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ECONOMIA

Crescem as chances para quarentões e cinquentões no mercado de trabalho

Empresas têm buscado profissionais mais maduros, que mostram mais competências de autogestão

Crescem as chances para quarentões e cinquentões no mercado de trabalho
- Viviane Ribeiro Santos que faz parte de um time 40+

Última atualização

A pandemia fez com que muitas empresas passassem a ter um outro olhar sobre os profissionais mais maduros. Recrutadores têm percebido que muitas delas quebraram preconceitos em relação a quarentões e cinquentões, que passaram a ter mais chances para a maioria dos empregos. 

Um dos responsáveis por essa mudança foi o home office. A diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Alessandra Zanotti, explicou que essa forma de trabalhar acabou incluindo esses profissionais no mercado.

“A pandemia contribuiu para a redução do preconceito, do rótulo de que determinada geração não domina a tecnologia”,  analisou. Ela explicou que o que existem são pessoas que buscam ou não determinado conhecimento.

Nesse período, as corporações perceberam que os jovens estavam ficando muito nas redes sociais, conectados na hora do trabalho, com queda na produtividade e nas entregas, de acordo com a especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas.

“Mesmo em casa, eles estavam em horário de trabalho, postando em grupos, curtindo e comentando postagens nas redes sociais, enquanto as entregas caíram”. 

Enquanto isso, de acordo com a especialista, os profissionais mais maduros mostraram a competência de autogestão.

“As empresas viram que seria estratégico continuar com esses profissionais mais maduros, que normalmente têm uma maturidade emocional e resiliência maior. Muitas, que tiveram que demitir para cortar custos, se arrependeram”, apontou a especialista.

Doutor em Administração de Empresas e especialista em carreiras, identidades e diversidade nas organizações, o professor da Fucape, Bruno Felix, ressaltou que a pandemia demandou muita maturidades dos líderes para lidar com toda pressão.

“O valor da experiência cresceu de novo. Experiência e capacidade de lidar de maneira serena com eventos tão inesperados”, destacou o professor.

Especialistas observaram que profissionais de diferentes gerações têm competências e habilidades distintas. Que juntos eles se complementam na formação do time de uma empresa. Que não devem ser vistos como concorrentes, mas como profissionais complementares.

Responsabilidade e empatia

 













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A agente de vendas, Viviane Ribeiro Santos, de 40 anos, é uma das profissionais que atuam na empresa Sollo. Ela ingressou na empresa por meio de um programa voltado para pessoas de 40 anos ou mais, e vem se destacando.

“Eu ligo para os clientes buscando doações para várias instituições filantrópicas. Com experiência, a gente se põe mais no lugar do nosso provável doador”, contou. Além disso, destacou a responsabilidade que tem em relação ao próprio trabalho.

A superintendente de gestão de pessoas Maricelia Dias Leitão explicou que por meio do programa já são 40 pessoas dessa faixa etária trabalhando na empresa.

“As pessoas selecionadas têm habilidade de comunicação, resiliência, capacidade de adaptação, desejo e necessidade de estar inserido no mercado e ser produtivo”.

Preferidos para cargos mais altos

O mercado tem preferência por profissionais mais maduros para cargos de liderança geral e intermediária, conforme apontado pelo doutor em administração de empresas e especialista em carreiras, identidades e diversidade nas organizações, o professor da Fucape Bruno Felix.

“Para cargos de liderança, é esperado que essa pessoa tenha mais maturidade que uma  de 20, 30 anos”. Além disso, na visão de muitas empresas, a pessoa mais madura tende a ter mais dependentes, como marido ou esposa, além de filhos. 

“Tem mais pessoas dependendo dela e, essas pessoas, acabam sendo mais caras para o funcionário e para a empresa”. Explicou, por exemplo,  que um operador de máquina de 25 anos, que ganha R$ 2.500 pode considerar esse salário satisfatório. Já para um pai ou uma mãe, é uma renda menos satisfatória. 

“Esse funcionário de 25 anos tem mais chance de permanecer na empresa com esse salário do que um colaborador com mais idade. Profissionais mais maduros tendem a ter uma expectativa de salário maior”.

Além disso vem outras questões como mais dependentes no plano de saúde, auxílio creche, entre outras demandas. Nesse sentido, cargos mais altos trazem uma salário mais satisfatório para os profissionais mais maduros.

O professor apontou que os profissionais devem continuar sempre se qualificando para manter a empregabilidade. Além disso, maturidade e experiência são alguns pontos que contribuem para a busca por esses profissionais para determinados cargos.

O consultor de implantação Fábio Mattos, de 58 anos, dá consultoria de implantação para empresas em relação ao sistema de gestão da Sankhya. 

Para ele, sua maturidade teve influência na hora de conseguir a oportunidade: “Sinto que os clientes se sentem seguros em relação ao meu trabalho; não só por causa do meu conhecimento, mas também da minha experiência”.

Segundo Fábio, uma das habilidades que a maturidade o ajudou a desenvolver é a escuta. “A gente precisa saber ouvir o cliente”. Ele percebe também que os profissionais mais jovens são os preferidos para programação. “São ramos diferentes na mesma profissão”.

Saiba mais

Inclusão

> Com a pandemia, muitos profissionais maduros precisaram trabalhar em home office. Esse movimento contribui para a inclusão desses profissionais no ambiente digital. 

> Além disso, em momentos de crise em que é necessário resiliência e equilíbrio emocional, a experiência normalmente é mais valorizada.

> Algumas empresas que tiveram que demitir no início da pandemia optaram por desligar profissionais mais caros, contudo, muitas se arrependeram de perder esses profissionais e buscaram contratá-los novamente depois.

Cargos

> Os profissionais mais maduros são mais requisitados para cargos de liderança geral e intermediária, tais como gerente, coordenador, superintendente, diretor-geral, entre tantos outros.

> Normalmente a equipe tem maior aderência a profissionais mais maduros em cargos de liderança, mas jovens também estão ocupando esses espaços. Afinal,  já está comprovado que um ambiente diverso é muito mais enriquecedor tanto para os profissionais quanto para as empresas. 

Programas de inclusão

> Entendendo a importância da diversidade para uma organização, algumas empresas estão criando programas de inclusão para profissionais com 40 anos ou mais.

Fonte: especialistas citados na reportagem

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