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Política

O que deve mudar após Lula assumir presidência do Brasil

Aumento real do valor do salário mínimo e mudança na regra do teto de gastos são possibilidades, na visão de especialistas

O que deve mudar após Lula assumir presidência do Brasil
- Voto de Lula, no último dia 30
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Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

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Uma série de especulações gira em torno da nova equipe econômica do presidente eleito Lula (PT). Os nomes anunciados deverão dar o tom para o mercado nos próximos dias.

“Enquanto ele não apresentar os ministros, a pressão do mercado financeiro continuará. Vamos ter muita volatilidade e instabilidade na Bolsa, e muita coisa que vai acabar refletindo no dólar também”, diz a contadora Mônica Porto.

E após a posse, o que deve mudar? Uma das promessas de campanha do presidente eleito foi um salário mínimo forte, com reajuste acima da inflação. O doutor em Contabilidade e Administração, economista e professor da Fucape  Felipe Storch explicou que o salário mínimo deve ser reajustado pouco acima da inflação em 2023.

“Acho que ele vai fazer porque é uma promessa de campanha. Por mais que faça agora, tem que se olhar para o resto da economia para ser uma coisa sustentável.”

Ele detalhou que o salário precisa ser reajustado com ganho de produtividade na indústria. A explicação é simples: “Os consumidores vão comprar mais, tem que ter mais produtos para não ter pressão nos preços”, esclareceu.

Para o professor, será preciso ainda renegociar o Orçamento para conseguir colocar uma série de políticas em prática, com mudanças no teto de gastos. A experiência de quem vai exercer o terceiro mandato contribui, segundo ele: “Um ministro da Fazenda responsável fiscalmente seria relevante.”

O especialista em Métodos de Otimização, Contabilidade e Economia, professor e doutor Danilo Soares Monte-mor não vê mudanças radicais no curto prazo. “O cenário internacional ainda dá sinais de que a inflação deve continuar. Nesse caso, não vejo espaço para alterações substanciais na política econômica no curto prazo”.

Danilo disse ainda que a independência do Banco Central não deve ter alterações, assim como o alcance da política monetária. O mercado, embora possa apresentar volatilidade e rebalancear as carteiras em um primeiro momento, seguirá em seu fluxo normal. O desafio estará nas contas públicas, que “têm de fechar”: “Não existe mágica, as margens são pequenas e o equilíbrio das contas segue pesando.”

Lula recebeu, na segunda-feira (31), em São Paulo, o presidente argentino, Alberto Fernández. Depois, viajou com a mulher, Janja, para descansar da campanha, na Bahia.

SAIBA MAIS

Isenção do IR para quem ganha até 5 mil

Plano de Governo

– Entre as propostas do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva estão: isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, salário mínimo forte, Auxílio Brasil de R$ 600 e mais R$ 150 por criança até seis anos, produzir e garantir comida para 33 milhões de pessoas e tirar o País do Mapa da Fome, retomar o Minha Casa, Minha Vida.

– A isenção, o Auxílio Brasil e o reajuste do mínimo podem custar até R$ 117 bilhões, de acordo com a contadora Mônica Porto.

– O Especialista em Métodos de Otimização, Contabilidade e Economia e doutor Danilo Soares Monte-mor ressaltou que o grande desafio estará nas contas públicas.: “As contas têm que fechar. Não existe mágica”.

Congresso

– A oposição forte no Congresso é esperada, já que os partidos de oposição tiveram maior sucesso.

– Neste sentido, economistas apontam que Lula deve indicar para a economia alguém que tenha, além das habilidades técnicas, habilidade de negociação com o Congresso. Além disso, conta com os oito anos de experiência no posto e a própria capacidade de negociação.

– O deputado federal eleito Victor Linhalis (Podemos) destacou: “Espero que seja indicado um economista técnico, com diretrizes voltadas ao avanço econômico e social”. 

– O deputado federal Da Vitória (PP) declarou que vê muita esperança de que o Congresso continue uma base forte da sociedade.

– O deputado federal Helder Salomão (PT) espera que o Congresso e todos os setores da sociedade vejam as reformas e os pontos principais voltados para a economia como formas de desenvolvimento, principalmente para o âmbito social, que é o forte do presidente eleito.

Combate a fome

– O senador Fabiano Contarato (PT) lembrou que o combater a fome é uma das prioridades do presidente eleito. “Para isso, será preciso fortalecer a nossa economia, gerar emprego, renda e desenvolvimento”.

– O deputado federal Amaro Neto (Republicanos) frisou: “Diante do que foi falado no primeiro discurso após a eleição, entendemos que ações como o combate à fome e à miséria, e a manutenção do Auxílio Brasil são necessárias.

Meio ambiente

– As políticas ambientais devem sofrer uma considerável alteração. O especialista em métodos de otimização Danilo Soares Monte-mor destacou que é possível que a nova equipe do ministério do meio ambiente reveja alguns decretos do governo anterior.

“É possível também que algumas ações específicas sejam efetuadas em um primeiro momento em um movimento politico de sinalização”.

PEC de “reconstrução nacional”

– Lula estuda um Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de “reconstrução nacional” para contornar o teto de gastos.

– Ainda não foram divulgados muitos detalhes sobre essa possível PEC, mas a ideia é encaixar nas contas o Auxílio Brasil de R$ 600, pagar um adicional de R$ 150 por criança e aumentar o salário mínimo 1,3% acima da inflação.

– O presidente eleito também deve promover um plano emergencial para os primeiros meses de governo com ações de combate à fome e à pobreza.

Transição 

– “Nos próximos dias a equipe de transição terá um importante papel ao tomar conhecimento da real situação econômica e poder fazer o planejamento do novo governo para a retomada do crescimento sustentável do País. Temos muito trabalho pela frente”, destacou o senador Fabiano Contarato.

Fonte: Especialistas citados, deputados federais e senadores citados, e pesquisa AT.

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