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Educação

Como a Inteligência Artificial e a tecnologia vão mudar o ensino universitário

Alterações vão desde revisões de currículo e criação de novas disciplinas até o uso de ferramentas pedagógicas mais modernas

Como a Inteligência Artificial e a tecnologia vão mudar o ensino universitário
- Faculdades incorporam a Inteligência Artificial às salas de aula e transformam a forma de ensinar e aprender
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização


O avanço das tecnologias e da Inteligência Artificial (IA) tem levado faculdades e universidades a promoverem mudanças significativas nos cursos superiores.

As alterações vão desde revisões de currículo e criação de novas disciplinas até o uso de ferramentas pedagógicas mais modernas, com outras formas de ensinar e avaliar.

O vice-reitor e professor da UVV, Jhone Andrez, revelou que a instituição está em um movimento estruturado para implementar o uso de IA em todos os cursos, adequando cada área ao seu contexto profissional.

Ele destacou que em cursos como de Engenharia e de Tecnologia – como Ciência da Computação e Sistemas de Informação – foram incluídas disciplinas já no primeiro período para que o aluno aprenda a usar a IA de forma aplicada.

“Na área da saúde, estamos incluindo uma disciplina voltada para saúde digital, telemedicina e uso de Inteligência Artificial na área médica, porque o setor está mudando rápido com prontuários inteligentes e apoio à decisão clínica”.

O coordenador de Pesquisa e Extensão da Faesa, Lucas Zanchetta Passamani, salientou que a IA, hoje, permeia todas as áreas. “Nas engenharias, por exemplo, o futuro profissional não deve ter só a formação técnica, mas ele precisa saber otimizar processos, embarcar a tecnologia dentro de um processo, para ganhar tempo e minimizar custos e riscos”.

Na área da saúde, ele cita que uma série de análises de dados podem ser feitas por meio da tecnologia, auxiliando até em diagnósticos.

No curso de Medicina, a instituição investiu em recursos tecnológicos para aprimorar o aprendizado, como a mesa anatômica digital que permite explorar em detalhes o corpo humano em 3D.

Lorena Pianzoli de Souza, estudante do 3º período de Medicina e monitora de Anatomia, destacou que a tecnologia tem revolucionado o ensino.

“Hoje, não aprendemos apenas com os livros ou com as aulas teóricas, mas temos acesso a ferramentas digitais que tornam o aprendizado mais dinâmico, prático e mais próximo da realidade”.

Marcello Dalla, médico de Família e Comunidade e professor da Faesa, enfatizou que a abordagem de temas de saúde digital, como teleconsultas e teleconsultoria, devem ser presentes em toda graduação.

“A Organização Mundial da Saúde destaca a importância da educação em saúde digital, já que a conectividade é um determinante social: quem tem acesso vive mais e adoece menos. Por isso, formar médicos capazes de atuar tanto presencialmente quanto a distância é, hoje, uma necessidade para garantir cuidado à população”.

O que está mudando

1. Currículos atualizados

Instituições de ensino estão revisando suas matrizes curriculares em muitos cursos, para incluir temas como Inteligência Artificial, ciência de dados, cultura digital e novas tecnologias.

Isso não acontece só em cursos de Tecnologia da Informação. Direito, Psicologia, Arquitetura, Comunicação e Administração também passam a tratar de temas como jurimetria, automação, análise de dados e ética algorítmica.

2. Novos recursos tecnológicos

Além de novas disciplinas, as faculdades e universidades também têm investido em novos recursos para o aprendizado, como tecnologias de realidade virtual, de realidade aumentada, impressoras 3D e softwares que fazem simulações para o aprendizado.

Em Áreas como Medicina e Engenharia, por exemplo, utilizam simulações de cirurgias robóticas, bonecos automatizados, realidade virtual e ambientes interativos para praticar cenários cada vez mais realistas.

3. Mudança no papel do professor

O papel do professor também está mudando. Ele, cada vez mais, passa a ser um facilitador da aprendizagem, atuando como curador e orientador.

Em vez de transmitir informação, ele ajuda o estudante a analisar, interpretar, validar e aplicar o que encontra — inclusive o que é gerado pela Inteligência Artificial. Para isso, a formação docente contínua torna-se necessária.

4. Inteligência Artificial entra na rotina de estudo do aluno

Ferramentas de IA já são usadas por estudantes para resumos, mapas mentais, explicações personalizadas, simulações de questões e acompanhamento de aprendizagem.

A tecnologia também tem facilitado o acesso à investigação científica.

Ferramentas de Inteligência Artificial auxiliam na revisão sistemática, extração de dados, análises estatísticas e redação de artigos.

Por isso, há esforços em algumas instituições de ensino superior voltados para ensinar os estudantes a usarem ferramentas de Inteligência Artificial para auxiliar no processo de aprendizagem e na elaboração de trabalhos. Nesse caso, as tecnologias não escrevem o trabalho para o estudante, mas auxiliam.

Em algumas delas, o conhecimento está em disciplinas introdutórias ou oficinas e seminários.

5. Avaliações reformuladas

Uma outra tendência, segundo especialistas, é a valorização de avaliações práticas: projetos, estudos de caso, seminários, resolução de problemas complexos e portfólios.

A tendência é Avaliar menos o que o aluno sabe e mais como ele argumenta, decide e resolve.

6. Tecnologia como ponto de partida

Em diferentes áreas, a Inteligência Artificial tem assumido o papel de “primeiro impulso criativo”, isso tem levado a mudanças também na forma de ensino.

Não se trata de substituir o papel do estudante, mas de acelerar o momento inicial da produção — seja um texto, um projeto, um protótipo ou um conceito artístico.

7. Maior peso para habilidades humanas

Se a Inteligência Artificial lida com síntese, cálculo e repetição, o diferencial passa a ser o que não pode ser automatizado: pensamento crítico, criatividade, argumentação, ética, empatia e colaboração.

Disciplinas e projetos voltados a essas competências acabam ganhando, então, a centralidade.

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