Wagner Chieppe, diretor do Grupo Águia Branca, aconselharia a continuar aproveitando as oportunidades. Foto: Antonio Moreira/AT
Empresários das áreas da saúde, educação, decoração, varejo e transporte dão dicas que valem para quem está começando
Quais conselhos empresários do Estado dariam a si mesmos se pudessem, com a experiência que têm hoje, voltar aos 20 anos? A Tribuna foi atrás da resposta, ouvindo representantes das áreas da saúde, educação, decoração, varejo e transporte.
O diretor institucional do Grupo Águia Branca, Luiz Wagner Chieppe, 67, contou que, quando tinha 20 anos, começou a trabalhar na empresa da família, em Vitória. Naquela época, a Águia Branca atuava apenas no transporte rodoviário. Paralelamente, ele cursava Ciências Contábeis na Ufes.
“Eu desejava trabalhar na empresa. Me mudei de Belo Horizonte (MG) para Vitória e aproveitei as oportunidades que tive”.
Hoje, o grupo atua com logística, revenda de automóveis e com transporte rodoviário. Além da sociedade com a aérea Azul. São 750 ônibus e 12 mil funcionários nos três segmentos.
À medida que a empresa ia expandindo, ele aprendia mais. “Tive de me mudar várias vezes, de estado e de cidade. Assumir novas funções e construir novas relações”.
Ele contou que um dos desafios que encarou foi ir para a Bahia, aos 24 anos, para comandar a operação da empresa por lá. “Como eu era muito novo, as pessoas não acreditavam em mim. Tive de superar esse preconceito. Consegui”.
Casado, com quatro filhos e 47 anos de empresa, confessa que olha para trás e conclui que se pudesse voltar aos 20 anos, diria:
“Continue aproveitando oportunidades. Você está no caminho certo”.
Menos imediatismo é o conselho do presidente da Universidade Vila Velha (UVV), José Luiz Dantas. “Afinal, devemos fazer hoje tudo o que desejamos ser amanhã”.
Aos 20 anos, ele cursava Direito e Administração e fazia estágio na instituição, fundada pelo seu pai, o professor Aly da Silva. Hoje, com 42 anos, a UVV formou 35 mil pessoas, oferece 76 cursos, emprega 1.200 pessoas e tem 14 mil alunos.
Para o presidente do Grupo Meridional, Antonio Alves Benjamin Neto, 53, a escolha dos sócios é muito importante.
“É preciso escolher um sócio que te complete”. Ele recomendou ainda estudar muito.
O diretor da rede Carone, Willian Carone Júnior, 51, contou que ressaltaria que “o mundo não acaba amanhã e que as outras fases da vida também são muito boas”.
Já Cintia Dutra, dona da Unimport, apostaria em viver com menos para investir mais na empresa.
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“Escolha melhor seu sócio que sua mulher”
Antonio Alves Benjamin Neto ressaltou a importância de estudar muito, ser fluente em Inglês e de não desistir diante excesso de burocracia. Foto: Divulgação
O médico, principal acionista e presidente do Grupo Meridional, Antonio Alves Benjamin Neto, contou qual conselho daria a si mesmo aos 20 anos.
“Escolha melhor o seu sócio que a sua mulher”, afirmou. Ele explicou que se uma pessoa escolhe o sócio errado, a sociedade pode acabar mesmo que o empreendimento não seja ruim.
“É preciso escolher um sócio que te complete. Se você é bom na área comercial, bom de conversa, mas é ruim no planejamento, no controle de finanças, o seu sócio tem de ser bom nisso”, afirmou.
Segundo ele, escolhendo o sócio errado, a sociedade vai acabar e o negocio irá à falência.
“A família não fica de pé sem uma sustentabilidade financeira, se o negócio for mal, tem uma grande chance de a família ir mal. Às vezes, a gente escolhe a mulher com muito cuidado, mas não tem a mesma atenção na hora de escolher o sócio, o que é um grande erro”, argumentou.
Outro conselho que ele daria é estudar muito e falar inglês fluente, além de não desanimar diante da burocracia para se empreender no Brasil.
Após explicar quais conselhos se daria aos 20 anos, o empresário, que está com 53 anos, afirmou: “alguns eu segui e outros não”.
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Economizar e viver com metade do que se ganha
Cintia Dutra economizaria para ter mais capital de giro. Foto: Fábio Vicentini – 25/11/2017
De família muito humilde, nascida em Manhuaçu, Minas Gerais, aos 10 anos Cintia Dutra se virava vendendo salgadinhos e já tinha “contratado” oito meninos para revender o produto que ela fazia.
Aos 20 anos, abriu uma loja de roupas.
“Um conselho que eu daria hoje para mim aos 20 anos seria viver com menos da metade do que ganhava. Assim, teria ampliado meu capital de giro e potencializado o crescimento da empresa”.
Aos 30 anos, ela viajou, conheceu outros países e criou a Unimport, empresa que faz locação de lustres e móveis para festas de luxo no Estado. Segundo ela, no Brasil é maior empresa de locação de lustres e a segunda maior de locação de móveis.
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Outras fases da vida também são muito boas, diz empresário
Willian Carone Júnior daria conselho sobre importância dos 20 anos para preparar o futuro. Foto: Adriano Horta – 20/01/2012
O diretor da rede de supermercados Carone, Willian Carone Júnior, 51, contou que diria a si mesmo aos 20 anos que o mundo não acaba amanhã e que as outras fases da vida são tão boas quanto essa.
“Aos 20 é hora de preparar a vida para o futuro. Estudar e não deixar as oportunidades escaparem. Se tiver de abrir mão de algumas coisas, como deixar de sair, deixa. Assim, vai chegar aos 40 anos com uma vida muito mais tranquila”.
Outro conselho que ele dá é ouvir as pessoas mais experientes. “Eu tive um avô que tudo que ele falava acontecia. Ele morreu quanto eu tinha 30 e poucos anos. Sinto que podia ter aprendido mais com ele”, contou o diretor da rede de supermercados , que tem 11 lojas e 3 mil funcionários.
Reportagem: Verônica Aguiar/AT