- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Incidência da doença

Médicos explicam por que câncer atinge mais jovens

Mudanças no estilo de vida, fatores ambientais e genética são algumas das causas apontadas por especialistas

Médicos explicam por que câncer atinge mais jovens
- fotos: reprodução tv tribuna/band Rayane Veloso, 36 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em estágio 3 após perceber nódulo durante banho.
Foto de perfil de Francine Spinassé

Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização



Mais comum entre idosos, o câncer tem sido diagnosticado com frequência cada vez maior em pessoas mais jovens. Médicos afirmam que o fenômeno já é percebido nos consultórios e apontam mudanças no estilo de vida, fatores ambientais e predisposição genética como algumas das possíveis explicações para esse crescimento.

A oncologista da Unimed Oncologia e diretora clínica de Neon Oncoclínicas, Luana Pescuite, afirmou que a incidência de câncer em pacientes mais jovens tem aumentado nos últimos anos.

“Isso pode ser atribuído, principalmente, a mudanças ambientais – como poluição e exposição a agrotóxicos via alimentar – e do estilo de vida, como hábitos alimentares, sedentarismo, redução do sono de qualidade, tabagismo e consumo de álcool”.

Ela destacou ainda que existe fator relacionado a alterações genéticas familiares, que também pode levar a um aumento dos casos novos nesse perfil de paciente.

O cirurgião de cabeça e pescoço Judá Câmara Barcellos também destacou que alguns tipos de câncer têm sido diagnosticados com maior frequência antes dos 50 anos. “Na cabeça e pescoço, destacam-se os tumores da orofaringe relacionados ao HPV e o câncer de tireoide”.

Ele ressaltou que a idade não exclui o diagnóstico de câncer. “Em pessoas jovens, sintomas persistentes também precisam ser investigados, porque o diagnóstico precoce aumenta chance de cura.”

O chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luís Felipe Leite Martins, ressalta que o câncer tem crescido em todas as faixas etárias, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e pela maior exposição a fatores de risco ao longo da vida.

Ainda assim, a maior incidência ocorre entre pessoas mais velhas. “Alguns estudos mostram aumento de determinados tipos de câncer em pessoas mais jovens. Um dos exemplos é o câncer colorretal, que pode estar ligado ao aumento da obesidade infantil”.

Entre os casos de descoberta mais cedo de câncer está o da empresária Rayane Veloso, de 36 anos. Ela foi diagnosticada com câncer de mama em estágio 3 depois de perceber um nódulo no banho.

Em entrevista à TV Tribuna/Band, ela revelou que não tinha histórico familiar ou predisposição genética. Hoje, em tratamento, faz um alerta: “ O diagnóstico precoce faz toda a diferença”.


Saiba Mais

Aumento de câncer na população mais jovem

Médicos apontam que não existe uma única explicação para o aumento dos casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos.

Acreditam que o fenômeno é resultado da combinação de fatores ligados ao estilo de vida, ao ambiente e à predisposição genética.

Entre os principais fatores estão alimentação rica em produtos ultraprocessados, obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo — incluindo cigarros eletrônicos —, exposição à poluição e a agrotóxicos, infecções como o HPV e alterações genéticas hereditárias.

Além disso, o avanço dos exames tem permitido identificar tumores mais precocemente.

Envelhecimento das células

Segundo os oncologistas, muitos desses fatores provocam um processo inflamatório contínuo no organismo e aumentam o chamado estresse oxidativo, que acelera o envelhecimento biológico das células.

Com isso, cresce o risco de surgimento de células cancerígenas.

Tipos que mais crescem

Entre os tumores que têm apresentado aumento de diagnósticos em pessoas mais jovens estão os de mama, intestino (cólon e reto), pulmão, pâncreas, rim, útero e colo do útero.

Na região de cabeça e pescoço, especialistas também observam mais casos de câncer de tireoide e de tumores na orofaringe, como amígdalas e base da língua, muitos deles associados à infecção pelo HPV.

Sinais que precisam ser investigados

Os especialistas alertam que a idade não deve afastar a suspeita de câncer.

Sintomas persistentes precisam ser avaliados, especialmente quando duram mais de duas ou três semanas.

Entre os sinais de alerta estão perda de peso sem explicação, sangue nas fezes, alteração persistente do funcionamento do intestino, tosse prolongada, presença de sangue no escarro, caroços no pescoço ou nas mamas, feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão, dificuldade para engolir, dor de garganta persistente, aumento do volume abdominal e alterações no fluxo menstrual ou secreção vaginal.

Estimativas de novos casos de câncer em 2026

Mama feminina: 950

Próstata: 1.920

Cólon e reto: 980

Traqueia, brônquio e pulmão: 530

Estômago: 450

Colo do útero: 380

Glândula tireoide: 110

Cavidade oral: 510

Linfoma não Hodgkin: 250

Leucemias: 220

Sistema nervoso central: 240

Bexiga: 290

Esôfago: 330

Pâncreas: 220

Fígado: 190

Pele melanoma: 190

Corpo do útero: 150

Laringe: 200

Ovário: 140

Linfoma de Hodgkin: 30

Outras localizações: 1.380

Todas as neoplasias, exceto pele não melanoma 9.710

Pele não melanoma: 6.740

Todas as neoplasias: 16.450

Fonte: Especialistas e INCA.



Mais Lidas

Ver tudo ›