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Economia

Supermercados do ES registram queda na arrecadação após fechamento aos domingos

Queda na arrecadação foi registrada após os supermercados não abrirem as portas aos domingos. Fechamento, porém, segue em vigor

Supermercados do ES registram queda na arrecadação após fechamento aos domingos
- Supermercados estão sentindo impacto de não abrir aos domingos: recuo de 1,3% no 2º bimestre de 2026

Última atualização


A restrição ao funcionamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde março de 2026 por força de uma convenção coletiva, já mostra reflexos negativos, com queda no faturamento.

Mesmo com esse cenário, o setor produtivo reforça o que está estabelecido. “Independente de qualquer resultado, por enquanto as lojas ficarão fechadas aos domingos até 31 de outubro, por força de acordo coletivo”, afirma o presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider.

O faturamento do setor no Estado recuou -1,3% no segundo bimestre de 2026, contrapondo-se ao avanço nacional de 0,7%, mostra estudo da Scanntech, líder em inteligência de dados. Antes da mudança, o Espírito Santo crescia 3,0%, superando a média nacional (2,3%).

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O impacto ganha evidência diante do debate nacional sobre o fim da escala 6×1. Embora a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Senado não obrigue o fechamento dominical, empresários veem na pausa a única saída viável de adequação.

A diretora da Scanntech, Priscila Ariani, pondera. “O estudo trata do fechamento dominical e não das escalas de trabalho. Contudo, o Espírito Santo serve de referência para avaliar potenciais impactos no varejo alimentar do País”, diz.

Os hábitos dos consumidores mudaram rapidamente. No primeiro mês da restrição, o faturamento subiu 15% nas segundas e 25,3% nas terças (em relação a fevereiro).

Em abril, o fluxo deslocou-se para quarta (14,8%) e quinta-feira (34,3%), sinalizando adaptação. A perda de receita ocorreu em todas as cestas e canais.

O atacarejo foi o mais afetado no Estado. Na comparação entre março-abril de 2026 com o mesmo período do ano anterior, o faturamento do atacarejo caiu -5,8% no Estado, enquanto no País o recuo foi de apenas -0,7%, uma diferença de 5,1 pontos percentuais.

Nos supermercados, o impacto foi severo nas pequenas lojas de 1 a 4 checkouts — ou seja, terminais de atendimento onde é passada a compra. Eles caíram -4,4% ante alta de 1,7% no Brasil — diferença de -6,1 pontos percentuais.

Ainda não se sabe se a queda será permanente ou se faz parte de uma transição de hábitos dos consumidores.

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Estudo

O detalhamento do estudo evidencia que a perda de faturamento no Espírito Santo foi impulsionada por retrações severas em produtos de consumo diário nas prateleiras dos supermercados.

Entre os destaques negativos na comparação com o ano anterior, o azeite liderou as quedas com um recuo de 21,0% no Estado (frente a 16,4% no País), seguido pelo café, com retração de 8,2% (contra 5,6% no Brasil), e pelos frios industrializados, que caíram 7,6% (enquanto a média nacional recuou 4,4%).

A análise da Scanntech reforça que, com as portas fechadas aos domingos, os consumidores capixabas migraram suas compras de categorias como perfumaria, carnes e bebidas para canais alternativos que permanecem abertos, como farmácias, açougues e lojas de bairro.

O levantamento foi realizado com base nos dados da empresa, que reúnem no País mais de 15 bilhões de tickets de compra e R$ 1,1 trilhão em vendas ao consumidor.

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