Maestro Zezinho e Ismael Santos deram um verdadeiro show para os pacientes
Domingo de Natal. Para muitos, dia de comemoração em família, reflexões, ceia, presentes. Para eles, dia de lutar pela vida. Literalmente, “limpar o sangue”. Quatro horas de hemodiálise, um tratamento para pacientes com disfunções renais, que, na maioria das vezes, não conseguem contar com a ajuda dos rins para eliminar substâncias tóxicas do organismo e que podem levar até a morte.
Mas este Natal foi diferente. Na sala de espera, uma música. Clima de euforia. Clima de festa. O veterano músico Maestro Zezinho tinha sido convidado pela família de um paciente para fazer uma surpresa para os “guerreiros da hemodiálise”.
“Pensei: como levar mais alegria, esperança, amor e paz para minha mãe e seus companheiros de diálise? Transformar aquelas horas, muitas vezes de dor e apreensão, em festa, comemoração? Como agradecer àquela equipe tão dedicada de técnicos, enfermeiros e médicos?”, contou M.C., que teve a ideia de levar música para um centro de hemodiálise, o IDR, em um hospital da Serra. Neste ano, não haveria a apresentação do tradicional coral.
“Zezinho!”, falou, emocionada, com lágrimas nos olhos, a mãe dela ao ver um dos ícones dos barzinhos de Vitória ao teclado, tocando uma de suas músicas favoritas: “Lady Laura, me leve pra casa. Lady Laura, me conta uma história”. Com certeza, aquele não seria um dia de hemodiálise normal. E não foi.
Mas ninguém imaginava que “o acaso” traria uma surpresa. Um jovem de 18 anos, deficiente visual, filho de uma paciente que também faz hemodiálise, ao chegar à sala de espera, ouviu a música que vinha de dentro da unidade de tratamento e se queixou com a mãe: “Eu sei essa música. Ele toca bem! Eu queria ser assim. Queria ter uma oportunidade. Queria tanto ser famoso, ser conhecido! Queria cantar!”
Dia de Natal. Dia de nascimento, renovação. Uma enfermeira que ouviu as palavras do garoto Ismael Santos comentou com Maestro Zezinho: “O filho de uma paciente nossa gostaria de poder cantar uma música. Ele pode?” “Claro”, disse Zezinho. Nascia uma nova dupla. Zezinho ganhava a “segunda voz”: Ismael Santos “Sertanejo”. Sertanejo? “Sim, eu tenho uma página no Facebook, Ismael Santos Sertanejo. Olha lá”. Voz de artista, alma de artista. E uma oportunidade. Uma chance. O seu sonho de Natal. “Neste ano, quero paz no meu coração. Quem quiser ter um amigo que me dê a mão. E caminhamos todos juntos, sem parar, nossos passos pelo chão vão ficar. Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter. Como todo dia nasce novo em cada amanhecer”, cantou ele. Estava dado o recado de Ismael. Ou quase. “Aê!”, “Uhuu!”, “Muito bem”, encorajava a plateia (os pacientes ligados à máquina que “limpa o sangue” e à música que embalava aquela manhã especial).
“Posso cantar ‘Pense em Mim’?”, se empolgou Ismael, que ouvia os elogios de seu “mestre”, por um dia, ao teclado: “Bom, 0 garoto! Canta muito bem. Quer ser meu parceiro? Tocar na noite?”. Convite feito. Que venha o amanhecer! O próximo dia que nasce. Por enquanto, os dois músicos recebiam a recompensa dos “guerreiros da hemodiálise”. “Hoje, eu nem senti a furada da agulha! Foi ótimo!”, dizia um. “Foi lindo!”, completava outro. “Até chorei!”, “O melhor Natal de todos”, falavam. Era o Natal do renascimento, da esperança, da alegria.
Veja os vídeos:
https://youtu.be/wcyLmoV6N1g
https://youtu.be/g-j_GK6yHJk