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GOLPE

Morena acusada de golpes do Pix

Comerciantes da Praia do Canto foram à Polícia denunciar uma bela mulher que faz compras e finge que paga, mas não conclui a operação

Morena acusada de golpes do Pix
- Cesar Saade Junior, da Associação Comercial, diz que a acusada agenda o pagamento via Pix e cancela a operação

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Ela é morena, jovem, bonita, só anda com roupas de marca e é seguida por pessoas conhecidas da sociedade capixaba nas redes sociais. Esse é o perfil de uma mulher que está sendo acusada de dar golpes do Pix a comerciantes na Praia do Canto, em Vitória.

Amargando no prejuízo, alguns procuraram a polícia para denunciá-la por estelionato e irão recorrer à Justiça na tentativa de reaver os valores perdidos.

Cesar Saade Junior, presidente da Associação Comercial da Praia do Canto, acredita que dezenas de comerciantes foram vítimas. “Tenho conhecimento de que pelo menos seis a denunciaram, mas com certeza o número é bem maior. Por mês, o prejuízo chega a R$ 15 mil. À medida que o caso é divulgado, novas vítimas vão aparecer”.

A principal estratégia é, em vez de fazer a transferência, a acusada agenda o pagamento e, antes da data, cancela a operação. 

Cesar Saade diz que quem vende acaba não conferindo todas as informações relacionadas ao pagamento na hora e só depois percebe que foi vítima de um golpe.

“Quando o comprovante é enviado por meios eletrônicos, como WhatsApp, ela pode alterar a imagem para tentar esconder informações do agendamento. Além disso, no próprio corre corre diário, especialmente em datas comemorativas, nem sempre o lojista confirma se a transação foi efetuada com sucesso, já que essa mulher  é conhecida aqui por ser uma cliente antiga e, até então, uma pessoa acima de qualquer suspeita”.

Uma das vítimas que procurou a polícia foi uma empresária, de 41 anos. Na sua loja, de roupas femininas, a acusada deixou um prejuízo de aproximadamente R$ 4.400, acumulados há três meses.

Pedindo para o seu nome ser preservado, a empresária contou que a mulher é uma cliente antiga, que pagava as suas compras. “Ela chegava a levar peças de roupas para casa para provar e retornava e comprava algumas peças. O seu padrão de compra, por mês, é de R$ 600”. 

A empresária disse que a mulher, que se apresenta como engenheira, chegou a dizer que a culpa era das funcionárias. “Ela retornou à loja e foi comunicada do prejuízo e culpou as minhas funcionárias por não olharem se a transação foi efetuada com sucesso. Ela prometeu pagar as compras há cinco dias, mas uma semana se passou e nada. Terá de se explicar à polícia e Justiça”.

Foto compartilhada no celular

Uma estratégia usada pelos comerciantes para evitar que outros caiam no golpe foi compartilhar a foto da acusada em grupos de WhatsApp. 

Foi assim que uma gerente de uma loja de roupas femininas multimarcas, de 40 anos,  recebeu o alerta e confessa: “Fique em choque, pois não imaginava que ela seria capaz de fazer isso. Mas estamos atentas aqui”.

Roupas de marca

“Ela só veste roupas de marca e anda com bolsas caras e roupa de academia. Aliás, ela malha aqui do bairro. Dia desses a vi toda arrumada embarcando em um ônibus e achei estranho”, disse uma vendedora, de 35 anos. 

A vendedora conta que quando soube do golpe, ficou sem entender. “Antes do Pix ela comprava com cartão e pagava direitinho”.

Desmascarada no caixa

Uma gerente de uma loja do ramo alimentício contou que há cerca de dois meses  a acusada tentou pagar uma compra no valor de R$ 200. 

Só que a sua funcionária percebeu que a transação não foi concluída e ela disse que depois retornava. “Aqui ficamos espertos e só liberamos a compra depois de consultar o extrato e confirmar que o dinheiro caiu na conta”.

DELEGADO PEDE DENÚNCIAS

Diante de golpes como este denunciado por comerciantes da Praia do Canto, em Vitória, o titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, orienta que os lojistas, além de denunciar, fiquem de olho na compensação do valor pago pelo cliente.

Ele disse que a autora denunciada na Praia do Canto pode ser enquadrada no crime de estelionato, se ficar comprovado que ela cometeu o crime. A pena, no caso de fraude eletrônica, pode chegar a oito anos de reclusão.  

O delegado também deu dicas para evitar prejuízos. “A partir do momento que a pessoa faz a transferência, o Pix é feito de forma imediata, cai na conta da empresa de forma imediata. Então, o lojista tem que conferir imediatamente se o dinheiro caiu na conta. Se não olhar, pode ficar suscetível a golpes. Tem que ficar atento também a transferências programadas”.

Dicas de Segurança

Fuja de armadilhas

Cuidado com pedidos de Pix por WhatsApp

Os golpistas conseguem clonar contas do WhatsApp e, quando isso acontece, eles se passam por amigos ou familiares e pedem que uma determinada quantia seja transferida via Pix. Desconfie e antes de fazer a transferência  confirme com a pessoa por telefone (ou pessoalmente).  

QR Codes falsos

Sem dúvida, QR Code agiliza o processo de transferência e pagamento, eliminando a necessidade de inserir uma chave Pix. Mas antes de concluir qualquer transação utilizando esse método, verifique se o valor que consta no QR Code e a conta de destino estão corretos para evitar que a quantia enviada caia nas mãos de golpistas.

Nunca informe sua senha

Atenção: a  senha bancária é única e não se enquadra como uma chave Pix, então jamais a compartilhe com  terceiros. Na hora de receber uma quantia, informe para a pessoa apenas a chave cadastrada no banco (CPF, e-mail, chave aleatória ou número de telefone).

Wi-Fi público

Evite redes Wi-Fi públicas, pois elas podem conter vírus que colocam em risco seus dados bancários. Caso esse tipo de conexão seja necessária, não realize transações via Pix (ou de qualquer método) enquanto estiver conectado.

Site e aplicativo do seu banco

Se deseja fazer pagamentos, cadastrar uma chave ou realizar qualquer transação via Pix, utilize o aplicativo ou site oficial do seu banco. 

Também evite clicar em links recebidos por SMS ou e-mail, já que eles podem redirecionar a pessoa  para sites falsos que vão roubar seus dados.

Consulta a extrato

Na hora de receber pagamento via Pix de uma pessoa, só libere o produto após se certificar via extrato bancário que o dinheiro  caiu na conta. 

Fonte: Polícia Civil, Associação Comercial da Praia do Canto e pesquisa AT.

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