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NOVO PERFIL DA SOCIEDADE

Preparação para o envelhecimento precisa ser mais veloz, dizem médicos

Segundo especialistas, a sociedade deverá se livrar de muitos preconceitos para lidar melhor com o grande número de idosos

Preparação para o envelhecimento precisa ser mais veloz, dizem médicos
- Daniela Barbieri: “Encararmos o envelhecimento como progresso e tornar a independência possível para a pessoa idosa será uma grande conquista”

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A preparação para o envelhecimento saudável e ativo não acontece com a agilidade necessária para que a sociedade e governos estejam preparados para uma população em que idosos estarão em maior número que jovens. É a afirmação e preocupação de médicos e estudiosos de gerontologia. 

“A população não  está se preparando para o envelhecimento da sociedade no Brasil com a  mesma velocidade com que envelhece. Apesar de  estar um pouco mais  consciente   desse ‘novo normal’, do mundo envelhecido, a  sociedade precisa fazer educação para o envelhecimento e mudar muitos preconceitos para lidar melhor com o grande número de idosos que seremos”, reflete a  geriatra Daniela Barbieri. 

Ela, que também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Espírito Santo (SBGG-ES), explica que tornar-se velho é um processo gradual que exige aceitação, auto-perdão e  resiliência.

 “Encararmos o envelhecimento como progresso e tornar a independência possível para a pessoa idosa será uma grande conquista. Precisamos melhorar muito culturalmente e enquanto sociedade, com organização política e mudanças estruturais sérias”.

O geriatra Heitor Spagnol frisa que é necessário cuidar pessoas para que elas consigam atingir o envelhecimento de forma saudável. “Mas, infelizmente, não há uma preparação para o envelhecimento da população. Não tenho visto na nossa sociedade pessoas se preparando para isso. Se   planejar para envelhecer é poder vislumbrar o futuro. O que me preocupa é que os jovens de hoje estão focados apenas no atual e querem viver intensamente o presente sem saber que há um futuro a ser preparado”. 

“Já é sabido que vamos viver mais, por isso o planejamento do envelhecimento se torna urgente”,  diz o geriatra Roni Mukamal. “Isso muda totalmente a dinâmica de escolhas que fazer hoje, na juventude. Temos de pensar a longo prazo”.

Quanto à preparação de políticas públicas, a arquiteta e professora na pós-graduação em Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP) Maria Luísa Trindade Bestetti diz que, embora seja possível verificar conquistas, ainda é preciso avançar muito. 

“Serão necessárias políticas públicas efetivas para acolher as demandas dessa população, a cada dia mais longeva e ativa por mais tempo”, observa.

Alerta para o cuidado com a saúde mental na velhice

Planejar um envelhecimento ativo e saudável também passa pelo cuidado com  a saúde mental. Com o encurtamento das famílias, a preocupação, segundo a endocrinologista e estudiosa do Estilo de Vida Marina Pazolini, é com a solidão na velhice. 

 “A solidão  constitui um problema social cada vez mais prevalente, devido ao envelhecimento e às mudanças na organização da sociedade e na estrutura e dinâmica das famílias. É uma fonte de sofrimento significativo, associando-se à redução da qualidade de vida e ao aumento da morbidade e mortalidade”, alerta. 

A médica destaca um  estudo de Desenvolvimento Adulto, de Harvard, que durante 79 anos acompanhou a vida de 724 homens.

“A mensagem mais clara que tiraram desse estudo é que bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis. As pessoas em relacionamentos nos quais elas sentem que realmente não podem contar com a outra são as que acabam tendo declínio de memória mais cedo”. 

O estudo percebeu que as  pessoas que se saíram melhor foram as bem relacionadas com a família, amigos e com a comunidade.

 “As pessoas que estavam mais satisfeitas em seus relacionamentos aos 50 anos eram mais saudáveis aos 80. As  que estavam em relacionamentos infelizes, nos dias que tinham mais dor física ela era intensificada pela dor emocional. A qualidade dos relacionamentos mais próximos que importa e relações saudáveis protegem não apenas nossos corpos, mas também nossos cérebros”, destaca  a médica.

O psiquiatra Jairo Navarro explica que doenças como ansiedade e depressão têm componentes inflamatórios. “Tal inflamação causa lesões nos órgãos, deixando o corpo doente. Investir em saúde mental é básico para ter uma via longeva, de qualidade, hoje e quando for idoso”.  

Por isso, pensar na saúde mental do idoso no ambiente de trabalho também é importante, como destaca a professora da Faesa Andreza Sampaio de Mello. “Isso é algo que vem ganhando destaque  e preocupação no ambiente  organizacional, principalmente por causa da pandemia”. 

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