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Opinião Econômica

Segurança digital e sua próxima etapa: biometria comportamental

Biometria comportamental transforma hábitos digitais em nova forma de segurança on-line

Segurança digital e sua próxima etapa: biometria comportamental
- Tasso Lugon é CEO da Banestes DTVM e especialista em tecnologia, inovação e transformação digital

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Você já viu que cada pessoa tem um jeito único de digitar no celular, rolar a tela ou mover o mouse? Pode até parecer um detalhe, mas esses pequenos gestos dizem muito sobre quem somos, e estão começando a ser usados como uma nova forma de segurança digital.

Esqueça aquelas senhas difíceis de decorar ou uma selfie que a gente precisa tirar toda hora para confirmar a identidade. O futuro da proteção on-line está em algo mais discreto, mas muito eficaz: a biometria comportamental.

Em vez de considerar o rosto ou a impressão digital, essa tecnologia identifica você pela sua maneira de usar os dispositivos. A forma como digita, deslizar o dedo na tela ou o ritmo com que navega na internet cria uma “assinatura invisível” e exclusiva.

É como se o sistema aprendesse seus hábitos e passasse a considerar você sem pedir nada em troca.

E esse mercado está crescendo rapidamente. Segundo um levantamento da consultoria Mordor Intelligence, o setor global de biometria comportamental deve movimentar mais de US$ 7 bilhões até 2029, impulsionado pelo aumento das tentativas de fraude digital e pela busca por métodos de autenticação mais seguros.

Mas por que isso é importante? Porque, mesmo com senha, reconhecimento facial ou autenticação por voz, ainda há muita gente caindo em golpes on-line.

As técnicas de falsificação e os crimes digitais evoluíram, e agora existem até vídeos com rostos clonados por ferramentas (os famosos deepfakes), capazes de enganar até os mais avançados.

Ou seja, confiar apenas no que se vê ou se ouve já não basta.

É aí que a biometria comportamental se destaca. Ela atua em segundo plano, sem interrupção do usuário. Se alguém tentar acessar sua conta com um padrão de digitação diferente, o sistema percebe na hora e bloqueia a ação imediatamente. Tudo acontece de maneira silenciosa e segura.

Instituições internacionais, como o Barclays e o HSBC, já utilizam esse tipo de tecnologia em seus aplicativos. A ideia é simples: aumentar a proteção sem complicar a vida do cliente.

Claro que, como toda inovação, ela traz desafios. O principal é não usar esses dados: como garantir que as informações de comportamento não sejam aproveitadas para outros fins?

Esse é o papel dos órgãos de proteção de dados, como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) no Brasil e entidades europeias, que definem normas para garantir a transparência, responsabilidade e consentimento do usuário em todo o processo.

Outro desafio é a padronização. Para que a biometria comportamental se torne realmente comum, ela precisa ser compatível com diferentes bancos, carteiras digitais e aplicativos. Apenas com essa integração será possível levar a tecnologia para mais pessoas.

O fato é que a segurança digital está mudando de forma acelerada. Entender como cada um de nós se comporta on-line pode ser uma chave para proteger nossas contas, nossos dados e nosso bolso.

A biometria comportamental pode até voar futurista, mas já está presente no dia a dia de milhões de pessoas ao redor do mundo. E tudo indica que será uma das grandes aliadas na luta contra os golpes digitais, que crescem a cada dia.


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