O modelo de escola em que o conteúdo é recebido de forma passiva pelo aluno será substituído por uma metodologia que coloca o estudante como grande protagonista do processo de aprendizagem.
Isso será possível com as chamadas metodologias ativas, que tornarão as escolas mais construtivas para que o aluno possa usar o conhecimento adquirido para traçar o seu futuro.
O professor, escritor e pesquisador José Moran aponta que esse caminho é natural e viável, embora enfrente dificuldades.
“É preciso redesenhar as maneiras de ensinar. As metodologias ativas estão em evidência porque os alunos aprendem muito mais quando eles se envolvem, participam, experimentam, criam”, afirma.
Pesquisador de projetos inspiradores na educação, com ênfase em metodologias ativas, José Moran estará na Grande Vitória para o Congresso Conhecer, que vai debater novas metodologias de ensino amanhã e sábado.
A tribuna – Por que as chamadas “metodologias ativas” são tão importantes na nova forma de ensino-aprendizado?
José moran – As metodologias ativas estão em evidência porque os alunos aprendem muito mais quando eles se envolvem, participam, criam. As pesquisas apontam para uma aprendizagem melhor quando isso acontece. Para o aluno, a aprendizagem desta forma faz mais sentido.
Qual o grande problema do modelo atual?
A escola cria um currículo com disciplinas trabalhadas de forma muito passiva: o professor explica, o aluno ouve. E isso não é suficiente, pois ele não aprende de verdade. O conteúdo é importante, mas se não for usado dentro dessa visão mais criativa, sendo mostrado o que fazer com aquele conteúdo no futuro, como usar, ele fica apenas de forma abstrata.
Muitas instituições estão banalizando o ensino com modelos curriculares rasos, com conteúdos pouco criativos. Falam em inovação, mas investem pouco na qualidade, e sim na massificação.
Como trabalhar essas metodologias no contexto escolar?
O professor tem de falar menos e orientar mais. Ele está acostumado a dar tudo mastigado para o aluno, isso prejudica o conhecimento.
É preciso transformar a sala em um espaço de prática, de experimentação. Se o aluno aprende na prática, ele aprende melhor.
Mas é claro que dá mais trabalho, demanda planejamento maior. É fazer uma escola mais próxima do aluno, mais interessante. Mas ainda falta muito, valorização do docente, formação continuada.
A pandemia acelerou a necessidade dessa mudança?
A necessidade da metodologia ativa é de antes da pandemia, mas esse período de pandemia mostrou que o aluno pode aprender além do espaço da sala de aula física.
Mas na pandemia, alguns alunos avançaram muito e outros ficaram muito para trás. O cenário educacional atual é mais complexo do que parecia há pouco tempo. Não é fácil manter os estudantes atentos e interessados.
Qual é o risco da escola continuar como está?
A escola se transforma mais lentamente do que desejamos. Isso nos atrasa como sociedade, comprometendo o futuro pessoal e social. Os mais prejudicados são crianças e jovens.
A Base Nacional Comum Curricular também pode impulsionar essa mudança?
É um referencial importante. Será progressiva, demorada e ainda desigual. A BNCC dependerá também da melhoria da qualificação dos gestores.
Você costuma falar da necessidade de ter ambientes de confiança. Qual a importância disso?
Precisamos de ambientes de confiança e de respeito para inovar e empreender. Ter gestores e docentes valorizados, escolas abertas para a comunidade.
Temos uma cultura de afabilidade, mas não de confiança. Sem ambientes de confiança, as inovações são muito mais lentas e complicadas.
PROGRAMAÇÃO
– O congresso vai reunir grandes nomes da Educação com o tema: “Projetando futuros por meio de estratégias pedagógicas e equidade educacional”.
– O evento pretende colocar os educadores frente a frente com novas estratégias, colaborando para seus planejamentos e vislumbrando novas ações.
– Será realizado amanhã e sábado, no Matrix Music Hall, em Cariacica.
– Entrada e mais informações no site: congressoconhecer.com.