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POLÍCIA

Mulher cai no golpe do amor e é impedida de ver a família

Universitária conta que a irmã, de 32 anos, foi obrigada a ir às ruas pedir dinheiro com o golpista que conheceu pela internet

Mulher cai no golpe do amor e é impedida de ver a família
- Universitária contou como a irmã foi enganada. Família descobriu o que o vigarista fazia e foi à polícia

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Foi na rede de social que uma mulher conheceu um rapaz que ela achava que seria o grande amor da sua vida. Atraída por belas palavras, até mesmo religiosas, e pelas características físicas, não demorou muito para os dois marcarem um encontro. 

Só que a história teve um desfecho bem diferente do planejado: ela caiu no golpe do amor e ainda foi impedida de ver a família.

A história começa em fevereiro deste ano, como conta  uma universitária de 38 anos, irmã a vítima.  

Sob ameaças e sendo agredida em vários momentos, a vítima, que  tem 32 anos e está em um local seguro e sem comunicação, foi obrigada a ir embora com o homem no mesmo dia que se conheceram.

O primeiro destino foi Linhares, seguido da Grande Vitória. A universitária conta que a irmã foi obrigada a ir às ruas pedir dinheiro com o golpista, dizendo para as pessoas que ela não estava bem de saúde.

Esse dinheiro era usado para pagar hoteis, inclusive. Durante o tempo que a vítima ficou com o golpista, ela só conseguia falar com a família  eventualmente, geralmente por mensagens.

Só que sua irmã percebeu que a linguagem usada era diferente. Somente depois a família descobriu que o vigarista tinha vendido o celular da vítima e colocado o chip dela no aparelho dele. 

Assim, se passando por ela, o criminoso conversava com a família dela e até pedia dinheiro para lanchar. Duas transferências chegaram a ser feitas, totalizando R$ 88.

Se passando pela vítima e dizendo que queria voltar sozinha para casa, na Bahia, ele pediu para a família comprar uma passagem de ônibus e pagar uma diária no hotel, no valor total de R$ 420.

Só que, desconfiada, ela pediu que a irmã mandasse foto do hotel e contato para que  pudesse fazer a transferência. Ao passar a imagem pelo celular, ela viu os sapatos do golpista e descobriu a farsa. 

Imediatamente, ela ligou para o hotel, em Linhares, e a recepcionista, com voz estranha,  informou que havia um casal no local. “Descobri, então, que a minha irmã não estava sozinha”. 

No final do mês passado, o telefone do marido da universitária toca. Do outro lado da linha, um policial fala o nome da vítima e pergunta se ele a conhece. Finalmente, a  jovem é resgatada.

“As mulheres não podem se iludir”, universitária, irmã da vítima

Pedindo solução para o caso da irmã e alertando outras mulheres sobre o golpe do amor, uma universitária de 38 anos conversou com a reportagem nesta quarta-feira (15). 

Devido a gravidade do caso, com ameaças de morte à irmã e aos familiares, a universitária pediu para que  os nomes fossem preservados, já que o criminoso ainda está solto.

A Tribuna – Como foi que encontraram sua irmã? 
Universitária – Não tenho muitos detalhes ainda, pois depois do ocorrido o foco foi cuidar da saúde dela. Ela ficou internada por sete dias e nasceu de novo. 

Mas soube que ela estava em Vila Velha e  conseguiu escapar das mãos desse criminoso. Ele ainda foi atrás e disse que era para ela o acompanhar, pois um pastor os esperava. Como ela não cedeu, ele  fugiu antes de ser preso. 

O pedido de socorro foi a um  policial militar. Na hora, ela estava sem telefone e, com muita dificuldade, falou que era  fácil encontrar o contato do meu marido na internet, pois ele é prestador de serviço. O policial pesquisou e ligou para o celular dele por volta de 1h20.  

A Tribuna – Vocês falaram com ela nesse momento?
Universitária – Fizemos uma ligação por vídeo e vi que era a minha irmã. Ela estava muito machucada e não dava para entender quase nada que ela dizia. Ela ficou internada por uma semana, teve várias costelas fraturadas.  

