Em um mês dedicado à comunidade LGBTQIA+, mais um caso de homofobia foi registrado na Grande Vitória. Dessa vez, a vítima é um professor de 24 anos, agredido com um soco no rosto por um aluno da escola onde trabalha, em Vila Velha.
A violência foi registrada na última sexta-feira, dentro da secretaria de uma escola municipal que fica em Vale Encantado. O agressor é um adolescente de 15 anos, que, segundo a família, teria problemas psiquiátricos.
A agressão aconteceu no momento em que a vítima, que também atua como coordenador, se ofereceu para ajudar o jovem, após ele relatar que estaria passando mal.
“Ele se levantou da cadeira que estava sentado, lá dentro da secretaria e me deu um soco na boca”, contou o professor, que preferiu não ser identificado.
Após a agressão, o adolescente ainda teria aproveitado para proferir palavras homofóbicas para a vítima.
“Quando ele me viu sangrar, ele disse uma palavra homofóbica. Fiquei sem reação! Logo em seguida, os demais funcionários que estavam ali, afastaram ele mim”, relatou o professor emocionado.
A Guarda Municipal e a Polícia Militar foram acionadas e os pais do menino chamados na escola. “Só que a polícia não o conduziu. Eles chegaram lá e pegaram o flagrante, mas o aluno não foi levado”, afirma o docente.
Ferido, o professor foi levado até o Pronto Atendimento (PA) da Glória, onde recebeu os primeiros socorros. “Lá eu fiz uma cirurgia, levei um ponto e meus dois dentes foram reposicionados, já que eles quebraram. Mas ainda não sei se vou perdê-los”, disse.
Segundo a vítima, essa não foi a primeira vez que o adolescente teve comportamentos homofóbicos na escola. “Em outra situação, ele chutou a cadeira durante a aula com uma professora e, ao conversar com ele, fui ofendido com palavras homofóbicas”, disse.
O docente também falou sobre a homofobia no País. “Vivemos em um país que fecha os olhos para este tipo de violência. Infelizmente entrei para essas estatísticas”.
Assistência clínica e psicológica
Em nota, a Prefeitura de Vila Velha disse que a Secretaria de Educação, em parceria com a Saúde, está dando toda assistência, tanto clínica quanto psicológica, ao profissional que foi vítima de agressão.
“Assim que o incidente aconteceu, o coordenador foi socorrido e atendido no PA da Glória, recebendo medicação no local. Também foi agendada consulta no próximo sábado para que ele retorne ao PA para nova avaliação e acompanhamento. Após a consulta, caso necessário, ele será encaminhado para a odontologia”, disse um trecho da nota.
Além disso, a prefeitura informou também que profissionais da saúde irão realizar a assistência psicológica. O primeiro contato estava agendado para hoje e novos encaminhamentos devem ser tomados nos próximos dias.
“Vale ressaltar que a equipe escolar está em contato com o profissional diariamente”, disse o órgão em outro trecho da nota.
Embora a vítima tenha relatado que a ocorrência foi atendida pela Polícia Militar, o órgão disse que “a ocorrência ficou a cargo da Guarda Municipal”.
A prefeitura não se manifestou sobre a apreensão do menor, que foi liberado minutos depois da agressão.
Professor agredido
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Com a voz embargada e ainda assustado com o que viveu na última sexta-feira (24), o professor de 24 anos, agredido com um soco na boca por um aluno em Vila Velha, disse que ainda não conseguiu esquecer o momento da agressão.
“A cena não sai da minha cabeça”, disse a vítima em entrevista à reportagem de A Tribuna.
A Tribuna: Como foi a agressão?
PROFESSOR: Ele (aluno) me deu um soco na boca. Ele estava na secretaria da escola, onde foi pedir ajuda porque disse que estava passando mal. Como sou coordenador, fui até ele e perguntei o que ele estava sentindo, momento que ele se levantou da cadeira onde estava sentado e me deu um soco.
– Qual foi sua reação?
Eu fiquei sem entender porque foi algo gratuito. A ficha não caiu naquele momento. Só sei que eu me afastei dele e ele falou uma palavra homofóbica.
– O que houve depois?
Todos os funcionários que estavam ali o afastaram de mim e chamaram a Guarda Municipal e a Polícia Militar.
– E você?
Eu fui levado para o PA da Glória. Lá, fiz uma cirurgia, levei um ponto e meus dois dentes foram reposicionados porque eles caíram.
– A família do aluno te procurou?
Não.
– E esse aluno tem algum problema psiquiátrico?
Sei que ele tem esquizofrenia.
– Ele já cometeu outros atos homofóbicos na escola?
Teve um episódio que ele foi retirado da sala por uma professora por indisciplina. Quando fui na sala e chamei a atenção dele, ele chutou a mesa, usando de ofensas homofóbicas. Na época, ele foi suspenso da atividade e a família foi convocada à escola.
– E como está seu psicológico depois disso?
Estou aterrorizado até agora. A cena dele me agredindo volta a minha mente o tempo todo. Tenho dificuldade de dormir e sair sozinho. Vivemos em um País homofóbico que fecha os olhos para esse tipo de violência. Infelizmente entrei para essas estatísticas.