Daniel Herkenhoff disse que o bitcoin já é ouro e que, agora, outras moedas disputam quem vai ser a prata. Foto: Fábio Vicentini – 17/08/2017
Apesar de ter menor valor, o ethereum obteve valorização de 5.744% no último ano, enquanto a alta do bitcoin ficou em 2.147%
Apesar da valorização recorde do bitcoin, que provocou uma corrida de investimentos em todo o mundo nos últimos meses, outras moedas digitais têm registrado crescimento proporcional ou até maior do que a mais conhecida das criptomoedas.
No último ano, o bitcoin alcançou uma valorização de 2.147%, e até o fechamento desta edição era cotado a R$ 69.300 a unidade. No mesmo período, o ethereum, considerado o principal concorrente, teve valorização de 5.744%.
Entretanto, apesar de o crescimento percentual ter sido maior, a unidade do ethereum é cotada atualmente em R$ 2.259,54.
Segundo o consultor do Libertas Bank, Daniel Herkenhoff, há outras alternativas para aqueles que desejam investir no mercado de moedas digitais. Mas, para ele, o bitcoin ainda é a mais sólida.
“O bitcoin já é ouro. Agora, as outras moedas disputam quem vai ser a prata. O ethereum é uma opção, mas ele tem uma proposta diferente do bitcoin, é um ativo para rodar a rede ethereum, que envolve diversas outras tecnologias”.
Segundo o especialista, criptomoedas como ethereum são utilizadas para transações menores, enquanto o bitcoin é usado para movimentar altos valores.
“O bitcoin não é mais uma aposta, e passou a ser algo concreto e confiável. As demais moedas estão em um patamar que o bitcoin já esteve no passado. Algumas podem ser boas apostas de investimento hoje, e amanhã já não serem mais”, afirmou ele.
Outra criptomoeda que registrou grande valorização recentemente foi o iota: somente em novembro, o valor da unidade subiu 774%. Com isso, o iota está entre as cinco criptomoedas que mais sofreram valorização na atualidade. A unidade custa, atualmente, R$ 12.
Herkenhoff, contudo, afirmou que o investimento em criptomoedas como o iota é para os que estão dispostos a correr mais riscos.
“Se a pessoa tem um perfil mais conservador, pode investir no bitcoin. Mas existem diversas outras moedas para aqueles que são mais moderados, assumindo os riscos.”
O sucesso das moedas digitais já reflete até na Bolsa. O número de pessoas registradas nas corretoras em busca de parte do ganho do bitcoin já supera 1 milhão. Como comparação, a Bolsa brasileira tinha 613 mil CPFs cadastrados, segundo dados de novembro.
.

– Bitcoin
Cotação da unidade: US$ 19.259 (R$ 69.300)
Lançada em 2009, foi pioneira no mercado de moedas digitais. A grande vantagem é permitir transações financeiras sem intermédio de terceiros. Em sua criação, valia cerca de US$ 0,03 e, de lá para cá, sua valorização foi surpreendente. A quantidade é limitada a 21 milhões de unidades, ainda em produção.
– Ethereum
Cotação da unidade: US$ 711,32 (R$ 2.259,54)
Fundada em 2014, não tinha o objetivo de se tornar uma moeda de investimento, mas foi o que aconteceu com o sucesso da sua plataforma. É apontada por especialistas como a segunda colocada absoluta para se realizar investimentos.
– Iota
Cotação da unidade: US$ 3,58 (R$ 12)
Criada em 2015, é uma criptomoeda que se apresenta como “a espinha dorsal da IoT (Internet das Coisas)”.
A forte alta da Iota (saltou mais de 774% somente em novembro), surpreendeu todo o mercado de moedas virtuais.
– Dash
Cotação da unidade: US$ 1.087 (R$ 3.911,35)
É a primeira que funciona exatamente como dinheiro físico, com transações instantâneas, além de contar com a taxa mais barata de todas. Já existem vendedores de rua nos Estados Unidos aceitando como forma de pagamento.
– Zcash
Cotação da unidade: US$ 507,29 (R$ 1.825,38)
Foi fundada em outubro do ano passado com o objetivo de aumentar a privacidade: oculta automaticamente o endereço de envio e do beneficiário das movimentações, além do valor de todas as transações, sendo acessível somente para quem tem a chave de visualização.
.
Procura no Estado aumenta 10 vezes em três meses
Stiglitz alerta para “bolha”. Foto: Divulgação
A crescente valorização do bitcoin e de outras moedas virtuais despertou o interesse de milhares de investidores ao redor do mundo, inclusive no Espírito Santo.
De acordo com o investidor e consultor do Libertas Bank, Daniel Herkenhoff, a procura pelo investimento em criptomoedas aumentou 10 vezes nos últimos três meses no Estado.
“Muitas pessoas têm procurado, e é um investimento que não tem necessidade de intermediários, de corretores. Se você quiser comprar R$ 10 em bitcoins, você consegue”, afirmou ele.
Entretanto, muitos analistas, incluindo Joseph Stiglitz, vencedor do prêmio Nobel de Economia, acreditam que o bitcoin será a maior bolha financeira da história mundial.
“Por que as pessoas querem bitcoins? Por que as pessoas querem uma moeda alternativa? A verdadeira razão pela qual as pessoas querem uma moeda alternativa é para participar de atividades ilícitas: lavagem de dinheiro e evasão fiscal”, afirmou Stiglitz.
Apesar das advertências feitas pelos economistas, governos e bancos centrais, os investidores seguem apostando no crescimento do mercado das criptomoedas.
.
Salários em dinheiro digital
Pagamento a funcionários será em bitcoin em empresa japonesa. Foto: Reprodução
Uma empresa do Japão anunciou que vai pagar parte dos salários dos empregados em bitcoins a partir do próximo ano, como uma forma de conhecer melhor o funcionamento da moeda virtual.
Os funcionários da empresa GMO Internet poderão receber até 100 mil ienes (R$ 2.970) de seu salário em forma de criptomoeda. O primeiro pagamento será feito em fevereiro.
“Os empregados podem receber salário em bitcoin, se quiserem. Esperamos melhorar nossa compreensão da moeda virtual, usando-a”, explicou a porta-voz da empresa, Harumi Ishii.
Essa oferta estará disponível para os cerca de 4 mil funcionários do grupo no Japão, detalhou a representante da empresa, que iniciou as operações de troca de bitcoins no último mês de maio.
A ideia da empresa é que, já em janeiro, consiga começar o processo conhecido como mineração, em que a aprovação de transações de terceiros recompensa com uma pequena fração da moeda.
A companhia garante que o pagamento em moeda digital será facultativo. Aqueles funcionários que preferirem o pagamento em dinheiro poderão continuar recebendo dessa forma.
.
Reportagem especial de Fernando Bianchi para o jornal A Tribuna do dia 18/12/2017