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SUS de porta aberta para as inovações

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode funcionar como um laboratório brasileiro para a implementação de tecnologias como o big data e a inteligência ...

SUS de porta aberta para as inovações
- Unidade do SUS: serviço de saúde do governo ainda carece de qualificação e investimento em pesquisa.

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Unidade do SUS: serviço de saúde do governo ainda carece de qualificação e investimento em pesquisa. (Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil)

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode funcionar como um laboratório brasileiro para a implementação de tecnologias como o big data e a inteligência artificial – inovações capazes de desenvolver tratamentos mais eficazes e reduzir os custos do tratamento médico.

A constatação é da pesquisadora Fernanda de Negri, coordenadora do recém-criado Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Apesar do potencial do setor público para a adoção de tecnologias, há no Brasil um gargalo de qualificação e investimento em pesquisa.

Não há uma estratégia estatal de investimento, pesquisa ou implementação tecnológicas em saúde, de acordo com a pesquisadora.
“O setor público tem papel importantíssimo de liderança no processo de investir em tecnologias, mas não tem conseguido fazer isso”, disse Fernanda.

Segundo ela, a verba federal para pesquisas não deve estar restrita ao Ministério de Ciência e Tecnologia, mas deve ser estendida ao Ministério da Saúde também. “Ali você está mais próximo dos problemas que precisa resolver”.

Outro desafio é o vácuo de legislação em torno da proteção de dados do sistema de saúde. Se, por um lado, a análise de grandes quantidades de informação pode diagnosticar problemas estruturais no SUS e aperfeiçoar o sistema, a lei não determina até que ponto é ético ou justificável acessar dados de milhões de pessoas para a finalidade.

“Não estamos devidamente conscientes dos impactos que isso pode ter no futuro. Tenho dúvidas sobre até que ponto a nossa lei de proteção de dados pessoais não vai fechar essa porta”, disse Fernanda.

No sistema privado, tecnologias recentes já são utilizadas na prevenção de doenças, no uso mais racional de insumos dos hospitais e clínicas, e na maior eficácia dos tratamentos disponíveis.

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