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VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO

Doméstica é atropelada e perde parte da perna

Angela Maria, de 65 anos, foi atingida enquanto seguia para o trabalho e andava na calçada. O motorista não tem habilitação

Doméstica é atropelada e perde parte da perna
- O Fiat Uno dirigido pelo motorista sem habilitação bateu em outro veículo antes de atingir Angela (destaque)

Última atualização

 













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Há cerca de dois anos, a rotina da doméstica Angela Maria Freitas Ferreira, de 65 anos de idade, era a mesma: acordar e seguir para o seu trabalho, na Praia do Canto, em Vitória.

Só que ontem, por volta das 8 horas, ela foi impedida de chegar ao seu destino, pois no trajeto, em Gurigica, mesmo bairro em que mora, foi atropelada por um motorista sem carteira de habilitação. 

Socorrida em estado grave, Angela teve que amputar parte da perna, pouco acima do tornozelo esquerdo. Ela segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Consta no boletim de atendimento do Ciodes que os policiais foram até o local do atropelamento e se depararam com um “grande tumulto”, sendo necessário conter a população que tentava agredir o motorista que a atropelou.

Os policiais constataram que o motorista não era habilitado e dirigia um Fiat Uno e, após bater  em um Toyota Corolla no sentido contrário, atingiu a vítima.

Foram realizados testes do etilômetro (bafômetro) nos dois condutores e ambos apresentaram resultado negativo.

O condutor do Corolla, que tem 51 anos e pediu para o seu nome ser preservado, contou que o motorista do Uno portava uma arma de fogo, semelhante a uma pistola.

“Ele saiu normalmente do carro e tentou pegar a chave do veículo, mas a população tentou contê-lo para ele prestar socorro à senhora. Nesse momento, ele falou que iria atirar se alguém colocasse a mão nele. Nesse meio tempo, ele saiu correndo com a arma em punho. Depois foi alcançado, mas já estava sem a arma”, contou a testemunha.

Ele também falou sobre o atropelamento. “Ela (doméstica) perdeu muito sangue. A senhora, coitada, andando no lugar certo, na calçada, ser atingida por causa da irresponsabilidade do motorista, uma pessoa inabilitada para dirigir um carro”.

A Polícia Civil informou que o homem assinou um termo circunstanciado (TC) por ter fugido do local do acidente e por não ter prestado socorro. Ele foi liberado após assumir o compromisso de comparecer em juízo. Não teve pagamento de fiança.

“Acabou com a vida da minha mãe”

 













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Sem esconder a revolta em saber que o motorista que atropelou a doméstica Angela Maria Freitas Ferreira foi liberado após prestar depoimento à polícia, sua filha  Leidiane Ferreira, 40 anos, disse à reportagem que vai lutar  até o fim, junto com a família e amigos, para seja ele preso e pague pelo crime que cometeu contra a sua mãe.

Leidiane ficou praticamente o dia inteiro em frente a 1ª Delegacia Regional de Vitória (antigo DPJ), aguardando o desfecho do caso.

A Tribuna – Como a sua mãe está? Ela já sabe que perdeu parte da perna?

Leidiane Ferreira –  Ela está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), tomando morfina e antibióticos  para suportar a dor, mas ainda não sabe da amputação.

Ela está consciente e pediu para ver o machucado, mas as  enfermeiras disseram que ela deveria ficar quietinha e não ver neste momento por causa do risco de infecção. 

É uma notícia difícil de dar. Amanhã (hoje),  no horário da  visita, entre 14 e 15 horas,  devemos conversar com ela, ao lado de uma assistente social. Ela está internada no Hospital São Lucas.  

Após ser atropelada, a sua mãe permaneceu consciente?

As pessoas disseram que ela gritava muito de dor e dizia: socorro, me ajuda, me ajuda. Fiquei desesperada ao receber a notícia e revoltada porque o cara que a atropelou não prestou socorro. 

O que vocês esperam que aconteça a partir de agora? 

Queremos Justiça! Como um motorista, sem carteira, atropela  um pedestre na calçada, pega uma arma, ameaça as pessoas é liberado pela polícia e ainda sai pela porta da frente da delegacia sem, sequer, pagar fiança?

Não vamos nos calar e vamos lutar até o fim para que ele seja preso e pague pelo crime que cometeu. Ele tem que pegar pena máxima. 

Vamos recorrer à Delegacia de Delitos de Trânsito. Ele acabou com a vida da minha mãe. Ela gostava de fazer caminhadas, de sair para fazer comprinhas e de trabalhar. E agora, como vai ser? 

Ela não morreu, mas perdeu parte da perna, isso é muito grave. Estamos organizando um protesto pacífico para pedir Justiça.

Acusado alega defeito no carro

O motorista acusado de atropelar a doméstica Angela Maria Freitas Ferreira, de 65 anos, afirmou que perdeu o freio do veículo ao descer pela  rua Dr. Américo de Oliveira, em Gurigica, Vitória.

Em entrevista à TV Tribuna, ele contou que, ao perceber que os freios não funcionavam,  tentou puxar o freio de mão, quando o carro desgovernou. “Travou as rodas, então o meu veículo foi pra cima do outro que vinha na contramão”.

Ele afirmou que não viu a doméstica ao rodar com o carro e bater no poste. “Eu só vi na hora que todo mundo me agarrou. Fiquei assustado porque não tenho habilitação”.

Ao ser questionado sobre a informação de que teria se recusado a prestar socorro e saído com uma arma do veículo, o motorista negou. “Gente, eu sou trabalhador, trabalho no posto de gasolina”.

Após ser liberado, o advogado dele, Matheus Pacheco, disse que o motorista teria trabalhado a noite toda em um posto de gasolina e que estava voltando para casa, quando perdeu o freio.



OUTROS CASOS

Perseguição e morte

No mês passado, dia 7, uma  perseguição entre criminosos  e polícia terminou em tragédia, em  Eldorado, na Serra. A auxiliar de serviços gerais Acinolia Meireles dos Santos,  38 anos, morreu atropelada pelo carro que era conduzido pelos bandidos. Ela levava o filho e a sobrinha, ambos de 8 anos, à escola.

Os três seguiam pela calçada, quando o veículo perdeu o controle, capotou e atingiu as vítimas. Segundo testemunhas, ela  teria empurrado as crianças, na tentativa de protegê-las.

Dia das Mães de dor

Um Dia das Mães marcado por tristeza para a família do pedreiro Paulo Henrique Comenotti, de 50 anos. Ele morreu após ser atropelado  por um ônibus do Transcol, em maio deste ano, em São Benedito, Cariacica, após ele ter saído para comprar temperos.

A vítima, de acordo com familiares, tinha acabado de sair de casa para comprar os produtos para o almoço que aconteceria na casa da mãe dele, uma senhora de 71 anos. Moradores acompanharam a perícia no local.

Salvou neto de 3 anos

Após salvar o neto, uma mulher de 55 anos morreu atropelada por um ônibus escolar às margens da BR-101, na comunidade de Bela Vista, em Atílio Vivácqua, Sul do Estado, no último  dia 9.  Dona Vanda, como era conhecida e foi identificada, morreu depois de tentar evitar o atropelamento do neto, de 3 anos, que retornava da escola. 

Testemunhas relataram que o veículo passou por cima do pé do menino. A avó, na tentativa de salvá-lo, acabou sendo atingida e morreu no local.

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