Ela não morreu por milagre. Os médicos disseram que ela não passava mais de três dias, pois tinha água no pulmão. Ainda bem que conseguiu escapar das mãos desse monstro.

 













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A Tribuna – Os dois realmente se conheceram na internet?
Universitária – Sim. Eles se conheceram por uma rede social e logo marcaram um encontro presencial. Ele estava em Linhares. No início, era um cara boa pinta, simpático, dizia que tinha um bom emprego em Linhares. Falava que pregava na igreja. Ele tinha uma boa lábia. Eu até ouvi as mensagens que ele mandava pelo WhatsApp e vi que o camarada falava bem.

A Tribuna – Mas sua irmã ficou três meses com ele e, segundo vocês, ela ia para a rua pedir dinheiro.  Por que não pediu ajuda?
Universitária – Ela não tinha coragem. Ele é um homem grande, alto. Ela é pequena e magrinha. Ele dizia que iria matá-la e matar os irmãos se ela abrisse a boca.

A Tribuna – Qual o apelo que faz agora?
Universitária – Que o caso seja investigado pela polícia e que ele seja punido com o rigor da lei. Felizmente, a minha irmã está viva, mas sofreu muito nas mãos de um camarada que conheceu na internet.

A Tribuna – Sobre o golpe do amor, qual o alerta que deixa?
Universitária – As mulheres devem abrir os olhos, não devem se  iludir com rostinho bonito, uma boa lábia e promessas de uma vida melhor. Elas devem ficar atentas, pensar friamente, estudar o contexto de tudo, ter amor-próprio.

Além disso, devem conhecer a família. Ele, por exemplo, não queria conhecer a nossa família. Isso era um sinal que a minha irmã, infelizmente, não percebeu.

Polícia Civil investiga caso e pede denúncias de acusado

A Polícia Civil informou ontem  que o boletim de atendimento da Polícia Militar foi registrado como estupro e entregue na Delegacia de Plantão Especializado da Mulher (PEM), no último dia 1º, sem suspeito conduzido. 

“O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vitória, que está realizando diligências para esclarecer os fatos com precisão e, até o momento, nenhum suspeito de cometer o crime foi detido”, disse, por meio de nota. 

A população pode denunciar através do Disque-Denúncia (181) qualquer tipo de irregularidade, ilegalidade ou repassar informações que ajudem as polícias na elucidação de delitos ou infrações. 

A ligação é gratuita e pode ser realizada em qualquer município do Estado.

No Boletim de Ocorrência consta que a polícia foi acionada pelo Ciodes para ir até o hospital em Vitória para onde a vítima foi levada. Lá, ela relatou que foi mantida  em cárcere privado, por cerca de três meses, pelo seu companheiro. A vítima tinha sinais de agressão .

Maioria empresta dinheiro para o parceiro

Nas histórias de amor que “nascem” na internet, a maioria das vítimas, totalmente envolvidas, acabam emprestando dinheiro para o parceiro. Só que, ao final, elas ficam no prejuízo.

Eduardo Pinheiro, especialista em Crimes Cibernéticos, pede que as pessoas fiquem atentas e não caiam nas armadilhas de vigaristas.

Um dos casos que ele conta é de uma aposentada, de 55 anos, que perdeu R$ 40 mil. “Ela não tinha o dinheiro e pegou a quantia emprestada com um agiota da Serra”.

Ela entregou o dinheiro para o namorado virtual, que prometeu pagar após 30 dias. “Depois, ele sumiu e o agiota começou a cobrar e, sem ter como pagar, ela foi ameaçada de morte. Ela teve a saúde física e psicológica abaladas. Entrou em depressão. Isso é muito triste”.

Em outro, uma vítima foi alertada por cinco filhas que estava caindo em um golpe e ela dizia que as filhas não queriam vê-la feliz. O caso parou na polícia.

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