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Ao contrário da variante original, a subvariante BA.2 da ômicron é mais agressiva e pode afetar os pulmões, segundo um estudo inédito.
A circulação da BA.2 do coronavírus já foi confirmada no País, com pacientes infectados em São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Especialistas afirmam que na variante ômicron original (BA.1), a preferência era pelas vias aéreas superiores, como nariz e boca, em vez dos pulmões. Esse fato é apontado como um dos motivos da menor letalidade da nova variante.
O estudo feito por pesquisadores japoneses das universidades de Tóquio, Kumamoto, Hokkaido e Kyoto, que ainda não foi revisado, apontou que a nova subvariante atingiu os pulmões de camundongos de forma “significativamente maior” do que a variante original.
Na pesquisa, os cientistas observaram que a capacidade de reprodução da BA.2 é 1,4 vezes maior que a apresentada pela cepa original. Eles concluíram também que a subvariante é resistente à imunidade induzida pela ômicron original. Ou seja, quem se infectou com uma cepa pode ser contaminado com a outra posteriormente.
A pneumologista Jessica Polese acredita que a pesquisa é uma nova informação. “Avançamos muito na capacidade técnica de detecção, e isso gera esse tipo de informação, que, na prática, ainda não sabemos se terá grande impacto. Teremos essa subvariante circulando como temos a BA.1”, destaca.
A médica aponta que a subvariante BA.2 da ômicron parece ser mais infecciosa do que a BA.1. “Não sabemos muita coisa sobre ela. O que sabemos é que ela consegue atingir o pulmão, diferente da ômicron original. Por chegar ao pulmão, sempre pensamos que a gravidade é maior, mas isso não é uma verdade absoluta, porque a subvariante pode atingir o pulmão e não ser ter tão inflamatória quanto outras variantes”.
Segundo a pneumologista Ciléa Victória Martins, há muitos casos de pessoas contaminadas pela ômicron que tiveram a parte pulmonar comprometida. “Principalmente pessoas não vacinadas e imunossuprimidas. Temos uma grande quantidade de crianças atingida, o que não tínhamos com as cepas anteriores. Teremos novas mutações. Por isso, temos de vacinar com todas as doses”.