e multiartista capixaba Farley José, com direção cênica e coreografia de Alexandre Américo, artista, psicanalista e pesquisador do Rio Grande do Norte. O espetáculo começou a ser desenvolvido a partir de 2022, quando Farley atravessou episódios de ansiedade, burnout e depressão, atribuídos a uma rotina excessiva de trabalho e a questões pessoais que o levaram a repensar os sentidos da própria vida.

Oficina e ensaio aberto ampliam experiência do público em Vitória

A proposta do projeto vai além do palco e abre espaço para troca com o público por meio de ações formativas e apresentações educativas. A oficina “Tecnologias de Suspensão” será realizada no dia 13 de junho, das 8h às 12h, na Fafi, com inscrições gratuitas até 10 de junho, via formulário online. Já o Ensaio Aberto, também na Fafi, ocorre no dia 6 de junho, às 19h.

O processo de pesquisa do espetáculo dialoga com diferentes campos do conhecimento, reunindo referências como Ailton Krenak, Leda Maria Martins, Henri Bergson, Viviane Mosé e Melanie Klein. No campo da dança, Alexandre Américo parte, entre outras influências, do conceito de “scores”, da bailarina Meg Stuart, com instruções e imagens que acionam memória, colapso e resistência.

Realizado por Farley José e pela Secretaria da Cultura do Espírito Santo, o projeto foi selecionado no Edital 10/2024 (Artes Cênicas) e conta com recursos do Funcultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), além de parcerias com a Fafi e a Casa da Música Sônia Cabral.

Serviço

Espetáculo “Suspender o Céu”

  • Datas e horários: 11, 12 e 13 de junho, às 20h / 14 de junho, às 19h30
  • Local: Casa da Música Sônia Cabral – Vitória (ES)
  • Ingressos: gratuitos, com retirada 1h antes do evento (bilheteria)
  • Acessibilidade: Libras

Oficina “Tecnologias de Suspensão”

  • Data e horário: 13 de junho, das 08h às 12h
  • Local: Fafi – Escola Técnica de Teatro, Dança e Música
  • Inscrições: gratuitas até 10 de junho (formulário: https://forms.gle/AsH139RZbxqdhyZ79)



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