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Polícia

Estelionato deixa uma vítima a cada 10 minutos no ES

De janeiro a junho deste ano, foram registrados 25.856 golpes no Estado

Estelionato deixa uma vítima a cada 10 minutos no ES
- QR Code trocado é uma das técnicas geralmente utilizadas por criminosos para conseguir aplicar golpes
Foto de perfil de Francine Spinassé

Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização



A cada 10 minutos, uma pessoa é vítima de estelionato no Espírito Santo. De janeiro a junho deste ano, foram registrados 25.856 golpes no Estado, uma média de 142 casos por dia, conforme dados do Observatório da Segurança Pública.

De acordo com especialistas, criminosos utilizam dados vazados, perfis falsos, Inteligência Artificial e falsas promessas para convencer vítimas a fazer transferências, compartilhar informações ou entregar documentos.

O advogado, professor e consultor em Direto e tecnologia Bruno Costa Teixeira explicou que criminosos usam técnicas de engenharia social para aplicar os golpes, sendo quatro padrões recorrentes.

“O primeiro é o pretexto de autoridade, com o falso funcionário do banco, o falso advogado ou a falsa central de segurança, orientando a vítima a transferir valores para uma suposta ‘conta segura’”.

O segundo, de acordo com o advogado, é a falsa identidade afetiva, em que o criminoso assume a identidade de um parente ou amigo por número novo ou por conta clonada, e pede um Pix urgente.

“O terceiro é o phishing por link, incluindo falsas atualizações cadastrais, boletos adulterados, QR Codes trocados e ofertas de emprego ou investimento”.

Por fim, há a captura da própria conta da vítima, por meio do pedido do código ou de golpes de portabilidade de linha, o chamado SIM swap.

“A variação é apenas de roteiro. O mecanismo é o mesmo: criar pressão temporal – com sensação de urgência – para impedir verificação. O golpista não ataca o sistema, mas o processo decisório da vítima, explorando urgência e a tendência humana de confiar em quem parece saber algo sobre ela”.

O advogado especialista em direito digital, presidente da Comissão de Proteção de Dados, Privacidade e Inteligência Artificial da OAB/ES, Felipe Lima, salientou que a Inteligência Artificial tem tornado golpes mais sofisticados.

“Antes, um e-mail mal escrito já entregava o golpe. Hoje, a IA permite clonar voz, rosto e até vídeos de pessoas reais – o chamado deepfake – a partir de conteúdos publicados nas redes sociais. O Brasil registrou crescimento de mais de 800% nesse tipo de fraude em um ano, segundo a empresa Sumsub. O resultado aparece nas finanças: o Banco Central aponta R$ 6,5 bilhões em prejuízos com golpes via Pix só em 2025”.


Números no Estado

Estelionatos (janeiro a junho)

Ano – Casos

2018 – 4.990

2019 – 6.041

2020 – 9.283

2021 – 15.616

2022 – 23.095

2023 – 20.195

2024 – 23.085

2025 – 25.509

2026 – 25.856

Outros dados de golpes

Abril foi o mês com mais registros este ano (4.905).

Quarta-feira concentrou o maior número de ocorrências (4.739).

Vila Velha liderou entre os municípios, com 3.940 registros.

Golpes mais aplicados

1 Falso advogado

Criminosos entram em contato por telefone ou WhatsApp se passando por advogados.

Utilizam nomes, fotos e números da OAB de profissionais e até números de processos reais. Em alguns casos, recorrem à clonagem de voz com Inteligência Artificial.

Os golpistas Informam que a vítima tem valores a receber na Justiça do processo em tramitação, mas exigem o pagamento de taxas para liberação, induzindo transferências via Pix ou a entrega de dados pessoais e bancários.

2 Compra e venda de imóveis

Golpistas anunciam imóveis inexistentes ou fingem ser proprietários ou corretores, usando documentos falsificados para negociar o bem.

Antes da conclusão da venda, solicitam pagamentos antecipados e desaparecem com o dinheiro.

3 Falso funcionário de banco

Criminosos ligam se passando por funcionários de instituições financeiras e mascaram o número para aparentar ser oficial.

Alegam movimentações suspeitas na conta e convencem a vítima a fazer transferências ou instalar aplicativos que permitem acesso remoto ao celular.

4 Fraudes no Pix

Entre os golpes mais comuns estão o envio de comprovantes falsos de Pix agendado, cancelados antes da compensação, e o chamado “Pix errado”, em que a vítima devolve um valor que nunca foi efetivamente transferido, sofrendo prejuízo.

5 Clonagem de WhatsApp

Golpistas criam um perfil falso usando a foto da vítima ou conseguem clonar a conta.

Em seguida, entram em contato com familiares e amigos, alegam que trocaram de número e inventam uma emergência financeira para pedir dinheiro via Pix.

6 Golpe do amor

Criminosos criam perfis falsos em redes sociais ou aplicativos de mensagens e de relacionamento, conquistam a confiança da vítima ao longo de semanas ou meses e, depois, inventam situações de emergência para solicitar dinheiro ou presentes.

7 Golpe da taxa de importação

A vítima recebe mensagens informando que uma encomenda foi retida e que é necessário pagar uma suposta taxa alfandegária ou de despacho para liberar a entrega.

O pagamento acaba sendo direcionado aos golpistas.

8 Boletos e falsas cobranças

Aproveitando vazamentos de dados, criminosos enviam boletos falsos de escolas, planos de saúde, internet ou energia.

O documento parece legítimo, mas o pagamento é direcionado para contas usadas pela quadrilha.

9 Falso intermediário

Muito comum na compra e venda de veículos e outros bens pela internet, esse golpe ocorre quando o criminoso se apresenta como intermediário entre comprador e vendedor.

Ele altera informações da negociação e faz com que o pagamento seja enviado para contas da quadrilha, sem que nenhuma das partes perceba a fraude.

10 Falso investimento

Criminosos prometem ganhos rápidos com aplicações financeiras, criptomoedas ou plataformas de investimento.

Após convencerem a vítima a fazer depósitos, interrompem o contato ou impedem o resgate dos valores investidos.

Fonte: Observatório da Segurança Pública, pesquisa A Tribuna e especialistas.



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