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Fantasia de meme do WhatsApp gera demissões

A multinacional Salesforce produz softwares para empresas como Embraer, iFood e SulAmérica. Como fazem muitas empresas, ela promoveu uma festa de ...

Fantasia de meme do WhatsApp gera demissões
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A multinacional Salesforce produz softwares para empresas como Embraer, iFood e SulAmérica. Como fazem muitas empresas, ela promoveu uma festa de final de ano para os funcionários em dezembro passado. A descontração na filial brasileira, porém, extrapolou os padrões aceitáveis pela matriz americana e acabou levando à troca no comando da subsidiária.

A área de recursos humanos entendeu que seria divertido promover um concurso de fantasia na confraternização anual, com premiação em dinheiro aos três melhores paramentados.

O primeiro colocado levaria R$ 3.000. A votação ficaria a cargo dos cerca de 250 participantes da festa.

Um dos funcionários, Daniel Prado, que atuava na área de vendas, quis fantasiar-se como um meme popular que circula no aplicativo WhatsApp, chamado de “Negão do WhatsApp”. Vestiu camisa azul, colocou uma toalha no ombro, chapéu rosa e improvisou uma prótese para imitar o pênis do personagem.

Fantasia de meme do WhatsApp gera demissão Foto: Reprodução

Ficou em quarto lugar no concurso de fantasias e foi parar no centro de uma foto, ao lado do diretor comercial e de outras dez pessoas, todas se divertindo.

Na matriz, em San Francisco, nos EUA, aonde a imagem com o fantasiado chegou, deflagrou uma crise.
As versões sobre o impacto da imagem divergem. Uma delas, que circula na internet, diz que a direção da companhia teria pedido a demissão do funcionário, mas o diretor comercial, Rodrigo Pinto, tentou mantê-lo no cargo, argumentando que no Brasil as pessoas são mais liberais.

A sede, então, teria decidido demitir também o diretor comercial. Teria sido a vez de o presidente da multinacional no Brasil, Mauricio Prado, interferir, alegando que a punição era exagerada, pois aquilo não passara de brincadeira.

A matriz acabou demitindo o funcionário, o diretor e o presidente.

Executivos próximos ao caso negam a versão e dizem que os três foram demitidos juntos, no mesmo dia (18 de dezembro). Afirmam ainda que o RH não impôs qualquer limite às fantasias e que não houve reclamações a respeito do traje durante a festa.

Outros dois funcionários, fantasiados como personagens principais do filme “As Branquelas” – em que dois policiais negros se travestem de patricinhas brancas –, foram suspensos pela empresa até segunda análise.

A reportagem apurou que pessoas próximas ao caso consideraram a punição dos funcionários demitidos exagerada e contraditória com o discurso da empresa de ser aberta à diversidade.

Procurada, a Salesforce confirmou os desligamentos dos funcionários e disse que, por protocolo interno, não comentaria a saída de profissionais. Falou ainda que os executivos “trouxeram importantes contribuições para a Salesforce durante suas atuações na companhia”.

“Enrique Ortegon, que dirige a operação na América Latina, assume a função de General Manager para Brasil e países hispanos”, conclui a nota.

Reportagem: Felipe Oliveira e Danielle Brant (Folhapress)

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