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Do cafezal ao sucesso: capixaba vira maestro na Europa e volta para turnê inédita

Após concluir curso em Viena, o jovem maestro de Santa Maria de Jetibá traz 41 coralistas para apresentação em três estados do País

Do cafezal ao sucesso: capixaba vira maestro na Europa e volta para turnê inédita
- O regente fábio lahass com os coralistas do Gospelpower Chor Wien, da Áustria, em visita ao Convento
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização



De volta ao Espírito Santo, onde tudo começou, o maestro Fábio Lahass traz a turnê inédita do Gospelpower Chor Wien, coro que rege em Viena, na Áustria. A série de concertos marca seu retorno à terra natal após cinco anos de estudos e trabalho na capital mundial da música clássica e simboliza uma forma de agradecer às pessoas que acreditaram em seu sonho.

Natural de Santa Maria de Jetibá, onde acompanhava a família nos trabalhos do cafezal, o maestro, com 28 anos, transformou a trajetória marcada pela simplicidade em carreira internacional.

Em 2021, sua história foi contada por A Tribuna. Na época, depois de passar pela Faculdade de Música do Espírito Santo e cursar Música em São Paulo, ele tentava conquistar uma das três vagas anuais para Regência Coral em Viena. Para os custos, uma campanha de arrecadação foi organizada por familiares e comunidade.

“Em São Paulo eu era o melhor aluno da turma. Quando cheguei a Viena, me vi com muita dificuldade. O primeiro ano foi de muita resistência, mas o amor pela música e o compromisso com quem me ajudou fizeram com que eu permanecesse até o fim”, conta.

Fábio concluiu neste ano a graduação em Regência Coral e, paralelamente, assumiu a direção do Gospelpower Chor Wien, grupo formado por cantores amadores, sediado em Viena.

Agora, o coro desembarca no Brasil para uma turnê com nove apresentações em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

O repertório reúne cerca de 16 músicas. A primeira parte é dedicada ao gospel americano, marca registrada do coro. Na segunda, o público conhece canções tradicionais austríacas, preparadas especialmente para a turnê. O encerramento fica por conta de uma música brasileira, interpretada em português pelos integrantes como forma de homenagear o País.

“Eu toco piano e faço a regência ao mesmo tempo. Como não temos um pianista contratado, preciso tocar e reger o coro. Queremos apresentar um pouco da cultura austríaca, mas também aprender sobre a cultura brasileira.”

Além de Fábio, 41 coralistas da Áustria participam das apresentações. Eles estão aproveitando a passagem pelo Estado para conhecer alguns pontos turísticos, entre eles o Convento da Penha.

Fábio Lahass: “Começei a estudar em um piano de papel”

A Tribuna – Como começou sua relação com a música?

Fábio Lahass – Eu nasci em Alto Santa Maria, no interior de Santa Maria de Jetibá, e meu sonho era ser pastor. Um pastor da minha comunidade, que também era músico, percebeu que eu cantava bastante e me incentivou a aprender um instrumento.

Foi assim que comecei a estudar e, aos poucos, a música foi ocupando um espaço cada vez maior na minha vida.

É verdade que você começou a estudar em um piano de papel?

Sim. Na época minha família não tinha condições de comprar um teclado. Então desenhei as teclas em folhas de papel e estudava assim, imaginando o instrumento. Foi desse jeito que tudo começou, até conseguir ganhar meu primeiro teclado.

Por que você escolheu estudar em Viena?

Sempre foi um sonho. Minha família é de origem pomerana e sempre admirei a tradição musical da Alemanha e da Áustria.

Conversando com um amigo que havia estudado em Viena, decidi tentar o processo seletivo. A intenção era apenas testar meus conhecimentos, mas fui passando pelas etapas até conquistar uma das vagas.

Quais foram os maiores desafios ao chegar à Áustria?

Foi uma mudança muito grande. Nova cultura, nova língua e um nível de exigência muito alto. Em São Paulo eu era um dos melhores alunos da turma. Em Viena me senti com muitas dificuldades. O primeiro ano exigiu muita resistência.

O que significa voltar ao Espírito Santo com essa turnê?

Significa gratidão. Eu só consegui estudar na Áustria porque muitas pessoas me ajudaram. Fizemos uma campanha para arrecadar dinheiro para a viagem.

Voltar agora, trazendo um coro austríaco para cantar no Espírito Santo, é uma forma de agradecer e devolver um pouco de tudo o que recebi.



ROTEIRO DAS APRESENTAÇÕES NO ES

  • Terça-feira (21): Comunidade de Alto São Sebastião (IECLB), em Santa Maria de Jetibá, às 19h.
  • Quarta-feira (22): Capela Divino Espírito Santo em Tirol, em Santa Leopoldina, às 19h.
  • Quinta-feira (23): Comunidade Bom Pastor (IECLB), em Alvorada, Vila Velha, às 19h.

Entrada

  • Em vez da cobrança de ingressos, o grupo convida o público a doar 1 kg de alimento não perecível, que será destinado a instituições beneficentes.
  • No Espírito santo, todas as arrecadações serão encaminhadas à Associação Albergue Martim Lutero.

Turnê

  • Além das futuras apresentações no Estado, o grupo já realizou outras três apresentações desde domingo.
  • Ao todo, a turnê brasileira contará com nove concertos em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Coral

  • O Gospelpower Chor Wien é uma associação cultural formada por cerca de 60 integrantes e reúne cantores de diferentes gerações.
  • Para a viagem ao Brasil, 41 pessoas participam da turnê, que será totalmente financiada pelos próprios coralistas.

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