Após ver a mãe ser enforcada e levar socos do próprio marido, uma adolescente, de 17 anos, resolveu entrar no meio da briga. Ela deu um mata-leão no padrasto, que chegou a desmaiar. Mas depois ele continuou com as agressões, e acabou preso.
O caso aconteceu no bairro Lagoa de Jacaraípe, na Serra, na madrugada de ontem. Tudo começou depois que o marido da vítima, um homem de 46 anos, saiu com o carro pelo bairro, fazendo manobras perigosas e batendo com o veículo.
“Várias pessoas me ligaram dizendo que ele tinha batido o carro mais de uma vez. Quando ele chegou aqui, eu perguntei o que era aquilo e ele já veio para cima de mim no quarto”, contou a empresária, de 44 anos, que preferiu não se identificar.
O homem chegou a trancar a porta do quarto enquanto enforcava a empresária em cima da cama. Ouvindo a confusão, a filha tentou ajudar. A mãe conseguiu destrancar a porta e a adolescente foi para cima do criminoso.
“Ela entrou e deu um mata-leão nele, jogando-o no chão. Ele desacordou durante uns minutos e chamamos a polícia”, relatou.
Quando os policiais chegaram, a empresária desistiu de prestar queixa. Mas assim que eles saíram, o agressor pegou uma enxada e foi atrás das duas, que correram pelas ruas do bairro até a empresa da mulher, onde pediram ajuda. Lá, o homem fez mais ameaças.
A polícia foi chamada novamente e conseguiu capturar o homem, que chegou a pular muros de casas para tentar escapar. Ele foi autuado por lesão corporal e ameaça. Ontem, ele foi encaminhado ao presídio. Segundo a empresária, o acusado já tem passagem por homicídio.
Antes de ir ao presídio, o agressor foi questionado pela imprensa e só balançou a cabeça em negativa quando perguntado se tinha batido na mulher e enteada.
O casal estava junto há três anos. “Agora vou trabalhar, seguir minha vida. Até então, quando era só eu, tudo bem, mas agredir minha filha? Meu medo é mais tarde ele ser solto na audiência de custódia”, desabafou a vítima.
“Ali eu vi a morte muito de perto”, disse a empresária
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Após ser agredida pelo marido no bairro Lagoa de Jacaraípe, na Serra, uma empresária, de 44 anos, desabafou sobre como era a relação dos dois.
Juntos há três anos, o primeiro sinal de violência surgiu logo no sexto mês de namoro. Ela, que preferiu não se identificar, ainda deixou um recado para mulheres vítimas de seus maridos.
A TRIBUNA – A polícia chegou e você preferiu não denunciar. Por quê?
EMPRESÁRIA – Me arrependi de não querer levar o caso para frente da primeira vez. Achei que iria passar. Não existe perdão para agressão de homem. Me sinto muito envergonhada e triste.
Ele já tinha te agredido?
Ele já tinha histórico de agressão com ex-mulher, comigo. Ele falava palavras de baixo calão, depois pedia desculpa porque dizia que estava com raiva no momento. A primeira agressão foi com seis meses de relacionamento.
Qual foi o sentimento na hora das agressões?
Ali eu vi a morte muito de perto. Se a minha filha não soubesse as técnicas de imobilização e a polícia não tivesse insistido, a gente estaria morta agora.
Você deixaria algum recado para mulheres que passam por isso?
As ameaças vêm, depois eles pedem desculpa e a gente acha que vai ficar tudo bem. Mas não está e não vai ficar. Quem ameaça tem coragem de fazer. As mulheres acham que o cara não tem coragem de matar, mas tem sim. A partir do momento que levantou uma mão para você, ele vai te matar. É só ficar atenta.