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ELEIÇÕES 2022

46% dizem ter deixado de falar com amigos e familiares sobre política

Datafolha ouviu 6.800 pessoas de 16 anos ou mais em 332 cidades, de terça (27) a quinta (29), com margem de erro de dois pontos percentuais

46% dizem ter deixado de falar com amigos e familiares sobre política
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Quase metade dos brasileiros diz ter deixado de falar com amigos ou familiares sobre política para evitar discussões nos últimos meses, aponta pesquisa Datafolha. Esse índice é de 46%, similar ao registrado em julho (49%).

O silêncio é mais comum entre mulheres, mais jovens, mais escolarizados, mais ricos e eleitores de Ciro Gomes, do PDT (54%). Também é maior entre os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT (48%), em comparação aos de Jair Bolsonaro, do PL (40%).

Outro resultado que mostra preocupação do eleitor em tocar no assunto, perguntado pela primeira vez pelo instituto, é o número de pessoas que se sentiram menos à vontade para declarar seu voto para presidente recentemente: 35%.

Segundo a pesquisa Datafolha, 14% afirmam ter sido ameaçados verbalmente por suas posições políticas nos últimos meses, número semelhante ao do levantamento de julho (15%). O número vai a 16% entre os eleitores de Lula e 12% entre os de Bolsonaro.

Já as ameaças físicas são citadas por 5%, nível também próximo ao da rodada anterior, que aferiu 7%. O resultado novamente varia positivamente entre simpatizantes do petista (6%) e negativamente entre bolsonaristas (3%).

O instituto ouviu agora 6.800 pessoas de 16 anos ou mais em 332 cidades, de terça (27) a quinta (29), com margem de erro de dois pontos percentuais. Contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-09479/2022. O índice de confiança é de 95%.

A rodada mostra ainda que falar sobre suas preferências políticas ou revelar quem é seu candidato a presidente em locais públicos, a desconhecidos, é visto como a situação que mais pode gerar problemas –34% citam essa opção, em resposta múltipla.

O trabalho aparece como o segundo ambiente com mais desconforto (24%), seguido de locais com a família, amigos ou colegas (21%), igreja ou culto (16%) e escola ou faculdade (9%). Só 1% citam pesquisas eleitorais e 14% dizem não ver incômodo em nenhuma dessas situações.

Homens veem mais problema no trabalho e mulheres, com a família. Moradores do Centro-Oeste temem os lugares públicos acima da média de outras regiões. Eleitores de Lula, por sua vez, citam mais as igrejas e cultos do que os apoiadores de Bolsonaro.

O Datafolha aponta ainda uma afinidade política dentro das famílias brasileiras: 66% dos entrevistados afirmam que todos ou a maioria dos seus parentes votarão no mesmo candidato a presidente que eles (74% entre lulistas e 75% entre bolsonaristas).

Outros 15% dizem que uma minoria dos seus familiares escolherá o mesmo postulante ao cargo e 10%, que ninguém vai votar igual. A soma desses dois índices sobe para 34% entre os mais jovens, para 63% entre os eleitores de Ciro e para 59% entre os de Simone Tebet (MDB).

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