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Saúde

Uso de IA contra solidão e depressão aumenta e psicólogos fazem alerta

Mais de 12 milhões de brasileiros recorreram à inteligência artificial para fazer terapia ou buscar apoio contra tristeza e solidão

Uso de IA contra solidão e depressão aumenta e psicólogos fazem alerta
- Elizeu Batista Borloti destaca que a IA não oferece acolhimento no sentido em que a psicoterapia oferece
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Pesquisar sintomas, pedir conselhos e até desabafar. Cada vez mais presente no dia a dia, a inteligência artificial (IA) passou a ser consultada por milhões de pessoas para além de tarefas simples.

Agora, cresce também, segundo especialistas, o número de brasileiros que recorrem às ferramentas em busca de apoio para lidar com sentimentos como solidão, tristeza e ansiedade.

Apenas no Brasil, um levantamento apontou que mais de 12 milhões de brasileiros já recorreram à inteligência artificial para fazer terapia ou buscar apoio emocional. A estimativa é do UOL com base em dados da agência de comportamento Talk Inc.

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O problema é tão crescente que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) até se posicionou sobre o tema: “a IA não substitui o juízo, técnico ou ético da psicóloga e do psicólogo”, afirmou em nota.

A conselheira-presidente da Comissão de Psicologia Clínica do Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo, Andrea Loss Nunes, destaca que a psicoterapia “vai além de uma resposta objetiva”. Ela ressalta que o processo também envolve protocolos, responsabilidade ética e fenômenos subjetivos que podem surgir durante o processo terapêutico.

“Precisamos caminhar com cautela. Ainda precisamos de muito mais dados científicos e pesquisas que nos auxiliem na elaboração de como utilizar essas tecnologias para favorecer o desenvolvimento da sociedade, do ser humano e da saúde mental.”

Professor do Departamento de Psicologia Social e Desenvolvimento da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Elizeu Batista Borloti destaca ainda que a IA não oferece acolhimento no sentido em que a psicoterapia oferece, porque ela não tem a história anterior daquele paciente.

“Na psicoterapia, definida pela interação face a face, conseguimos entender a função do comportamento e avaliar se determinada orientação faz sentido dentro da história daquela pessoa.”

Elizeu ressalta que um bom psicoterapeuta conduz o paciente para que ele próprio conclua qual ação precisa realizar para produzir a consequência que deseja.

Kamila Vilela, doutoranda em Psicologia, reforça que a psicoterapia não existe apenas para confortar, mas, em muitos momentos, para confrontar.

“Ela também convida a pessoa a entrar em contato com frustrações, reconhecer padrões difíceis e assumir mudanças de comportamento. Se a IA for usada apenas como um espaço que valida tudo, ela pode aliviar o desconforto momentâneo sem promover transformação.”

Saiba mais

IA pode ajudar, mas não substitui a psicoterapia

A inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para organizar pensamentos, oferecer informações gerais e até servir como um primeiro espaço de reflexão. No entanto, especialistas alertam que ela não substitui o acompanhamento psicológico.

Isso porque a psicoterapia é baseada no encontro humano, na escuta qualificada e em um processo construído ao longo do tempo, com fundamentos científicos, protocolos e responsabilidade ética. Além disso, o psicólogo consegue compreender emoções, contradições e mudanças que não podem ser captadas apenas pelas informações fornecidas em uma conversa com a IA.

Alívio imediato não significa transformação

Especialistas explicam que conversar com uma IA pode proporcionar sensação momentânea de acolhimento e aliviar o sofrimento emocional. No entanto, esse conforto nem sempre leva às mudanças necessárias para melhorar a saúde mental.

A psicoterapia não existe apenas para validar sentimentos, mas também para ajudar a pessoa a reconhecer padrões de comportamento, enfrentar dificuldades e desenvolver novas formas de lidar com os problemas.

Terapias digitais baseadas em ciência

Já existem programas de terapia guiada por computador baseados em protocolos científicos, nos quais o percurso do paciente é previamente estruturado por um programador, sob supervisão de psicólogos e pesquisadores, como a que está sendo produzida na Ufes.

Esses sistemas diferem das IAs generativas porque seguem etapas definidas, fundamentadas em evidências científicas, reduzindo o risco de interpretações inadequadas.

Quando procurar um psicólogo?

A recomendação é buscar ajuda profissional sempre que o sofrimento emocional começar a interferir na rotina, como isolamento persistente, alterações no sono e no apetite, sensação constante de vazio, dificuldade para trabalhar ou estudar, desesperança e tristeza intensa.



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