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“Ele me colocou na mala e disse: ‘Dá para te enterrar viva’. Depois, levou a mala, a faca e as cordas e falou assim: ‘Vou dar um tiro na sua cabeça e colocar a sacola com fita pra não vazar sangue, porque depois vou te trazer dentro da mala, e ver o que faço com o seu corpo’”.
Esse relato foi de Juliana Aparecida da Silva, de 28 anos, após momentos de terror com o marido.
O caso aconteceu em Ibatiba e todo drama durou 24 horas, entre às 12h de terça-feira até às 12h do dia seguinte. Em entrevista à TV Tribuna, Juliana narrou detalhes de um crime que só não terminou em feminicídio porque ela conseguiu avisar uma vizinha por meio de um bilhete escondido.
Segundo a versão registrada pela Polícia Militar, durante patrulhamento pelo centro da cidade, foram acionados até o bairro Floresta e, ao bater na porta da casa do casal, o acusado, identificado como Raphael Oliveira Assunção Castro, perguntou o que estava acontecendo. Os militares viram a vítima, amarrada com um fio do ferro elétrico no pescoço e com hematomas no olhos.
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A suspeita das investigações é que o homem, de 26 anos, com quem ela convivia há sete meses, pretendia matá-la e fugir. Ele até já estaria com malas prontas. A vítima informou à polícia que a motivação pode ter sido uma herança de R$ 30 mil que ela recebeu recentemente.
A polícia ainda contou que a mulher chegou a ficar 14 horas em cárcere privado dentro da casa. As agressões teriam durado até por volta das 2 horas de quarta-feira, quando a mulher foi colocada amarrada em um carro e levada até outra cidade. Em seguida, foi jogada no meio do mato e teve a arma apontada para sua cabeça, sob ameaças de morte.
Na sequência, o homem pegou uma corda para enforcar a mulher, pediu o telefone dela e voltou para casa ainda fazendo agressões. Pela manhã, ele foi tomar banho e a mulher conseguiu jogar o bilhete para a vizinha.
Ele foi preso em flagrante e levado para a Delegacia de Venda Nova do Imigrante, onde foi autuado. A Justiça converteu a prisão em preventiva e expediu um mandado de prisão para o acusado e uma medida protetiva de urgência para a vítima. Com ele, foram apreendidos dois revólveres.
Entrevista | Juliana Aparecida vítima
“Fiquei um bom tempo apagada”
TV Tribuna – Como era a relação de vocês dois?
Juliana Aparecida – Todas as vezes que eu falava que queria me separar era uma agressão. Eu nunca podia sair da minha própria casa. Eu descobri uma traição dele esses dias, foi no dia que ele fez isso comigo, e resolvi terminar o relacionamento. Falei com ele que eu não queria mais nada. Peguei a mala e comecei a colocar minhas coisas dentro.
Como as agressões começaram?
Depois que tentei fazer as malas, eu virei e ele me deu um soco. Depois, foi me enforcando, e nisso eu já comecei a ver sangue. Eu apagava e acordava, apagava e acordava. Quando eu acordava, ele continuava me agredindo. Até que consegui levantar e ele pegou um fio de ferro elétrico e me enforcou. Dessa vez eu fiquei um bom tempo apagada e quando acordei ele estava com a mão na minha boca, dizendo para que eu ficasse quieta senão ele me matava.
O que ele dizia durante as agressões?
Por volta das duas horas da manhã, depois dele ter me enforcado e eu ter perdido muito sangue, eu fiquei muito fraca e quietinha. Quando era de madrugada, ele falou que ele ia me matar, mas antes eu precisava passar a senha do meu telefone para ele acessar meu aparelho.
Como você está agora?
Está muito difícil porque eu não sei em que momento ele vai sair (da prisão). Eu espero, do fundo do coração, que ele pague por tudo que ele fez comigo.
Ele chegou a te ameaçar antes?
Eu fui proibida de ligar até para o meu pai, para o meu filho durante o aniversário dele. Eu não podia ir numa padaria que ele ia atrás. Nunca mais pude sair sozinha. Eu tenho medo dele porque, por várias vezes, quando eu falava que iria terminar, ele ameaçava ir atrás do meu filho.