A disputa por uma colocação no mercado de trabalho continua acirrada. Para quem busca uma oportunidade e está de olho nos salários, um estudo revela quais as áreas com mais empregos e salários elevados.
O levantamento feito com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência, aponta que atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; eletricidade e gás; indústrias extrativas; atividades profissionais, científicas e técnicas, entre outras, têm se destacado.
No Estado, o salário médio de admissão de alguns setores, como agropecuária, comércio, construção, indústria e serviços é de R$ 1.699 neste mês, o que representa um aumento se comparado com junho deste ano, que era de R$ 1.661.
Já no País, o salário médio de contratação em empregos com carteira assinada foi de R$ 1.926,54 em julho.
O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, destaca que grande parte das convenções coletivas acontece de agosto a dezembro, inclusive do comércio.
“Os reajustes, no mínimo, aplicarão a alta inflação. Inclusive, o salário mínimo será corrigido acima da inflação e impulsionará a correção das faixas salariais próximas”.
Professora e pesquisadora da área de gestão de pessoas na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Kátia Vasconcelos observa que as remunerações variáveis tendem a ser cada vez mais valorizadas.
Ela cita exemplos sobre essa tendência: “Pode ser remuneração variável como forma de bônus, de participação nos lucros e resultados ou comissão onde se busca atrelar remuneração a desempenho das pessoas”.
Outro ponto observado por ela é que os maiores salários vão estar sempre direcionados para posições que sejam mais estratégicas dentro de uma organização, seja para cargos de gestão ou na hierarquia de conhecimentos, por exemplo. “É o caso de funções técnicas, em que o conhecimento é muito especializado e, consequentemente, é de mais difícil retenção e de seleção de profissionais”.
“Quero crescer”, diz recém-contratado
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Contratado há três meses, o auxiliar de estoque Romário Cornélio Lopes, de 32 anos, não esconde as suas intenções ao falar sobre carreira profissional: “quero crescer”.
Para isso, ele assegura que não mede esforços, bem como não abre mão da qualificação. Tanto é que está fazendo faculdade de Radiologia.
Romário integra o time de uma empresa de equipamentos e produtos para laboratório de análises clínicas. Por mês, ganha R$ 1.295, mais benefícios.
Entre os pré-requisitos tanto na hora da seleção quanto em uma eventual promoção, o empresário Andrizio Soares Cardoso, 44, observa alguns aspectos, como competência, agilidade, disponibilidade, raciocínio lógico e pessoas que, além de identificar um eventual problema, apontem soluções.
Especialistas falam de escassez e perspectivas
Em um mercado de trabalho cada vez mais exigente e sem medir esforços para recuperar prejuízos acumulados na pandemia da covid-19, especialistas falam de escassez e perspectivas para o futuro.
O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, salienta que a falta de mão de obra qualificada promove aumento de salário pela natural necessidade e procura.
Por outro lado, ele frisa que a economia, como um todo, está reagindo bem e que dinamiza o mercado de trabalho e promove melhorias salariais.
Otimista, ele fala do futuro. “Podemos estar certos de que para manter e expandir os nossos negócios, diante do cenário positivo que já vivemos e prevemos ainda melhor de agora em diante, vamos ter que promover ações visando reter os trabalhadores e contratar novos, sendo o aumento dos salários o principal fator”.
Sarah Rosado, da Suprema Consultoria RH, diz que no momento existem alguns profissionais escassos principalmente na área que envolve tecnologia.
Apesar da era digital, ela conta que algumas empresas ainda fazem exigências quanto ao perfil desejado de alguns profissionais, como obrigatoriedade do uso de uniforme, horário de entrada e saída.
“Então, além do profissional ter o currículo adequado ao cargo, precisa ter o dinamismo imposto pela era digital e ainda ter comprometimento com as regras impostas pela empresa contratante”.
Isso, segundo ela, representa um dificultador na hora da seleção.
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No País
– O Brasil registrou 218.902 novos postos de trabalho com registro em carteira no mês de julho. O saldo positivo é a diferença entre as 1.886.537 contratações e as 1.667.635 demissões.
– No acumulado do ano, o Brasil gerou 1.560.896 novos empregos formais entre janeiro e julho. Já no período de agosto de 2021 a julho de 2022 (últimos 12 meses), o saldo positivo chegou a 2.549.939 vagas geradas.
No Estado
– O Espírito Santo registrou 27 novos postos de trabalho com registro em carteira no mês de julho.
– No acumulado do ano, foram 32.618 postos abertos.
Admissões de janeiro a julho deste ano
282.251 admissões
249.633 desligamentos
Admissões Julho deste ano
36.865 admissões
36.838 desligamentos
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